#CarnaCoxinha: não havia 60 mil pessoas ontem em Curitiba

15 de março de 2015

15 de março de 2015

Nas manifestações dos coxinhas de 15 de março de 2015, a Polícia Militar disse que existiam 80 mil pessoas na Boca Maldita (foto acima).

No dia 12 de abril de 2015, as manifestações golpistas tinham 40 mil “revoltados com tudo o que está aí”. Foi um fracasso, pois demonstrou enfraquecimento do movimento de direita.

12 de abril de 2015

Palácio Avenida de Curitiba em 12 de abril de 2015: 40 mil pessoas

Ontem, 16 de agosto, segundo a PM tinha 60 mil pessoas na frente do Palácio Avenida, em Curitiba, o que seria a segunda maior manifestação do país. Comparem as duas fotos. Ontem havia mais gente do que no dia 12 de abril? Note-se que a manifestação de ontem foi abertamente apoiada pelo governo Beto Richa (PSDB).

PROTESTO DILMA - Robert Leh - Monarca Imagens CORTE  (7)

Palácio Avenida de Curitiba em 16 de agosto de 2015: 60 mil pessoas?

Manifestantes da periferia pedem emprego, ônibus barato e faculdade de graça

Captura de Tela 2015-08-17 às 08.10.32

Por PATRÍCIA CAMPOS MELLO, na Folha de S. Paulo de hoje

Enquanto os manifestantes gritavam contra a corrupção e o Estado inchado na avenida Paulista, um punhado de jovens do Itaim Paulista e Cidade Tiradentes, da zona leste, foi aos Jardins pedir mais emprego, ônibus barato e faculdade de graça.

Eram 13h quando o grupo da Zona Leste se reuniu no metrô Itaquera, seguindo convocações que circularam por WhatsApp e Facebook. Eram 30 pessoas. Metade era ligada ao PSDB ou ao Vem Pra Rua. O resto era estreante em passeata.

Os amigos Tony Silva Montenegro, 23, Rodrigo Paulino Rocha, 17, e seu irmão Leandro, 24, vieram direto do baile funk, sem dormir.

Levaram uma hora em dois ônibus do Itaim Paulista até a estação Itaquera do Metrô, e, de lá, mais uma hora até a avenida Paulista.

Leandro era confeiteiro em um supermercado e perdeu o emprego dois meses atrás. Vestia uma camiseta com a bandeira dos EUA, porque “a do Brasil sujou no baile”.

“A conta de luz está um absurdo, subiu muito”, disse Rodrigo. “Fora o crime: tiraram a guarita de lá do bairro e a viatura nunca passa.”

Assim que chegaram à Paulista, os três amigos levaram um susto ao ver duas senhoras tirando uma foto com os policiais da tropa de choque. “Selfie com o Choque já é demais”, disse Rodrigo, que teve um irmão de 25 anos assassinado há três anos, “confundido com um policial”.

Na avenida, os amigos cruzaram com um grupo fantasiado, tocando gaitas de foles: eram do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, ligado à Sociedade Brasileira de Defesa de Tradição, Família e Propriedade (TFP).

“Que porcaria é essa?”, perguntaram, e foram tirar selfies.

Enquanto a maior parte dos manifestantes usava camisa verde-amarela e carregava faixas, os jovens da periferia foram à paisana, de boné virado para trás, tênis Mizuno e Asics e cabelos com mechas coloridas.

Segundo o Datafolha, apenas 6,2% dos participantes do protesto tinham renda de até 2 salários mínimos (R$ 1.576), 3% se declararam negros e 17%, pardos.

“Acho que eles têm preconceito contra a gente, mas vim mesmo assim, porque a Dilma tem que sair” disse Tony, que é pedreiro.

Em seu manifesto, o Vem Pra Rua defende um país onde “a liberdade econômica é estimulada e o Estado não é maior que o necessário.” Kim Kataguiri, do Movimento Brasil Livre, prega “um Estado mínimo, que não se intrometa na vida do cidadão”. O grupo da periferia também está descontente com Dilma. Mas sua pauta passa longe do encolhimento do Estado.

Jennifer Soares, 20, promotora de vendas que ganha R$ 1.013 por mês, pega cinco conduções por dia e quer baixar a tarifa de ônibus. Outra reivindicação é faculdade de graça. “É preciso ter programas do governo para isso.”

Geraldo Lucas, 21, deve quase R$ 3.000 em mensalidades na faculdade e quer ampliação do Fies.

Para Oziel de Souza, do diretório do PSDB de Cidade Tiradentes, as manifestações não estão sintonizadas com a periferia. “A periferia quer bilhete único, mais estações de metrô, faculdade de graça e shoppings”, diz. “Mas participamos mesmo assim, porque queremos tirar a Dilma.”

Já para os três amigos do Itaim Paulista, o sono bateu, a água estava R$ 4 e a música não era lá essas coisas. Depois de apenas uma hora e meia na Paulista, foram para casa, porque na segunda precisam acordar cedo. E o ônibus continua cheio.

kim-kataguiri

Elite branca, rica e tucana foi às ruas

b

Segundo o Datafolha a maior parte dos manifestantes que foi ontem (16) à avenida Paulista, na capital de São Paulo é:

Homem (61%),

Tem 51 anos ou mais (40%),

Cursou o ensino superior (76%),

Se declara branca (75%),

Não é ligada a nenhum partido (52%),

Tem renda familiar mensal entre R$ 7.881 e R$ 15.760 (25,17%),

Preferem o PSDB (33%) e

Votaram em Aécio Neves (PSDB) no segundo turno das eleições de 2014 (77%).

Apenas 3% de negros e 17% de pardos.

Apenas 6% de jovens de 21 a 25 anos.

Apenas 5% votaram em Dilma Rousseff (PT).

Portanto, a realidade não é o povo nas ruas. Não são os eleitores da esquerda e centro-esquerda nas ruas.

A realidade é que a direita fascista, conservadora ou reacionária, não tem mais vergonha de se expressar e está muito bem organizada, via redes sociais e com muito dinheiro do empresariado.

Não aguentam mais a redução das desigualdades, não aguentam mais ver o filho do pobre na escola, não aguentam mais ver as instituições brasileiras se consolidarem com um governo encabeçado por partido de centro-esquerda.

O movimento, mesmo enfraquecido, se comparado com 15 de março, é um recado importante. O de que devemos radicalizar ainda mais nossa jovem Democracia.