Por que a juventude da classe-média está perdida e sem perspectiva?

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A juventude rica não tem grandes problemas. Vai herdar as riquezas de seus pais. Seus pais não pagam impostos. As empresas de seus pais sonegam impostos. Não há imposto para grandes fortunas no Brasil e se existisse muitos tributaristas dizem que haveria várias brechas para escaparem do imposto. São privilegiados. Foram educados pelas babás e professores de escolas privadas caríssimas. Fizeram intercâmbio no exterior. Se não estudarem em universidades públicas têm vaga garantida nas universidades privadas devido à sempre garantida bolsa-papai. Se tiverem problemas com drogas ou psicológicos pela desatenção paterna vão ter os melhores psiquiatras, psicólogos e outros profissionais a disposição. Se nada der certo no Brasil, Miami está logo ali para uma vida boa.

A juventude pobre no Brasil tem cada vez mais perspectivas. Milhões de brasileiros saíram da miséria nos últimos dez anos e outros milhões de pobres foram para a classe-média, ou a chamada “classe C”. Se seus avós eram analfabetos, se seus pais tinham menos condições sociais na ditadura militar, nos anos 80 ou na década perdida neoliberal de 90, os jovens pobres hoje podem avistar um horizonte com os programas econômicos e sociais governamentais, conforme prevê a Constituição Social e Democrática de Direito de 1988.

E os jovens da “velha-classe-média”? Não os filhos da nova-classe-média, da classe C, mas os filhos da antiga classe-média? Não têm as ótimas perspectivas dos jovens ricos e a luz no fim do túnel dos pobres. Não sabem o que aconteceu durante a ditadura militar. Seus pais, cada vez mais alienados, não educaram seus filhos para que eles lessem mais e assistissem menos TV. Tudo o que seus pais deixaram de ganham de presente na infância, fizeram questão de presentear seus filhos, que não sabem o que é um “não”.

Os filhos da classe-média ganhavam seus carrinhos e helicópteros de brinquedo que queriam. Mas agora quando crescem não podem comprar ou ganhar os mesmos carros e helicópteros.

Seus pais acomodados não lutaram, não fizeram política, por uma educação e saúde pública e estatal de qualidade. Os filhos da classe-média estudam em escolas e universidades privadas, as quais na sua maioria ensinam que a competição é mais importante do que a colaboração, que as empresas privadas são mais confiáveis do que a Administração Pública.

Os filhos da classe-média não sabem a importância da política. Não sabem a importância da democracia representativa. Não sabem como lidar com a democracia participativa.

Eis que agora os filhos da classe-média estão nas ruas. Óculos Ray Ban, alguns falsificados e outros verdadeiros, bolsas Louis Vuitton, algumas verdadeiras outras falsificadas.

Sem ideologia. Não sabem o que é esquerda ou direita. Confundem política com política partidária.

Não têm bagagem política. Seus pais não debateram política com eles. Eles sabem lidar bem com seus iPhones, iPads, iQualquer coisa, mas não sabem contra ou a favor do que lutar.

Muitos desses jovens chamam seus papais e mamães para questionar qualquer problema em suas universidades.

Muitos desses jovens nunca participaram de uma reunião de condomínio, de partido político, de centro acadêmico. Suas turmas não escolhem nem representante de turma.

Muitos são contrários ao Bolsa Família, pois seus pais não são beneficiários do programa. Mas acham certo o Terceiro Setor fazer assistencialismo.

O capitalismo fez esses jovens acreditarem que serão felizes se puxarem o tapete de seu semelhante. Que apenas serão felizes se forem consumidores, e não cidadãos. Que podem comprar, e não conquistar a felicidade. Por isso cada vez mais casos de depressão entre os jovens. Suicídios. Jovens mais preocupados com a beleza, com a imagem, do que com o conteúdo. Seus pais querem que eles sejam empreendedores e não pessoas boas.

Seus pais chamam os políticos de ladrão mas pagam propina para os policiais não aplicarem uma multa de trânsito. Seus pais chamam o prefeito, o governador ou o presidente de mentiroso, mas ensinaram as crianças a mentirem a idade para pagarem menos em restaurantes ou cinemas.

Pareço não acreditar na juventude? Pelo contrário! Continuo lecionando e blogando porque acredito na juventude. Acredito que essa juventude possa ser melhor do que a geração de seus pais. Acredito que essa juventude possa sim sair de frente da TV, do Facebook, do Google e do Wikipédia e possa ler mais livros, discutir mais política, questionar mais pelo interesse público e não apenas por seus próprios interesses. Acredito!

Sou cético com relação aos seus pais. Mas acredito na juventude.

Primeiro passo: democratização dos meios de comunicação, para que a velha mídia não influencie tão negativamente nossa juventude e os pais da juventude.

Segundo passo: reforma tributária que garanta imposto zero para os pobres, menos impostos para a classe-média e bem mais impostos para os ricos.

Terceiro passo: reforma política que garanta o financiamento público de campanha, para que o dinheiro tenha menos influencia em nossas eleições.

E viva a Democracia! Os jovens de hoje serão os governantes de amanhã.

11 comentários sobre “Por que a juventude da classe-média está perdida e sem perspectiva?

  1. Pingback: Anônimo
  2. Tarso, sinceramente, por que você fica malhando tanto a classe que é o alicerce do nosso país? Em todo os seus posts você se refere a classe média como um bando de sujeitos inescrupulosos e gananciosos ávidos por lucro em detrimento da classe trabalhadora, quando na realidade – salvo exceções que confirmam a regra – a classe média/assalariada é composta por pessoas que trabalham de sol a sol a fim de ter, e poder propiciar às suas respectivas famílias, um mínimo de conforto, um mínimo de dignidade. Quando você bate tanto na classe média você se esquece que nesse segmento social estão insertos o micro e pequeno empresários, que são aqueles que investem um capital (normalmente juntado com muito trabalho e sacrifício), assumem um enorme risco em um determinado negócio, geram empregos, recolhem tributos, movimentam a economia e, é claro, quando sua empreitada resta exitosa, colhem o resultado do seu árduo trabalho na forma de lucro (nada mais justo depois de todo o risco que assumiram). Eu não consigo entender essa visão maniqueísta de que a classe média (pequena burguesia) é antagonista dessa “classe C” a que você se refere. Na realidade os interesses não são divergentes, muito pelo contrário. O trabalhador com pouca instrução quer e deve ser respeitado da mesma forma que o trabalhador com mais qualificação (leia-se de classe média) também quer, da mesma forma que o micro e pequeno empresários também querem poder exercer sua atividade econômica que provêm o sustento de suas famílias. Pare com esse discurso de que são inimigos até porque você é professor universitário, mestre em direito, advogado etc. A que estrato social você pertence? E, em razão disso, você diria que seu filho(a) está perdido e sem perspectiva?

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  3. Texto muito fraco, sem argumentos coerentes, misturou um monte de coisa, inclusive psicologia barata, não entende nada de história, e quando você disse, “Sem ideologia. Não sabem o que é esquerda ou direita. Confundem política com política partidária.”, obviamente que defende um partido politico, partidos, que por sinal, nunca na história do Brasil, representou verdadeiramente o povo. E sem falar de esquerda ou de direita, que a muito tempo no Brasil, não significa nada, pois todos os partidos só carregam um nome e uma falsa ideologia, e na verdade todos estão no mesmo nível, E sem duvida a uma generalização muito grande, ao botar todos os jovens no mesmo saco, fora um grande preconceito ao tentar “superficializar” os jovens, e misturar o consumismo do capitalismo como uma característica unica dos jovens nas ruas, e os objetivos das mobilizações só não são claros para você, que acha melhor ficar quieto e se esconder atrás de partidos políticos, e se auto-enganar, achando que é possível mudar a triste realidade brasileira, sem protesto, onde eventos como a copa, são a clara demostração da alienação do povo, onde independente do atual governo, ou mesmo que fosse a oposição ou a “direita”, que estivesse no poder, apoiaria com certeza este evento, onde ninguém ganha, a não ser a FIFA, outros empresários, e os corruptos aproveitadores, se motivos como esses, contra a corrupção, e mais investimentos na educação, não são claros e dignos, então nada mais é.

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  4. A juventude burguesa e despreocupada é a que freqüenta a praça de alimentação da universidade onde você leciona?

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  5. No Brasil, a classe média ainda é rala e desprovida de influência política (praticamente não há candidatos que se disponham a representa-la). O grande elemento formador da classe média brasileira foi o imigrante, que já trazia consigo uma cultura de classe média, a qual propugnava a melhoria de vida mediante o trabalho, o planejamento, a poupança e a aquisição de cultura (ideais que contrastavam com o patrimonialismo do país colonial). Outro elemento formador da classe média foram famílias ricas cujos filhos tradicionalmente tinham um diploma superior (mero adorno) mas que, com o tempo, foram perdendo o patrimônio, de modo que a profissão tornou-se a única fonte de renda dos descendentes. Este extrato é fácilmente reconhecido por cultivar símbolos que reportam à classe rica de onde provieram, tais como empregados domésticos e o “canudo” indispensável, sem o qual não se é “doutor”. Em geral dedicam-se a profissões “tradicionais” e a empregos públicos, enquanto que o extrato derivado dos imigrantes dedica-se à iniciativa privada (por vezes enriquecendo). A transição dos pobres para a classe média tem sido muito lenta, devido às poucas oportunidades disponíveis, mas também ao pouco prestígio que a classe média brasileira desfruta (o pobre em geral sonha em ascender à classe rica, não à classe média). O traço mais flagrante desta falta de auto-estima é a insistência dos cidadãos de classe média em identificar-se com as outras classes: ou se tenta parecer um rico, imitando seu comportamento e seus hábitos de consumo, ou se solidariza com os pobres, abraçando ideais contrários ao capitalismo, à iniciativa privada e à propriedade privada – e assim ajuda a fabricar a corda que irá enforcá-lo. Não creio que a classe média brasileira florescerá enquanto seus integrantes não tiverem um mínimo de orgulho de pertencer a ela.

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  6. A culpa agora é da classe média, em doze anos porque não trataram a educação , isso é o reflexo da falta de investimento em educação , mas educação decente e não a que mascaram os números , na minha época eu era reprovado e tinha medo, mas hoje este número está distorcido pois ninguém mais roda, todos se formam sem a base principal.. Que culpa os filhos dos pais ricos tem? Eles tem culpa por terem mais oportunidades que o demais, mais um discurso demagogico que os políticos em geral aplica!! Lamentável isso!! Matéria totalmente desnecessária, por que argumentam de forma mais consistente?

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  7. os pais de classe media não ensinam aos filhos a ter um emprego mais braçal desde cedo e ir conquistando as coisas aos poucos, eles apenas ensinam o que deu certo pra eles, que é estudar muito, e passar num concurso militar ou numa faculdade federal cursando engenharia ou medicina. Acontece que o Q.I deles era maior, a humanidade vai ficando mais burra conforme o passar do tempo, e nem todo mundo é inteligente igual os pais são pra ter uma profissão de classe media. Os pais não educam os filhos essa é a verdade, pensa que tudo se resolve dando remedio, com papo de depressão(termo judaico pra pessoas fracas) ou em alguns casos internando e taxando de esquizofrenico. A única solução é se tornar um auto-didata e seguir seu proprio caminho, por mais dificul que seja esse caminho. Pelo que vejo a quantidade de pessoas brancas tende a diminuir muito, enquanto o cabloco e mulato que são o pobre, tende a ser maioria, talvez no futuro tenha uma revolução comunista aqui e o sistema passe a ser comunista, pois não haverá mais classe media branca pra sustentar as elites judaicas, os judeus vão impor uma ditadura comunista.

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