O mundo se abriu para o novo milênio dominado por certezas que hoje se desmancham sob a ação demolidora da crise financeira. A ideologia neoliberal, quase sem resistências, tentou demonstrar que, com a queda do Muro de Berlim, o espaço político e econômico tornou-se mais homogêneo, menos conflitivo, com a concordância a respeito das tendências da economia e das sociedades. Não há mais razão, diziam, para se colocar em discussão questões anacrônicas, como a reprodução das desigualdades ou as tendências dos mercados a sair dos trilhos, frequentemente destrambelhados pelos excessos nascidos de suas engrenagens. Continuar lendo →
Não basta um manifesto nas redes sociais para mobilizar as pessoas
Sociólogo diz que alcance real dos protestos depende das condições de quem os lê
ROBERTO DIAS SECRETÁRIO-ASSISTENTE DE REDAÇÃO
O franquismo dominava a cena espanhola quando um estudante de 18 anos decidiu entrar nos cinemas de Barcelona para alterar seu enredo.
Escolheu salas na periferia, aproveitou a escuridão para deixar folhetos de protesto nas cadeiras e terminou a noite com uma sensação: “As palavras que eu havia transmitido poderiam mudar algumas mentes que acabariam por mudar o mundo”.
O objetivo principal não foi alcançado, e a ditadura espanhola perdurou até os anos 1970. Décadas mais tarde, ao descrever seu ato, Manuel Castells concluiu que ignorava coisas importantes da comunicação. “Não sabia que a mensagem só é eficaz se o destinatário estiver disposto a recebê-la e se for possível identificar o mensageiro e ele for de confiança”, escreveu.
O jovem revolucionário acabou exilado em Paris, onde deu início a uma trajetória que fez dele um dos mais destacados sociólogos do mundo. Famoso por estudar sobre poder das redes e o impacto social da informação, Castells diz, em entrevista por e-mail, que o Facebook sozinho não é capaz de mudar a história. Continuar lendo →
Na Gazeta do Povo de sábado (01/06/2013), por KATIA BREMBATTI
Governo ameaça suspender concessão das BRs 376 e 101
Auditoria revela que a Autopista Litoral Sul investiu só 20% do previsto no trecho entre Curitiba e Florianópolis. Outras duas concessionárias serão investigadas no Paraná
O governo federal ameaça romper o contrato de concessão com a Autopista Litoral Sul, que administra o trecho das BRs 376 e 101, na ligação entre Curitiba a Florianópolis. De acordo com uma auditoria, a empresa fez apenas 20% dos investimentos previstos em contrato, deixando de lado obras importantes, como o contorno da capital catarinense, que somam R$ 690 milhões. Como há sinais de que houve falha na fiscalização feita pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o Ministério dos Transportes decidiu investigar também os contratos de outras cinco concessionárias, duas delas com operações no Paraná – a Autopista Régis Bittencourt e a Autopista Planalto Sul, que gerenciam a BR-116 no estado. Continuar lendo →
Na Gazeta do Povo de sábado (01.06.2013), por DIEGO ANTONELLI
Uma utopia socialista à beira do Ivaí
Precursora do cooperativismo no país, a “solidária” colônia Tereza Cristina, nos Campos Gerais, foi um sonho que durou 11 anos
Ao embarcar no navio Fides, na Antuérpia (Bélgica) em dezembro de 1846, Jean-Maurice Faivre viu seu sonho de construir uma sociedade igualitária, nos moldes do socialismo, ganhar contornos de realidade. Ao lado de 63 franceses, encarou 52 dias de viagem até chegar ao Porto de Antonina, no Litoral do Paraná. O grupo subiu toda a Serra do Mar – a pé e a cavalo. Passou por Ponta Grossa abrindo caminho pela densa floresta da região. Continuar lendo →
O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), realizou na última sexta-feira (31) um ato comemorativo por causa do fim da praça de pedágio de Farroupilha, conforme sua promessa de eleição. Na quarta-feira (29) o Tribunal Regional Federal da 4ª Região – TRF4 anulou liminares que garantiam às concessionárias Sulvias e Convias a administração dos pólos dos pedágios de Caxias do Sul (quatro praças de pedágio) e Lajeado (seis praças).
Das dez praças de pedágio, cinco existem em BRs e vão permanecer com as cancelas erguidas.
A estação em rodovia estadual de Farroupilha será exterminada e outras quatro praças serão administradas pela Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), uma empresa estatal que vai baixar de R$ 7,00 para R$ 5,20 a tarifa cobrada para automóveis.
Tarso Genro disse que o fim do pedágio de Farroupilha vai injetar R$ 52 milhões na economia local, que seu ato se insere em contexto de luta contra privatizações no país, e que na Europa, as privatizações levaram à crise.
Enquanto isso no Paraná o governador Beto Richa (PSDB) mantém as tarifas indecorosas do pedágio e ainda pensa em prorrogar o contrato com as concessionárias.
Por favor 2014, chega logo!
Tarso Genro levanta cancela e acaba com privatização
Durante o 53º Congresso da UNE, que ocorre entre os dias 30 de maio e 02 de junho em Goiânia/GO, foi criada a “Comenda Honestino Guimarães” destinada a homenagear quem contribui para a causa dos jovens e do movimento estudantil. A primeira comenda foi entregue ontem ao advogado e Secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão.
Honestino Monteiro Guimarães foi um líder do movimento estudantil, foi presidente da UNE, preso e assassinado pela ditadura militar em 1973.
Paulo Abrão, durante discurso na ONU
Veja os vídeos dos dois primeiros dias do Congresso da UNE:
Em 1993, como deputado estadual, Dr. Rosinha articulou a aprovação por unanimidade, na Assembleia, de um relatório contra a privatização da Ultrafértil; luta antineoliberal reuniu ainda Requião, Lula, sindicalistas, movimento estudantil, partidos, dentre outras lideranças; foi um dos maiores movimento de resistência à privatização no país. (Foto: reprodução/site Dr. Rosinha).
A Petrobras bateu o martelo e comprou da Vale a Ultrafértil, unidade de produção de nitrogenados localizada em Araucária (PR), região metropolitana de Curitiba, por US$ 239 milhões.A informação veio há pouco a este blogueiro pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Petroquímicas do Estado do Paraná (Sindiquímica-PR). A entidade sindical prepara um ato político para comemorar a “reestatização” da empresa pelo governo Dilma.
A empresa de fertilizantes, cuja capacidade anual de 700 mil toneladas de ureia e de 475 mil toneladas de amônia, fora privatizada em 23 de junho de 1993 no então governo de Itamar Franco pela bagatela de US$ 207 milhões.
A própria Comissão de Desestatização dizia que a Ultrafértil valia US$ 426 milhões. Os trabalhadores afirmavam que o custo de instalação da fábrica era de US$ 1,2 bilhão.
Trabalhadores e as forças vivas paranaenses de antanho chegaram depositar fé no então recém-nomeado ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, para barrar a privatização. Não sabíamos nós que o tucano comandaria mais adiante o maior crime lesa-pátria com a privataria das demais estatais (vide registro no livro de Amaury Ribeiro Jr).
Na condição de líder estudantil, em 1993, estive presente na ocupação da Ultrafértil contra a privatização.
Na época, Roberto Requião (PMDB), governador do Paraná, uniu-se à luta contra a privatização. Alegava ser a companhia estratégia à economia e à Nação.
Luiz Inácio Lula da Silva, 9 anos antes de se eleger presidente da República, esteve em Araucária para se solidarizar aos trabalhadores.
O jornalista e blogueiro Luís Nassif, em comentário na televisão, afirmava com veemência que a privatização da Ultrafértil em si — e em geral — era um péssimo negócio para os contribuintes.
Atualmente, segundo o Sindiquímica, a Ultrafértil opera com 430 trabalhadores diretos e 350 terceirizados.
Relembre a histórica luta contra a privatização da Ultrafértil; assista ao vídeo: