ICI – Instituto Curitiba de Informática continuará sendo uma Caixa-Preta por culpa do Tribunal de Contas do Paraná

Na coluna de domingo na Gazeta do Povo do Celso Nascimento:

Olho vivo

Caixa-preta 1

A caixa-preta do Instituto Curitiba de Informática (ICI) continuará preta, segundo decidiu quinta-feira o Tribunal de Contas ao aprovar relatório do conselheiro Durval Amaral. Ex-chefe da Casa Civil da atual governo, ele argumenta que o ICI, por ser uma organização social (OS), está dispensado de prestar contas do dinheiro público que recebe da prefeitura de Curitiba.

Caixa-preta 2

No ano passado, o ICI recebeu dos cofres municipais R$ 150 milhões e vai embolsar outros R$ 400 milhões até 2016, segundo contrato firmado na gestão de Luciano Ducci. O ICI controla todos os serviços da prefeitura que dependem de informática – desde a execução financeira e folha de pagamento até coisas mais simples, como agendamento de consultas e a bilhetagem eletrônica dos ônibus. Se o ICI parar, a prefeitura para junto e com ela todos os cidadãos que dependem de seus serviços.

Caixa-preta 3

O ICI terceiriza serviços para outras empresas (a bilhetagem, por exemplo, é da Dataprom), sem licitação e sem revelar à prefeitura ou ao Tribunal de Contas o quanto paga para terceiros. Na prática, embora cite razões legais para agir assim, o Tribunal de Contas acaba de abrir mão da tarefa de fiscalizar o bom emprego do dinheiro público.

Caixa-preta 4

Mas há um detalhe que poucos sabem: pela legislação que regula as OS, essas organizações estão impedidas de fazer terceirizações – ao contrário, devem contar com pessoal e estrutura próprios para internalizar todos os serviços que se propõe prestar. Outro detalhe: em março passado, o ICI assinou aditivo contratual que o obriga a tornar transparentes na página da internet da prefeitura todas as suas despesas todos os meses, informando valores e nomes dos subcontratados.

Caixa-preta 5

Até então, a “caixa-preta” do ICI não permitia esse acesso à prefeitura, o que a impedia sequer de avaliar os custos e saber que rumo tomava seu dinheiro. Passados já quase três meses do aditivo, o ICI não cumpriu a obrigação, e é até possível que agora, com a decisão do TC, se sinta tentado a buscar na Justiça o cancelamento do aditivo.

Caixa-preta 6

Se, no entanto, disponibilizar os dados, o ICI estará confessando a irregularidade de terceirizar serviços, dando margem a providências jurídicas da outra parte. A consequência poderia até ser o rompimento do contrato – mas como substituir o ICI por outras empresas ou pela própria administração direta sem causar inevitável rebuliço informático? Ou seja, o município tende a continuar refém do ICI por mais tempo, a menos que assuma o controle da sua direção, hoje nas mãos de um pequeno grupo de empresários.

8 comentários sobre “ICI – Instituto Curitiba de Informática continuará sendo uma Caixa-Preta por culpa do Tribunal de Contas do Paraná

  1. Pingback: EU ME IMPORTO, JOAQUIM BARBOSA! | SCOMBROS
  2. huahuahuahuahuahuahuahuahuahuauhahuauhahuhuauahhuaauhuhauhauhahua
    só me resta rir huauhahuahuahuahuhauauauuhaua

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  3. Está na Coluna do nascimento de Hoje. A Bola foi repassada à Prefeitura e esperamos que o pessoal se mexa.. E que o Tarso cobre. E que o nosso dinheiro seja respeitado.

    Olho vivo

    Pandora 1

    A propósito de nota publicada neste espaço, domingo último, o Tribunal de Contas nega ter aberto mão de fiscalizar o Instituto Curitiba de Informática (ICI) – uma Organização Social que detém exclusividade na prestação de todos os serviços de informática da prefeitura de Curitiba. Ao contrário, diz o esclarecimento do TC, o voto do conselheiro Durval Amaral, aprovado pelo Pleno, determina “maior rigidez na prestação das contas, que passa a ser mais detalhada e eficiente”.

    Pandora 2

    Entretanto, a nota reconhece que é da prefeitura a missão inicial de abrir a caixa preta do ICI: “Em síntese, caberá ao ICI prestar contas à prefeitura mensalmente de todos os seus atos relacionados ao contrato de gestão e esta encaminhará as informações todos os meses ao Tribunal de Contas do Estado para controle e fiscalização”.

    Pandora 3

    A caixa de pandora consiste – segundo recorrentes acusações – no fato de o ICI, em vez de prestar diretamente os serviços para os quais foi contratado, terceirizar grande parte deles. No entanto, a fatura que lança contra a prefeitura (de R$ 10 milhões a 12 milhões por mês) é única, dela não constando valores pagos a terceiros. Um termo aditivo que obriga o ICI a fazer tal detalhamento ainda não foi cumprido.

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