Carta de Encerramento do Instituto de Direito Romeu Felipe Bacellar

Instituto de Direito Romeu Felipe Bacellar, instituição de ensino criada em homenagem ao meu pai, Professor de Direito, pesquisador, que por muitos anos, às duras penas, manteve a prestigiada Revista Jurídica “Fórum do Paraná”. Sua criação pode ser retratada como um preito de admiração e reconhecimento a um homem que dedicou sua vida ao Direito, jamais pensando em receber nada em troca. Daí porque o Instituto sempre ter retratado um ideal de vida e não um meio de vida. Propos-se a um trabalho de aperfeiçoamento e especialização de profissionais da área do Direito (Advogados, Juízes, Membros do Ministério Público, Procuradores, etc.) notadamente aqueles cuja atuação é voltada ao Magistério do Direito, com a intenção de transformar-se num centro de excelência em Pós-Graduação lato sensu.

A existência do Instituto de Direito Romeu Felipe Bacellar, que nasceu no dia 2 de junho de 2000 como um dos mais modernos e tecnologicamente sofisticados centros de ensino do Estado do Paraná, certamentecontribuiu para o fomento de novos talentos em todas as áreas de investigação do Direito, mormente na área do Direito Administrativo.

Neste contexto, um dos escopos primordiais da empreitada foi possibilitar aos estudiosos, inclusive àqueles oriundos das camadas mais humildes, mediante a concessão de bolsas de estudos, uma chance de dar sequência à irresistível vocação para a formação acadêmica e ao aperfeiçoamento profissional nos ramos do Direito Público. 

Bem se sabe que a construção de um centro de excelência é uma tarefa árdua, que demanda tempo, dedicação e persistência. Todavia, foi sempre este o espírito dos professores que integraram tanto a coordenação quanto o corpo docente. A busca pelo amadurecimento intelectual dos alunos foi realizada através da proximidade entre aluno e professor, mas sempre optando-se por um regime de grande seriedade e exigência.

Ademais, dentro do espírito de incentivo ao estudo do Direito, funcionaram no Instituto, Comissões de Estudo Temático, incumbidas de refletir questões pertinentes ao cenário jurídico atual e de relevante importância para toda a comunidade, delas participando nomes de destaque profissional e acadêmico em nosso Estado. 

Pelo auditório do Instituto – inaugurado com umaconferência magistral proferida pelo Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello – já desfilaram os mais consagrados juristas nacionais e estrangeiros, dos diversos Estados da federação brasileira e de países como Argentina(Guillermo Andrés Muñoz, Agustín Gordillo, Juan Carlos Cassagne, Irmgard Lepenies, Jorge Salomoni, Julio Rodolfo Comadira, Pascual Caiella, Roberto Dromi, Carlos Balbin, Justo Reyna, Eduardo Bordas, Pablo Gutiérrez Colantuono, Miriam Mabel Ivanega e Juan Gustavo Corvalán); Uruguai (Mariano Britto, Daniel Hugo Martinez, Juan Pablo Cajarville Peluffo, Augusto Durán Martinez, Carlos Delpiazzo, Felipe Rotondo e Pablo Schiavi); Paraguai (Luiz Enrique Chase Plate, Marco Aurélio Gustavo Maldonado e Miguel Angel PangracioCiancio); Venezuela (Allan Brewer-Carias e Victor Hernández-Mendible); Chile (Enrique Silva Cimma e Rolando Pantoja Bauzá); México (Jorge Fernandez Ruiz, Germán Cisneros e Jorge Abdo Francis); Peru (Gustavo Bacacorzo e Jorge Danós Ordoñéz); Bolívia (José Mario Serrate Paz); Colômbia (Consuelo Sarria, Libardo Rodriguez, Jorge Santofimio Gamboa, Luísa López García e Grenfith Sierra Cadena); Costa Rica (Enrique Rojas Franco e Ernesto Jinesta Lobo); Cuba (Andry Matilla Correa); El Salvador (Henry A. Mejía); Estados Unidos(Richard Albert), França (Jacqueline Morand-Deviller, Pierre Bourdon e Marie-Anne Cohendet), Espanha(Eduardo García de Enterría, Jesus González Pérez, José Luiz Meilán Gil, Luciano Parejo Alfonso e Jaime Rodríguez-Arana Muñoz); Itália (Sabino Cassesse), Portugal (Mario Aroso, Fausto de Quadros e Pitta e Cunha), entre tantos outros.

A principal frente de atuação do Instituto deu-se mediante a oferta, por mais de duas décadas, de Cursos de Especialização – Pós-Graduação lato sensu – nas áreas de Direito Processual Civil e Direito Administrativo. O primeiro, coordenado por Teresa Arruda Alvim, Eduardo Talamini e Paulo Osternack Amaral. O segundo, durante os primeiros dez anos, foi coordenado por Emerson Gabardo e Adriana Schier; nos dez anos seguintes, passou a ser coordenado por Daniel Hachem e Felipe Gussoli.

A Coordenação-Geral do Instituto foi desempenhada, nos primeiros 10 anos, pelo Professor Emerson Gabardo, a quem sou muito grato pelo trabalho de estruturação dos cursos, das coordenações, e, principalmente, pela organização a fim de atender a todas as exigências do Ministério da Educação para a obtenção de autorização para funcionar como instituição especialmente credenciada. Na primeira década de funcionamento do Instituto, o MEC emitia resolução que autorizava instituições que não eram Faculdades, Centros Universitários ou Universidades a receberem um credenciamento especial para a oferta e certificação autônomas de Cursos de Pós-Graduação lato sensu. Os requisitos para a obtenção da autorização eram rigorosíssimos. Logramos essa grande conquista de forma pioneira no Estado do Paraná, mercê do árduo trabalho dos Professores Emerson Gabardo e Adriana Schier (Direito Administrativo), de Teresa Celina de Arruda Alvim eEduardo Talamini (Processo Civil) e de toda a equipe. Alguns anos depois, o MEC revogou a resolução geral que permitia o credenciamento especial, passando a restringir a prerrogativa de concessão de certificados de Especialização às Faculdades, Centros Universitários e Universidades.

Em 2010, o cargo de Coordenador-Geral, que passou a ser exercido pela reconhecida jurista Professora Doutora Regina Maria Macedo Nery Ferrari, nos dez anos seguintes, a quem sou igualmente grato por suacontribuição e alentada dedicação.

A passagem pelo Instituto, da Professora Teresa Celina de Arruda Alvim, outorgou à Disciplina de Processo Civil, um requinte sem precedentes. Além de sua reconhecida capacidade como professora de direito e doutrinadora, suas relações internacionais contribuíram para a vinda ao Instituto de inúmeros doutrinadores de renome, da Itália e sobretudo, da Alemanha. 

Da mesma forma, Eduardo Talamini, que a sucedeu na Coordenação, também pelo respeito e prestígio que conquistou, deu continuidade ao magnífico trabalho até então desenvolvido. Expresso minha gratidão a ambos.

Não há como falar da história do Instituto Bacellar sem mencionar Adélia Berberi, nossa gerente administrativa que por tantos anos dedicou-se com afinco a essa instituição, vestindo a camisa e cativando alunos e professores com seu jeito paradoxalmente sisudo e carinhoso. E também, merece minha especial gratidão Isabelle Bacellar, minha filha, que administrando os setores financeiro e de marketing do Instituto sempre foi peça imprescindível para o êxito de todas as nossas empreitadas.

Permanecemos inertes durante toda a pandemia. Os custos que enfrentamos para manter a Instituição aberta, são inimagináveis. Nesta triste fase que todos nós vivenciamos, proliferaram, no Brasil, os Cursos não presenciais, alguns de discutível qualidade e cobrando mensalidades irrisórias. Na volta, lamentavelmente, a procura de vagas não foi a esperada, razão que me leva – após vinte e dois anos de fulgurante sucesso – a encerrar as atividades.

Agradeço a confiança de todos quantos nos prestigiaram, ao tempo em que conclamo os alunos que não retiraram seus certificados a fazê-lo, o mais urgente possível.

Romeu Felipe Bacellar Filho

Professor(a) e doutor(a), as nomenclaturas que se destacam na corrida eleitoral

Possivelmente para atrair eleitores, candidatos enaltecem ocupações que também deveriam ser prestigiadas ao final das eleições
 

Apesar do desprestígio e da desvalorização enfrentada por professores e pesquisadores atualmente no país em razão da política de sucateamento da ciência e da educação, setores que enfrentam os maiores cortes orçamentários deste governo, vem da própria classe política que inicia a corrida eleitoral um dado curioso: na lista do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formada por 28.632 pedidos de registro de candidaturas, os títulos mais usados por candidatos no nome de urnas para as eleições de 2022 são, justamente, ‘doutor’, ‘doutora’, ‘professor’ e ‘professora’.
 

Na análise realizada pela rede CNN, a designação mais usada pelos candidatos(as) – cerca de 4% ou 1.126 registros — é a de ‘doutor(a)’, seguido por ‘professor(a)’, com 1.108 indicações.
 

Para Soraya Smaili, coordenadora do centro Sou_Ciência, “o levantamento revela que mesmo diante de um cenário tão ruim para essas áreas no que se refere aos recursos necessários para garantir os respectivos desenvolvimentos, essas designações ainda permanecem coladas em valores como respeito, experiência e outras virtudes que o candidato tenta passar ao seu potencial eleitor”.
 

Na lista dos 10 termos mais recorrentes na apresentação dos(as) candidatos(as) também estão contemplados a designação enfermeiro(a), “também virtuosos, respeitados e valorizados pela sociedade em razão de todo o trabalho e atuação brilhante durante a pandemia”, diz Soraya.
 

Os termos ‘pastor(a)” e outros seis relacionados à segurança pública, como ‘sargento’, ‘coronel’, ‘delegado(a)’, ‘tenente’, ‘cabo’ e ‘capitão(ã) integram a lista dos 10 mais.
 

“É uma pena que o respeito e valorização de quem tanto faz para a educação, ciência e, inclusive para a saúde de nosso país, acontece apenas na hora de definir a nomenclatura para o período eleitoral sem, muitas vezes, ter a mesma valorização após a definição das urnas”, destaca Soraya Smaili.

Amanhã serei entrevistado sobre meu mais recente livro

Amanhã (quarta-feira dia 10), o advogado e Professor de Direito da UFPR, Sandro Lunard, recebe o autor do livro “Bolsonarismo: O Fascismo-Neoliberal Brasileiro do Século XXI” e também membro do Instituto Edésio Passos — Tarso Cabral Violin, advogado e professor.

O livro é fruto do seu pós-doutorado na USP e pode ser baixado gratuitamente no https://www.editorafi.org/ebook/534bolsonarismo.

É a partir das 19h nos canais do IED no YouTube e Facebook. Não perca!

Link direto aqui: https://www.youtube.com/watch?v=oteD-LpcTEQ

#DiálogosnoInstitutoEdésioPassos #direitodotrabalho #edesiopassos #institutoedesiopassos #trabalho

Assinei a Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito! Assine você também!

https://direito.usp.br/noticia/3f8d6ff58f38-carta-as-brasileiras-e-aos-brasileiros-em-defesa-do-estado-democratico-de-direito

É com grande honra que participei da assinatura da “Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito!”, organizado pelos professores de Direito da USP, junto com juristas, artistas e personalidades.

A Universidade de São Paulo foi onde meu pai foi professor e onde fiz meu Pós-Doutorado em Direito do Estado, e é uma das grandes universidades do planeta.

Leia a carta, veja quem a assinou e assine você também!

Clique aqui.

Advogado e professor lança livro aberto sobre Fascismo e Bolsonarismo fruto do seu pós-doutorado em Direito do Estado na USP

O advogado e professor universitário, Tarso Cabral Violin, acaba de lançar o livro “Bolsonarismo: o Fascismo-Neoliberal Brasileiro do Século XXI” pela Editora Fi, fruto do seu Pós-Doutorado em Direito do Estado pela USP, sob supervisão do Professor Titular Enrique Ricardo Lewandowski. É possível baixá-lo de graça ou encomendar o livro físico a preço de custo pelo link https://www.editorafi.org/ebook/534bolsonarismo.

Tarso é Advogado em Curitiba, com Pós-Doutorado em Direito do Estado pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco da Universidade de São Paulo (USP), sob Supervisão do Professor Titular Enrique Ricardo Lewandowski. Doutor em Estado, Economia e Políticas Públicas pela UFPR, com tese aprovada com louvor sobre a Democratização dos Meios de Comunicação, em banca com o Prof. Dr. Celso Antônio Bandeira de Mello. Mestre em Direito do Estado pela UFPR, com dissertação aprovada com nota máxima sobre as Parcerias entre Administração Pública e Terceiro Setor, sob orientação do Prof. Dr. Romeu Felipe Bacellar Filho. Vice-Coordenador do Núcleo de Pesquisa em Direito do Terceiro Setor e Políticas Públicas do Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal do Paraná. Professor Titular de Direito Administrativo, Direito Constitucional e Teoria Geral do Estado do Centro Universitário Campos de Andrade. Árbitro da Câmara de Arbitragem e Mediação da Federação das Indústrias do Paraná. Autor dos livros Bolsonarismo: o Fascismo-Neoliberal Brasileiro do Século XXI (2022), Democratização dos Meios de Comunicação: Estado, Direito e Políticas Públicas (2020), Terceiro Setor e as Parcerias com a Administração Pública: uma análise crítica (2006, com 2ª edição em 2010 e 3ª edição em 2015) e Gestão de Serviços Públicos (2016). Organizador e co-autor da obra Direito do Terceiro Setor: atualidades e perspectivas (2006). Associado Fundador do Instituto Edésio Passos, onde tem o programa na TV IED “Estado e Administração Pública em Debate”. Ex-Diretor Jurídico da Companhia de Informática do Paraná (Celepar). Especialista em Direito Administrativo pelo Instituto Brasileiro de Estudos Jurídicos (IBEJ). Graduado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, campus de Curitiba. Ex-Presidente do Centro Acadêmico Sobral Pinto (1996-97). Membro do Conselho Editorial da Revista de Direito do Terceiro Setor. Realizou palestras por todo o Brasil e no México. Já lecionou ou leciona na Pós-Graduação da Universidade Nacional Autônoma do México, Escola Superior da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Instituto de Direito Romeu Bacellar, Academia Brasileira de Direito Constitucional (AbdConst), UniCuritiba, UniBrasil, Universidade Positivo e Universidade do Contestado. Foi professor na Graduação em Direito da Universidade Positivo, Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Uniguaçu, Faculdade de Direito de Pinhais e Faculdade Curitibana de Direito da Universidade Paulista. Foi Coordenador da Pós-Graduação em Direito e Coordenador do Curso de Especialização em Direito do Terceiro Setor da Universidade Positivo. Associado fundador da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia. É membro do Instituto Paranaense de Direito Administrativo (IPDA) e do Instituto de Direito Administrativo Sancionador Brasileiro (IDASAN). Áreas de interesse: Direito Administrativo, Teoria do Estado, Direito Constitucional, Ciência Política, Direito Público, Direito do Terceiro Setor, Políticas Públicas, Administração Pública e Gestão Pública. 

Maria Sylvia Zanella Di Pietro vai conversar com o Tarso no dia 28

Maria Sylvia Zanella Di Pietro participará na quinta-feira, 28.07.2022, 19h, do programa “Estado e Administração Pública em Debate”, de Tarso Cabral Violin, pela TV do Instituto Edésio Passos (YouTube e Facebook), no programa especial “Grandes juristas do Direito Administrativo”.

Os temas a serem tratados são Terceirização na Administração Pública, Organizações Sociais, nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos e as recentes mudanças na Lei de Improbidade Administrativa.

Di Pietro é Professora de Direito Administrativo da USP, autora do livro Direito Administrativo, um dos melhores cursos na área do Brasil e a maior jurista do Direito Administrativo brasileiro.

Tarso é Advogado, Mestre e Doutor pela UFPR com Pós-Doutorado na USP, e Professor Titular de Direito Administrativo.

Links para o programa: http://www.youtube.com/c/InstitutoEdésioPassos ou https://www.facebook.com/InstitutoEdesioPassos/

Como as democracias morrem

Movimento Democracia Corinthiana nos anos 80

Hoje vou comentar sobre o livro “Como as democracias morrem” (LEVITSKY, Steven; ZIBLATT, Daniel. Como as democracias morrem. Rio de Janeiro: Zahar, 2018), dos dois professores da Universidade de  Harvard Steven Levitsky e Daniel Ziblatt. Os autores analisam a democracia e o autoritarismo nos Estados Unidos da América e em vários outros países, mostrando que a morte da democracia atualmente quase não se dá nas mãos de homens armados, como em golpes militares rápidos, como no Chile contra Allende, mas com líderes eleitos, com os regimes democráticos decaindo aos poucos, quase de forma imperceptível, como no Peru, Venezuela, Hungria ou Rússia.

As Constituições e outras instituições nominalmente continuam vigentes, as pessoas votam, os jornais existem e autocratas eleitos mantêm um verniz de democracia enquanto corroem a sua essência. Informam que os Estados Unidos da América estavam nesse caminho, quando da eleição de Donald Trump pelo Partido Republicano em 2016; e que isolar outsiders demagogos extremistas populares exige coragem política, o que não teve o Partido Republicano, por medo, oportunismo ou erro de cálculo, ao trazer um extremista como candidato presidencial, normalizando as eleições. Isso gerou um perigo para a democracia, quando os partidos políticos devem ser os guardiões dela, pois são a verdadeira proteção contra autoritários.

Entendem que para a identificação de políticos antidemocráticos, há quatro sinais de alerta como os que:

(a) rejeitam, em palavras ou ações, as regras do jogo democrático. Rejeitam a Constituição ou querem violá-la, aumento de número de magistrados na Corte Constitucional para domínio político, proibição de organizações, restrição de direitos civis/políticos básicos, golpes militares, restrição do direito de voto de minorias, protestos de massa destinados a forçar mudanças no governo, tentam silenciar figuras culturais e tentam minar a legitimidade das eleições;

(b) negam a legitimidade dos oponentes. Descrevem seus rivais como subversivos ou opostos à ordem constitucional, rivais são ameaças à segurança nacional ou modo de vida predominante, ou são criminosos ou agentes estrangeiros;

(c) toleram e encorajam a violência. Laços com gangues ou milícias, estimulam ataques a oponentes, e sem punição a apoiadores, e elogiam atos de violência do passado ou em outros países; e

(d) dão indicações de disposição para restringir liberdades civis de oponentes, inclusive a mídia. Apoiam leis que restrinjam protestos ou críticas, ameaças contra rivais e elogios a medidas repressivas no passado ou em outros lugares no mundo.

Levitsky e Ziblatt informam que nenhum candidato preencheu nenhum dos quatro critérios no último século, nem mesmo Richard Nixon, mas apenas Trump. Defendem que as salvaguardas constitucionais não são suficientes para garantir a democracia, mas sim as regras não escritas, informais, que são a tolerância mútua e a reserva institucional (evitar ações que violam o espírito das leis), e essas regras começaram a ser quebradas pelos republicanos, gerando a posterior eleição de Trump. Por fim, defendem uma frente única de democratas, da esquerda a centro-direita, para que barrem os inimigos da democracia, com políticas universalistas voltadas para a desigualdade econômica, evitando políticas que apenas beneficiem minorias, para evitar estigmas raciais e ressentimentos.

Esses autores escreveram o livro antes da derrota de Trump, em sua tentativa de reeleição em 2020, para o atual presidente estadunidense, Joe Biden, do Partido Democrata. Trump não reconheceu a derrota e tentou um golpe, que não foi consumado, mas gerou a invasão no Congresso e causando várias mortes.

Levitsky e Ziblatt ainda informam como foi a eleição e o governo de Alberto Fujimori no Peru. Ele não conseguiu que nenhum partido grande o indicasse, os peruanos se mostravam enojados com os partidos estabelecidos e não viam nele alguém íntimo das elites, tinha discurso populista que capitalizava esse ódio, na posse disse que o país enfrentava a mais profunda crise de sua história republicana, à beira do colapso, com corrupção e terrorismo, era outsider, só tinha uma vaga ideia do que fazer no governo, e contava com poucos amigos entre os caciques políticos. Eleito, descobriu que aqueles que havia atacado e derrotado ainda controlavam muitas alavancas do poder. Começou de forma turbulenta, com o Congresso não aprovando leis, preferia governar sozinho, a partir de seu laptop, optou por governar por decreto, xingando parlamentares e juízes e acabou dissolvendo o Congresso e virando um tirano.

Você vê alguma semelhança entre o que escreveram os autores sobre os EUA e o Peru, com o que ocorreu ou poderá ocorrer no Brasil? Favor comentar e até a próxima coluna!

Tarso Cabral Violin é advogado em Curitiba, escritor, professor universitário e mestre e doutor pela UFPR com pós-doutorado em Direito do Estado pela USP

Despedida a Paolo Grossi, por Ricardo Marcelo Fonseca

Como sempre acontece nesses casos, ontem pulularam os obituários nas redes sociais lamentando seu falecimento e registrando a sua imensa importância. E não há como contestar como o seu impacto e seu peso sejam gigantes na Itália, na Europa e na América Latina (no Brasil, creio que ainda muito aquém do que deveria).

Ontem, dia 4 de julho, em Florença, aos 89 anos, faleceu a personalidade que em tantos sentidos diferentes eu considero como a mais importante que conheci no mundo acadêmico, o mestre dos mestres, “maestro general”, como disse uma vez Bartolomé Clavero: Paolo Grossi.

Veja mais aqui no Plural.

Rodrigo Vianna lança livro em Curitiba dia 9 (sábado)

O jornalista consagrado Rodrigo Vianna lançará em Curitiba seu livro “De Lula a Bolsonaro”, da Kotter Editorial, a convite do Instituto Declatra, no dia 9 de julho (sábado), das 11h às 15h, no Restaurante Nina, na Rua Marechal Deodoro, 847, Centro.

Autor do livro “Como as democracias morrem” fala de graça em live às 17h

Cientista político e professor na Universidade de Harvard (EUA), Steven Levitsky é o convidado da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS) e da Fundação Fernando Henrique Cardoso (FFHC) para o webinar “Como as democracias morrem: os desafios do presente”. O evento online e gratuito será hoje, 30 de junho, às 17h.

Levitsky é um dos principais nomes da atualidade em estudos sobre as democracias. É autor de diversos livros, dentre os quais o best-seller “Como as democracias morrem”, em coautoria com Daniel Ziblatt, seu colega em Harvard. Os dois também estão trabalhando em um livro sobre a ascensão da democracia multirracial nos Estados Unidos e a reação de grupos de direita.

No bate-papo com Mônica Sodré, diretora executiva da RAPS, e Sergio Fausto, diretor geral da Fundação FHC, Levitsky deve tratar do contexto da democracia nos EUA, do que está em jogo na guerra de Rússia contra Ucrânia na Europa e do impacto da eleição presidencial no Brasil para a nossa democracia e para a América Latina.

SERVIÇO

Webinar “Como as democracias morrem: os desafios do presente”

Com Steven Levitsky

Quinta-feira, 30 de junho

Às 17h

Link direto: https://youtu.be/oa-i-8fbfag

Escreva seu nome no livro antifascismo e sobre o Bolsonarismo

Atualizado dia 23 de junho: obrigado a todxs! Em dois dias atingimos o objetivo do patrocínio da versão digital do meu livro “Bolsonarismo: o Fascismo-Neoliberal Brasileiro do Século XXI“, que será digital e aberto. Agora, o que for arrecadado até 1º de julho será para a distribuição de livros físicos para as bibliotecas.

Contribua com algum valor pelo pix tarsocv@gmail.com

Diário de Motocicleta: Curitiba até Treze Tílias

No último final de semana fui com a minha motocicleta Triumph Bonneville T100 Black de Curitiba, no Paraná, até a linda Treze Tílias, em Santa Catarina, uma cidade de colonização austríaca mas com traços italianos e alemães.

Saí de Curitiba, passando por Palmeira e União da Vitória, e voltei por Vinhedo, Fraiburgo e Mafra, com estradas não-pedagiadas ruins e pedagiadas boas.

Vale o passeio, pois Treze Tílias tem ótimos pontos turísticos e lugares para beber e comer. Em especial recomendo o Museu Andreas Thaler, o Parque Linderdorf, a Cervejaria Bierbaum anexa ao Restaurante/Pizzaria Edelweiss e a Linha Pinhal até o Sítio do Nonno Cillo, entre outras atrações.

Fascista!

Foto por Ivan Samkov em Pexels.com

Ultimamente é comum ouvirmos como xingamento o termo “Fascista!”. Mas será que essa palavra representa qualquer um que seja autoritário ou mesmo de extrema-direita? Fascismo é um movimento político de massas não apenas conservador, mas também reacionário, irracional e contrário a todas as conquistas advindas dos ideais civilizatórios gregos e romanos antigos e das conquistas revolucionárias burguesas, do Iluminismo, do Renascimento, da modernidade, do liberalismo político, do constitucionalismo, da Democracia liberal e da social, da República, do Estado de Bem-Estar Social, do Estado de Direito, aos direitos fundamentais individuais e sociais e direitos humanos, aos ideais de igualdade e liberdade substanciais e à fraternidade. Surgiu na Itália pós-primeira guerra mundial, sob a liderança de Mussolini, alastrado para a Alemanha nazista de Hitler e vários países europeus e pelo mundo, inclusive com influência no Brasil no período entreguerras até a atualidade. Essa ideologia defende o autoritarismo ditatorial e totalitário, a manutenção do status quo (sendo uma ideologia que nunca será evolucionária-reformista e muito menos revolucionária), o extermínio de seus opositores e dos diferentes (pois é contra a diversidade), a violência, o povo armado, as milícias, o militarismo, o tradicionalismo (com a visão de um passado mítico patriarcal com conquistas lideradas por generais patriotas e guerreiros leais e escolha seletiva do passado e abrandamento de eventos históricos negativos), o culto da ação sem reflexão ou crítica, uma nação de privilegiados, com as maiorias esmagando as minorias inimigas da nação (desdém pelas minorias políticas como os pobres, mulheres, negros, indígenas, público LGBT, deficientes, imigrantes e refugiados, defensores de ideologias de esquerda e centro-esquerda ou pessoas com pensamentos religiosos diferentes dos seus), o fim de instituições intermediárias sem a divisão de poderes entre os três Poderes harmônicos e independentes ou com os demais órgãos de controle (tribunais de contas e ministério público), ou com os estados/províncias/municípios, partidos políticos, oposição, sociedade civil organizada (ONGs, OSCs, conselhos populares, terceiro setor, etc.), a burocracia profissionalizada, a imprensa livre e os sindicatos de trabalhadores (ou que essas instituições sejam subservientes aos interesses do fascismo), o apoio acrítico ao líder/chefe que representa os anseios do povo sem esses intermediários, o “salvador da pátria” acima das instituições, um Estado integral sem diversidade (contra o diálogo ou discordâncias que nos fazem crescer); a criminalização da política e dos políticos, que o bom é a “pureza” do rural (contra o cosmopolitismo urbano), o fundamentalismo religioso e a teocracia (contra o Estado laico), entre outros equívocos não civilizatórios. Mas note-se que há graus diferentes de fascismo, sendo que nem todos os regimes e movimentos fascistas contém todas essas características.

Regimes de Governo fascistas podem assumir o poder por meio de golpes ou de eleições, e caminhar para um Estado fascista com maior ou menor velocidade, dependendo do desenvolvimento institucional de cada sociedade. É comum que num primeiro momento a burguesia defenda o fascismo, para posteriormente se arrepender com os estragos gerados por governos fascistas, assim como ocorre também com as massas. O fascismo é um movimento de massas (e não de classes, portanto, sem consciência de classe, sem busca por um interesse comum), massas analfabetas políticas, desiludidas, desesperançosas com a humanidade, com medo, “contra tudo o que está aí”, supostamente “neutras” ideologicamente, reprimidas socialmente, sexualmente, politicamente e economicamente (são contrárias às explorações do capitalismo liberal, do qual são vítimas, e no início defendem essa ideologia ainda mais perversa contra os trabalhadores, o interesse público e os direitos fundamentais) há décadas ou séculos, vindas de famílias autoritárias e sedentas por uma autoridade, humilhados por quem tem mais poder financeiro, político, intelectual ou de sedução (com ansiedade sexual com receio de que os diferentes contaminem sua nação), inclusive em setores mais privilegiados, mas com receio de perderem poder para pobres, mulheres, negros e indígenas, gays, deficientes, adversários políticos e pessoas com religiões diferentes das suas (assustados pela pressão de grupos sociais subalternos), com a fé numa religião, numa Igreja ou qualquer forma de misticismo, ou na figura de um salvador da pátria; massas apáticas e muitas vezes hostis à vida pública, geradas pela sociedade competitiva de consumo, sensíveis às cores da bandeira mas insensíveis nas questões sociais, o que leva essas massas, muitas vezes de forma inconsciente, a serem ou defenderem posições cruéis, sádicas, sanguinárias e invejosas, contra qualquer ideia de fraternidade com o próximo e com o diferente, contra qualquer ideia de abrir mão de algo fora de seu umbigo, da sua família próxima ou de seu grupo de iguais (mesma cor, religião, etc.), contra a arte, a cultura e a ciência, contra uma educação emancipadora, encarando a vida de maneira mística, irracional e mecanicista.

Muito mais do que uma força radical de extrema-direita contra um radicalismo revolucionário de esquerda, na prática o fascismo surge com mais força em sociedades sem uma esquerda revolucionária forte e com uma centro-esquerda reformista enfraquecida por crises econômicas ou políticas e sociedades com conquistas civilizatórias em baixa. As estratégias fascistas para difundir seu ideário e chegar ao poder são a utilização das liberdades democráticas com o intuito de exterminá-las; apelo às frustrações de uma sociedade despolitizada e com medo; propaganda que oculta seus objetivos problemáticos; falsas acusações de corrupção enquanto se envolvem em práticas corruptas, com a aplicação da lei e da ordem contra seus adversários mas abrandamento com seus iguais (moralismo hipócrita em grau máximo); a comunicação por meio de textos pobres sem a necessidade da imprensa; o discurso da defesa da liberdade, mas com liberdade apenas para os fascistas e não para seus opositores e minorias; o anti-intelectualismo com ataques às universidades, aos artistas e à ciência, ou tentativa do uso de pseudointelectuais para difundir o ideário fascista nesses meios; colocar em dúvida a realidade com mentiras, fake news e substituindo a realidade por medo e raiva, o que leva até as vítimas do fascismo e do neoliberalismo a apoiarem esses ideais, pelo menos em um primeiro momento; a defesa da hierarquia e domínio das maiorias privilegiadas sobre as minorias, como se isso fosse uma lei natural ou divina; vitimização contra salvaguardas mínimas, o que chamam de discriminação; política de ansiedade sexual em defesa da masculinidade tradicional e contra qualquer tipo de ameaça, seja a ameaça do negro, do homossexual, do mais inteligente e culto, do judeu mais rico, etc.; o armamento de seus defensores; a limitação do poder da Suprema Corte do país (se essa não decide conforme seus interesses); golpes militares; guerras contra nações inimigas, ataques aos artistas e à ciência, desrespeito a resultados eleitorais contrários, punitivismo contra inimigos-diferentes e proteção aos amigos-iguais.

Os fascistas no poder atacam a coletivização dos meios de produção e defendem um capitalismo radical nos moldes do neoliberalismo, independentemente do discurso que os levaram a esse poder, com a defesa do Estado mínimo na prestação de serviços públicos, nos gastos sociais (apenas com assistencialismo, sem redução de desigualdades e sem garantia de liberdades reais), na interferência do Estado sobre a economia e na relação de exploração entre patrão e empregado, com privatizações (nacionalismo entreguista e colonizado), redução dos direitos trabalhistas e dos servidores públicos da base, desmonopolizações, desregulamentações, redução de impostos para ricos e grandes fortunas, fim de serviços públicos gratuitos como educação e saúde, etc.; e Estado máximo, forte e policial (por meio do aparato policial, forças armadas e milícia paramilitar para limitação, extermínio ou prisão de seus inimigos), na manutenção do status quo, da ordem, da propriedade privada, dos privilégios de uma elite financeira ou burocrática, no extermínio de seus opositores, como sindicatos de trabalhadores, movimentos sociais e políticos de esquerda, centro-esquerda e até de centro-direita democráticos e as minorias políticas; na garantia de lucro e do equilíbrio do sistema financeiro e do grande capital; e na defesa da meritocracia mesmo em sociedades desiguais, do individualismo concorrencial do “cada um por si”, e no discurso de quem trabalha não pode sustentar “vagabundos”, com um igualamento entre o fascismo e o neoliberalismo. Podem existir indivíduos fascistas, grupos ou partidos fascistas, governos fascistas, cidades fascistas e Estados fascistas. O Brasil já contou com um movimento fascista forte nos anos 1930, com o Integralismo, e com um movimento neoliberal forte desde os anos 1990 no Século XX. E qual a sua opinião? Hoje, o Brasil vive o perigo do fascismo?

Tarso Cabral Violin é advogado, escritor, professor universitário e mestre e doutor pela UFPR com pós-doutorado em Direito do Estado pela USP

Diário de Motocicleta: Curitiba até Passo Fundo

Colônia Wittmarsum em Palmeira

No último final de semana fiz uma bela viagem com a minha Triumph Bonneville T100 Black, uma ida e volta entre Curitiba no Paraná e Passo Fundo no Rio Grande do Sul.

Saí de Curitiba no sábado pela manhã e fui em direção a Palmeira, União da Vitória, passei rapidamente pelo interior de Santa Catarina, depois Erechim e cheguei em Passo Fundo. Em alguns trechos do PR e SC a estrada não é 100%, mas de dia é tranquilo. A divisa entre RS e SC é magnífica!

Voltei no domingo mesmo, mas pensei em voltar pela BR116 e Mafra. A 116 está perfeita, com pedágios, mas até chegar nela sofri bastante passando por estradas péssimas em SC. Depois descobri que talvez fosse melhor sair de Passo Fundo e pegar a BR116 em Vacaria, o que pegaria estradas melhores e a BR 116 mais cedo, o que valeria a pena, mesmo sendo um percurso mais longo.

E Passo Fundo adorei, valeu o passeio! Ótimos lugares para passear. Em especial por ser a terra do jornalista do Pasquim e da Folha, o Tarso de Castro, que inspirou meu nome.

Até o próximo Diário de Motocicleta.

Hoje Direito Eleitoral e Eleições 2022 no Instituto Edésio Passos

Luiz Fernando Pereira e Ana Carolina de Camargo Clève participarão na quinta-feira, 12.05.2022, 19h, do programa “Estado e Administração Pública em Debate”, de Tarso Cabral Violin, pela TV do Instituto Edésio Passos (YouTube e Facebook), sobre Direito Eleitoral e Eleições 2022. Pereira é advogado, mestre e doutor pela UFPR e um dos maiores juristas do direito eleitoral do país. Clève é advogada, professora universitária e Presidente do Instituto Paranaense de Direito Eleitoral – IPRADE. Tarso é Advogado, Pós-Doutorando (USP), Mestre e Doutor (UFPR) e Professor Titular de Direito Administrativo. Link para o programa: https://youtu.be/buCLfkLjHUc

Esquerda e direita

Por Tarso Cabral Violin

Quando você houve as palavras direita e esquerda na política, você sabe o que quer dizer? Na verdade, existem extrema-esquerda, esquerda, centro-esquerda, centro-direita, direita e extrema-direita, mas basicamente a esquerda luta por uma sociedade menos desigual, enquanto que a direita aceita uma sociedade mais desigual. Vou apenas pincelar algumas diferenças, recomendando, para quem quiser se aprofundar no tema, a leitura do livro “Direita e Esquerda: Razões e Significados de uma Distinção Política” do pensador italiano Norberto Bobbio, lembrando que existem também vários vídeos sobre o tema no Youtube. Na internet você também pode encontrar alguns testes para saber se você é de direita ou esquerda, se ainda não sabe, claro.

Na área econômica, a esquerda defende que o coletivo ou o Estado intervenham para garantir a não existência de monopólios e oligopólios privados, com políticas públicas para uma diminuição das desigualdades, uma vez que sociedades muito desiguais geram privilegiados versus explorados e um grupo pequeno de pessoas que, com o grande capital em suas mãos, garantem não apenas o poder econômico, mas também o poder político, o que gera ditaduras ou democracias frágeis A esquerda também prioriza pequenas e microempresas e mais direitos dos trabalhadores e a maior defesa possível do meio ambiente equilibrado. A direita defende o neoliberalismo, o Estado mínimo, o capitalismo liberal (e não o capitalismo social) e a mínima intervenção do Estado na economia, com a ideia de que os mais fortes, eficientes, esforçados e com mais méritos merecem as coisas boas da vida, enquanto os mais fracos, ineficientes, pouco esforçados e com menos méritos não podem ser beneficiados pelo Estado com políticas e defende as privatizações e concessões de serviços públicos radicais. A direita também é contra os direitos trabalhistas e sindicatos de trabalhadores e contra que o Estado proteja muito o meio ambiente, se isso atrapalhar a economia.

Na área social, a mesma coisa, a esquerda defende que o Estado ou o coletivo proteja a todos a todas, com tributos com percentuais mais altos para os ricos (impostos progressivos e para grandes fortunas), com programas sociais para a redução das desigualdades sociais, com educação e saúde gratuita e de qualidade para todos e todas, com o filho do rico nos mesmos hospitais, escolas e universidades dos pobres, com a ideia de que os interesses coletivos são mais importantes do que individualismos egoístas. A direita é contra muito dinheiro público investido em programas sociais, é contra programas sociais assistenciais para os mais pobres, sendo que apenas alguns direitistas aceitam ajuda estatal apenas para miseráveis, defendendo mais que haja assistencialismo por parte da iniciativa privada (empresas e terceiro setor), e defende o imposto único, com pobres e ricos pagando o mesmo percentual sem que haja distribuição de renda.

A esquerda é progressista, no sentido de defender mudanças e o progresso da sociedade, por meio de revoluções ou reformas, sendo que a direita é mais conservadora e tradicionalista, ou seja, não aceita mudanças mais rápidas na sociedade, e às vezes é até reacionária, pretendendo o retorno ao passado, defendendo a intervenção do Estado em direitos fundamentais individuais ligados a questões morais e religiosas.

A esquerda defende mais as minorias políticas como as mulheres, os negros, os pobres, os LGBTs, os indígenas, os deficientes, no sentido de que devem existir políticas públicas para garantir que essas minorias deixem de ser exploradas e discriminadas, e que tenham direito de serem ouvidas e protegidas, enquanto que a direita defende o direito das maiorias e que as minorias não precisam ser protegidas.

Feitas essas diferenciações, existem as esquerdas e direitas mais e menos radicais. Tanto a centro-esquerda quanto a centro-direita são democráticas e ambas defendem o liberalismo político e social (mínima intervenção do Estado nos direitos fundamentais individuais e questões morais), defendem o Estado laico, mas a centro-esquerda defende a liberdade e a igualdade substanciais (de fato), e que a propriedade deve cumprir sua função social (uma Democracia social e substancial), enquanto que a centro-direita apenas a liberdade e a igualdade formais, perante a lei, e defende mínima intervenção do Estado na propriedade (uma Democracia liberal).

A esquerda é mais revolucionária, defende a coletivização dos meios de produção, é socialista contra o capitalismo, e faz uma oposição mais radical ao poder fundado, emancipação e libertação contra privilégios de classe, raça, etc., enquanto a centro-esquerda defende o Estado de Bem-Estar Social, evoluções por meio de reformas, aceita algumas privatizações, concessões de serviços públicos e o capitalismo social, é social-democrata e faz uma oposição menos radical ao poder fundado, emancipação e libertação contra privilégios de classe, raça, etc.

A centro-direita e a direita são neoliberais, defendem o Estado mínimo, mas enquanto a centro-direita é mais liberal política e defende o Estado laico, a direita é mais conservadora, e a extrema-direita é reacionária e defende que a Igreja se misture com o Estado e a religião com a política (contra o Estado laico e defende o Estado teocrático), o povo armado, que o inimigo deve ser exterminado, contra a razão, a ciência e o Iluminismo e ódio aos imigrantes, à política e aos políticos, sendo que quanto mais a direita, mais existe a defesa do autoritarismo, estando na extrema-direita o fascismo italiano de Mussolini e o nazismo alemão racista de Hitler.

Existe extrema-esquerda anarquista (ausência de Estado), comunista (ausência de Estado e sociedade sem classes, mas antes passando pelo socialismo revolucionário) e o stalinismo (de Stalin, contra os ideais de Lenin e Trotsky, com a defesa de um Estado totalitário).

Exemplos de partidos políticos de esquerda são o PCB, o PCO e o PSOL, de centro-esquerda são o PT, o PCdoB, o PDT e o PSB, de centro-direita o PSDB, o PMDB e o PSD, de direita o União Brasil e o Novo e extrema-direita o PSL, o PSC e o PL. Lula e Ciro Gomes são de centro-esquerda, Doria é de centro-direita e Jair Bolsonaro de extrema-direita. Obama é de centro-esquerda, os Clinton e Biden de centro-direita, os Bush e Reagan de direita e Trump de extrema-direita, sendo que no Partido Democrata nos EUA existem pessoas de esquerda, centro-esquerda e de centro-direita, enquanto que no partido Republicano existem pessoas de centro-direita, direita e extrema-direita. O Papa Bento XVI é de direita e o Papa Francisco é de esquerda.

De forma rápida e didática tentei fazer a diferenciação dos termos, mas claro que para cada palavra dita aqui é possível o debate por estudiosos da ciência política, Direito, sociologia, filosofia, história, etc. Um abraço para todos e todas!

Tarso Cabral Violin é advogado, escritor, professor universitário e mestre e doutor pela UFPR com pós-doutorado em Direito do Estado pela USP

Dois mil curitibanos gritaram Fora Bolsonaro em show do Emicida

Emicida em Curitiba. Foto de Tarso Cabral Violin

Dois mil curitibanos gritaram Fora Bolsonaro em show do Emicida no Teatro Guaíra lotado em Curitiba, durante o Festival de Teatro de Curitiba, em 07.04.2022.

Depois o artista disse que para mais de 600 mil mortes pelo COVID alguém que responde que não é coveiro não pode ser considerado gente, muito menos presidente.

Veja aqui:

https://www.instagram.com/reel/CcEtxqUA4RI/?igshid=YmMyMTA2M2Y=