Veja os vídeos antigos sobre as eleições em Curitiba do Blog do José Wille

Notícia da RPC/Globo  sobre a eleição para prefeito de Curitiba, com Lerner, Requião, Edésio Passos e Paulo Pimentel. Requião venceu a eleição:

Nesta a notícia alfineta o PT de Edésio Passos, dizendo que o 13 é o número do azar:

Campanha para prefeito e vereadores do PT em 1988, com o candidato a prefeito Claus Germer (seu vice era o atual Ministro Gilberto Carvalho), Doutor Rosinha, Zélia Passos, Angelo Vanhoni, Stica, entre outros:

Debate para prefeito de Curitiba em 1992 com Rafael Greca, Doutor Rosinha e Mauricio Fruet:

Alvaro Dias pede votos para Carlos Simões (vice Flavio Arns), então no PSDB, para prefeito de Curitiba em 1996:

Mais vídeos no www.blogjws.com.br

 

Ministra Rosa Weber do STF é a única advinda da magistratura que não foi corporativa sobre o CNJ

A Decisão do STF pela manutenção dos poderes do CNJ mostrou o quanto os juízes também são corporativos. De todos os ministros advindos da magistratura, apenas Rosa Weber, recém empossada, votou contra a limitação de poderes do CNJ.

Ricardo Lewandowski, Cezar Peluso, Marco Aurélio Mello e Luiz Fux, que já eram magistrados antes de adentrarem ao STF, votaram pela limitação de poderes do CNJ, junto com  Celso de Mello.

Parabéns Ministra!

Primeira-Dama Fernanda nega que esteja se separando de Beto Richa

Facebook de Fernanda Richa

O Blog do Tarso, definitivamente, não é uma coluna social que mostra as bobagens que a elite financeira faz em seus momentos de lazer.  Mas como a notícia trata do Governador do Estado do Paraná, Beto Richa (PSDB), e da primeira dama, Fernanda Richa, que ocupa cargo público de Secretária da Família e do Desenvolvimento Social no governo do marido, a notícia é importante.

Fernanda Richa acaba de negar no Facebook que está se separando de Beto Richa, conforme foto acima capturada do Facebook da primeira dama, do meu celular.

Independentemente de como esteja o relacionamento entre os dois, espero que os programas sociais do Paraná não sejam prejudicados.

Na Boca Maldita o assunto já se espalhou e o que se questiona é o seguinte: “Será que uma possível separação seria para evitar o nepotismo?”

Que tal limpar o PP do governo federal?

Líder do PP e ex-colaborador tucano é o novo ministro das Cidades

Do Carta Maior

Desestabilizado por colegas de partido insatisfeitos que alimentaram denúncias da imprensa, Mário Negromonte deixa o cargo. Substituto também é do PP, o deputado federal de primeiro mandato Aguinaldo Ribeiro, líder da bancada. Na Paraíba, novo ministro foi líder de bloco com PSDB e secretário do governador tucano cassado Cássio Cunha Lima.

Da Redação

Brasília – O deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PB), líder do PP, quinto maior partido da Câmara, é o novo ministro das Cidades. Sugerido pelo partido e aceito pela presidenta Dilma Rousseff, ele vai substituir Mário Negromonte, também do PP, que desde o ano passado já não contava com respaldo dos colegas e vinha sendo desestabilizado por eles, por meio de denúncias da imprensa.

A queda de Negromonte foi precipitada por ele mesmo nesta quinta-feira (2), com uma carta de demissão dirigida à presidenta Dilma Rousseff que o ministro permitiu que chegasse primeiro a um jornalista. Uma fonte do Palácio do Planalto disse à reportagem que Dilma ficou irritada com o gesto de Negromonte, que acionou primeiro a imprensa, mesmo nos bastidores, antes de falar com a chefe.

Na carta, mais tarde colocada na página eletrônica do ministério, Negromonte diz abertamente ter sido alvo de “fogo amigo”.

“Enfrentamos ataques constantes, promovidos por interessados em desestabilizar nossa permanência no ministério das Cidades, que notoriamente desperta muito interesse pela importância dessa Pasta”, afirma a carta. “Nessa verdadeira guerra pelo poder, parte da mídia reproduziu denúncias vazias, de forma agressiva a insistente.”

Depois de receber a carta, Dilma mandou assessores divulgarem uma nota. “A Presidenta da República agradece os serviços por ele prestados ao país à frente da pasta e lhe deseja boa sorte em seus novos projetos. Para substituí-lo, a Presidenta convidou o deputado Aguinaldo Ribeiro.”

Administrador, Ribeiro é deputado federal de primeiro mandato. Antes, teve três passagens pela Assemblaia Legislativa da Paraíba, estado em que atuou em um governo do PSDB, do hoje senador Cássio Cunha Lima, que não terminou o segundo mandato por ter sido cassado por abuso de poder.

Entre 2005 e 2006, primeira gestão de Cunha Lima, Ribeiro foi líder de um bloco parlamentar que inlcuía o PSDB. Em 2008, na segunda gestão, foi secretário de Ciência e Tecnologia do tucano.

O presidente nacional do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), disse ter aprovado a indicação de Dilma. “[Ribeiro] É um representante qualificado do PP no ministério”, afirmou.

Senador Requião desce a borduna em Beto Richa. Veja vídeo.

Dessa vez Requião não chamou Beto Richa de piá-de-prédio

O senador Roberto Requião (PMDB) proferiu nesta sexta-feira seu primeiro discurso do ano no plenário do Senado e acusou Beto Richa de estar implantando uma “política de privatizações” no Paraná. Para Requião a gestão tucana estariam retomando o processo de privatização das empresas públicas do estado, “desidratando a estrutura estatal”. Segundo ele “Governar não é privatizar, terceirizar, repassando a empresas privadas responsabilidades tão específicas do estado como a educação, a saúde e o saneamento básico”. Requião disse que ao mesmo tempo em que Beto Richa reduz o investimento no setor público, o governador paranaense aumentou os gastos com propaganda institucional. Para ele “Choque de gestão é isso: muito mais dinheiro em propaganda para que a opinião pública fique chamando o governador de lindo, maravilhoso”. O peemedebista disse que o tucano nada fez em um ano de gestão, a não ser inaugurar obras deixadas por ele [Requião] e retirar placas de governadores anteriores. O senador também disse que os deputados estaduais são “aduladores” do rei.

Vídeo completo:

Uma Lei de Mobilidade Urbana: finalmente! – Emerson Gabardo e Iggor Gomes Rocha

Gazeta do Povo de sexta-feira

A política de mobilidade urbana tem como objetivo contribuir para o acesso universal à cidade, por meio do planejamento e gestão do sistema

Sem o alarde que costuma acompanhar a promulgação de leis polêmicas, em 4 de janeiro deste ano foi publicada no Diário Oficial da União a Lei Federal n.º 12.587/2012. Após mais de 15 anos de tramitação de seu projeto, a lei veio, finalmente, estabelecer a Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), um conjunto de medidas direcionadas ao melhoramento do espaço urbano e do trânsito de veículos e pessoas nas grandes cidades brasileiras. Demanda antiga de setores da sociedade civil, a lei foca o incentivo ao uso dos meios coletivos de transporte e de veículos não motorizados, e na busca por outras soluções para o caótico trânsito das grandes cidades.

Essa política de mobilidade urbana tem como objetivo contribuir para o acesso universal à cidade, por meio do planejamento e gestão do sistema, definido pela própria lei como o conjunto organizado e coordenado dos meios, serviços e infraestruturas, que garanta os deslocamentos de pessoas e bens na cidade.

Para se entender bem do que se trata a tal PNMU, deve-se ler com atenção especial os dispositivos iniciais da referida lei, nos quais são colocadas diretrizes e princípios informadores de tal programa, dentre os quais merecem destaque a equidade no acesso dos cidadãos ao transporte público coletivo, eficiência na prestação de tais serviços, transparência e participação social no planejamento, controle e avaliação da proposta de mobilidade urbana, integração com as políticas de uso do solo e de desenvolvimento urbano, e a complementaridade entre os meios de mobilidade e os serviços de transporte.

A lei disciplina uma série de atribuições a todas as esferas do governo. A União passa a ter a competência para o fomento da implantação de projetos de transporte público coletivo de grande e média capacidade nas aglomerações urbanas e nas regiões metropolitanas. Por outro lado, é dever do Estado propor planejamento tributário específico, além de propiciar a existência de incentivos para a implantação da política de mobilidade urbana. E é obrigação do município planejar, executar e avaliar o modelo, bem como promover a regulamentação dos serviços de transportes. Portanto, a concretização das diretrizes postas na lei dependerá da cooperação das esferas de governo, cada qual com suas atribuições. Nesses termos, será imprescindível o engajamento político de todos os entes federativos para que não se tenha apenas mais uma lei que impressiona pelo teor, mas que pouco consegue solucionar problemas concretos.

Caberá aos poder público municipal regulamentar a lei e adequá-la à realidade de cada cidade. Deverá o gestor local instituir o Plano de Mobilidade Urbana (previsto desde 2001, no Estatuto da Cidade), o qual deverá ser integrado aos planos diretores municipais existentes ou em elaboração, no prazo máximo de três anos da vigência da lei. Deste prazo surge uma primeira e grande crítica. Com a demora na sanção da lei, suas normas, que priorizam o transporte público e coletivo em detrimento do individual e motorizado, e disciplinam a circulação no espaço urbano, não entrarão em vigor até a Copa do Mundo, em 2014, já que as cidades-sede têm até 2015 para se adequarem às novas exigências. Certamente, o ideal seria que as obras referentes à Copa levassem em conta um planejamento nesse sentido, de tornar mais eficiente o sistema de transporte público, adequar a utilização do espaço urbano e de promover a acessibilidade à cidade. Todavia, é bastante provável que muitas cidades venham a instituir os seus planos de mobilidade urbana apenas após a realização do evento.

Por fim, chama atenção o enfoque dado pela lei à chamada mobilidade urbana sustentável. Com a valorização de diversos modais de transporte de pessoas e cargas, preferencialmente coletivos e mesmo não motorizados, fixa-se como diretriz do PNMU o desenvolvimento sustentável das cidades, compreendido em suas dimensões socioeconômicas e ambientais. Espera-se que, dessa maneira, a lei seja efetiva ao menos para o fim de reduzir a emissão de poluentes, o tempo de deslocamento, os congestionamentos e os acidentes em vias públicas.

Emerson Gabardo, professor de Direito Administrativo da UFPR e da PUCPR, é advogado. Iggor Gomes Rocha , pós-graduando no Instituto de Direito Romeu Felipe Bacellar, é mestrando em Direito Econômico e Socioambiental na PUCPR e advogado.

Juristas dizem que execução do jingle de campanha de Beto Richa na Assembleia fere a lei

O jingle da campanha de Beto Richa (PSDB) de 2010 foi executado ao fim da sessão solene de abertura do ano legislativo, com trechos como: “Todo mundo está com Beto, eu também estou” e “Quero Beto Ri­­cha meu governador”.

Conforme a Gazeta do Povo de hoje, juristas dizem que é possível que o fato caracterize violação da lei: “Sempre que se usa dinheiro público em proveito próprio é ilegal. Isso pode configurar improbidade administrativa e até mesmo propaganda eleitoral antecipada”, diz o advogado Everson Tobaruela, especializado em Direito Eleitoral. “Isso fere o princípio constitucional de impessoalidade e pode, sim, ser tida como ilegal a reprodução do jingle”, segundo Gustavo Justino de Oliveira, professor de Direito Administrativo da USP.

Beto Richa se equivoca, novamente

Segundo a Gazeta do Povo de hoje, no discurso de ontem do governador Beto Richa (PSDB) na Assembleia Legislativa do Paraná, o tucano se utilizou da estatística de empregos criados apenas no período de 11 meses de 2011, de janeiro a novembro, o que favoreceu a atual administração. Se ele tivesse incluído o mês de dezembro de 2010, último ano da gestão de Roberto Requião (PMDB), o governo anterior teve mais postos de trabalho criados.

Richa afirmou que foram “gerados 157 mil empregos com carteira assinada no ano passado, sendo 100 mil no interior”, o que segundo o equivocado governador seria um “recorde histórico”.

As contas do tucano não levaram em conta a queda significativa na geração de empregos em de­­zembro de 2011, o que tornou o desempenho do estado do Paraná durante a gestão Beto Richa pior do que o do ano anterior, da gestão Requião.

Conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempre­­gados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho, o Paraná gerou 123.916 empregos com carteira assinada em 2011, o que foi pior o desempenho em 20% do que as 153.805 vagas de 2010.

A assessoria do governador confirmou o lapso na informação, mas que não houve “má intenção”.

Governador Beto Richa: que tal fazer uma errata da informação equivocada, com a mesma pompa e tapete vermelho na Assembleia Legislativa? Mas por favor, desta vez sem a musiquinha da sua campanha.

A foto diz tudo

Município de Ventania, Paraná. Foto de Cidcley da Silva Milleo

PSD, a nova ARENA

Era uma vez o dia 1º de abril de 1964, dia da mentira, quando ocorreu o golpe militar que destituiu o presidente eleito João Goulart – Jango (do PTB, vice de Jânio Quadros, que renunciou).

Durante a ditadura militar, o partido que apoiava a ditadura era a ARENA – Arena Renovadora Nacional. No bipartidarismo o partido de oposição era o MDB – Movimento Democrático Brasileiro.

Na década de 80 a ARENA, com o início da redemocratização, para fugir do estigma ditatorial virou PDS, que logo depois teve uma cisão e foi criado o PFL.

O PDS virou PPB e depois PP.

O PFL virou Democratas.

Com o intuito de fugirem da regra da fidelidade partidária, por muitos ex-integrantes do Democratas, PP, PPB, PFL, PDS e ARENA o PSD, um partido criado para burlar a fidelidade partidária e que Gilberto Kassab, o prefeito mal avaliado de São Paulo e presidente do PSD, que disse que o partido não é nem de direita, nem de centro nem de esquerda.

Neste ano, nas eleições para prefeitos e vereadores, não vote no PSD, não vote em candidatos do PSD, não vote em candidatos de outros partidos apoiados pelo PSD.

Se você é de direita, vote no Democratas, PSDB, PTB ou PPS (em Curitiba no PSB); se é de centro vote no PMDB; se é de centro-esquerda vote no PT, PCdoB ou PDT; se é de esquerda vote no PSOL, PSTU, PCB ou PCO! No PSD não!

Políticos do PSD: Gilberto Kassab (SP), Guilherme Afif Domingos (SP), Henrique Meirelles, Ney Leprevost (PR) e Eduardo Sciarra (PR).

Veja o post PSD – Pedaço Serrista do DEMO

STF decidiu pela manutenção plena dos poderes do Conselho Nacional de Justiça – CNJ

Supremo Tribunal Federal. Foto de Tarso Cabral Violin / Blog do Tarso

Hoje o STF decidiu pela manutenção plena dos poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para processar e punir juízes em casos de desvios ético-disciplinares, conforme previstos na Resolução 135 daquele órgão de controle. A competência originária e concorrente do CNJ para exercer essas atribuições, que estava suspensa por liminar concedida em ação movida pela Associação dos Magistrados Brasileiros, foi restabelecida e mantida por seis votos a cinco entre os ministros Supremo Tribunal Federal (STF).

Gilmar Mendes, Carlos Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Rosa Weber votaram pela cassação da liminar e a favor da manutenção do artigo 12 da Resolução 135 do CNJ, que atribui à Corregedoria Nacional do órgão de controle da Justiça a competência concorrente às Corregedorias estaduais e regionais, para punir infrações disciplinares e administrativas cometidas por magistrados. Votos contrários: presidente Cezar Peluso; Marco Aurélio Mello, relator; Celso de Mello; Ricardo Lewandowski e Luiz Fux.

Colunista da Gazeta do Povo lembra da atuação ilegal da primeira-dama e critica comando da polícia do governo Beto Richa

Loucademia de polícia

Publicado hoje na Gazeta do Povo

Por Rogerio Waldrigues Galindo

A mansão do crime estourada na semana passada fica a nove quadras de um local simbólico da campanha de Beto Richa (PSDB) para o governo do estado. O Centro de Referência de Assistência Social do Parolin foi palco de um discurso de Fernanda Richa pedindo votos para o marido em maio de 2010. Como a campanha ainda estava proibida, a primeira-dama tomou uma multa da Justiça Eleitoral.

O principal argumento usado por Fernanda para pedir votos, na ocasião, era a melhoria que o marido traria para a segurança pública. “Essa polícia está aqui desde a época em que meu sogro [José Richa] foi governador. É o mesmo número de policiais. Não aumentou um policial, não houve uma capacitação”, dizia a inflamada primeira-dama municipal, que lutava para ser primeira-dama estadual.

“Se Deus quiser, se Deus quiser e as pessoas ali daquela vila tiverem um pouco de bom senso, no ano que vem, além de a gente fazer concurso, chamar muito mais policiais, capacitar, dar condições de dar segurança para a gente, a vila vai poder mudar. Caso contrário, nós vamos ficar nesse sofrimento”, disse Fernanda.

Desde lá, algumas coisas mudaram. Richa foi mesmo eleito governador. Fernanda foi condenada a uma multa de R$ 5 mil e virou secretária de Estado. Houve realmente a contratação de mais policiais. No entanto, os fatos da semana passada mostram que uma melhoria significativa na segurança pública ainda está distante.

Veja o que os fatos sobre a mansão do Parolin indicam:

1 – Que havia uma casa de luxo usada para atividades ilegais. Jogo e prostituição em plena área central de Curitiba.

2 – A polícia havia sido informada em novembro que o crime rolava solto, inclusive com a possibilidade de uso de drogas. Nada fez.

3 – Que um grupo de policiais encapuzados invadiu o local sem autorização da chefia e mostrou ao distinto público que as denúncias tinham razão de ser.

Os chefes da segurança pública dizem que os tiras agiram como milicianos. Num ponto têm ra­­zão. Não dá para deixar as coisas acontecerem assim. Cada policial faz o que tem vontade e invade o que quiser usando um capuz para não ser investigado. Este é o caminho para a barbárie.

Os policiais, porém, dizem que só fizeram isso para mostrar que há “santuários” protegidos por seus superiores. Invadiram para dar um recado: se não fizerem o que o baixo clero da polícia quer, os amigos dos delegados e dos superiores vão sofrer as conse­­­quên­­cias. Na verdade, nem de longe isso melhora a situação dos policiais, que passam a chantagistas – o raciocínio lógico é que, se derem o que eles querem, todos voltarão a ser coniventes.

Mas a coisa fica feia para a cúpula da polícia. Ou realmente alguém fez vista grossa para a casa – e há dezenas do mesmo tipo por aí, o que poderia mostrar que realmente existe acobertamento. Ou perdeu-se completamente o controle sobre os policiais. Um belo jeito de mostrar que tudo ocorrerá como deve seria fechar outros lugares do mesmo gênero, dessa vez com autorização e ordem da chefia. Se tudo continuar como estava, o acobertamento ficará visível.

No fundo, o que a população quer é que a promessa de Fer­­nanda seja cumprida, mesmo tendo sido feita de maneira ilegal. O povo quer confiar na polícia. Mas, do jeito que está, fica bem difícil.

A Cuba que Dilma visita – Emir Sader

No Blog do Emir do Carta Maior

Assim que Fidel e seus companheiros tomaram o poder e o governo dos EUA acentuou suas articulações para tratar de derrubar o novo poder, a grande burguesia cubana e uma parte da classe média alta foram se refugiar em Miami. Bastava esperar que mais um governo rebelde capitulasse diante das pressões norte-americanas ou fosse irremediavelmente derrubado. Afinal, nenhum governo latinoamericano rebelde tinha conseguido sobreviver. Poucos anos antes Getulio Vargas tinha se suicidado e Peron tinha abandonado o governo. Os dois governos da Guatemala que tinham ousado colocar em prática uma reforma agrária contra a United Fruis – hoje reciclada no nome para Chiquita -, sofreram um violento golpe militar.
Como um governo cubano rebelde, em plena guerra fria, a 110 quilômetros do império, conseguiria sobreviver? Cuba era o modelo do “pátio traseiro” dos EUA. Era ali que a burguesia cubana passava suas férias como se estivesse numa colônia sua. Era ali que os filmes de Hollywood encontravam os cenários para os seus melosos filmes sentimentais. Era ali que um aristocrata cubano tinha importado Esther Williams para inaugurar sua casa no centro de Havana, mergulhando numa piscina cheia de champanhe. Era em Cuba que os milionários norteamericanos desembarcavam com seus iates diretamente aos hotéis com cassinos ou às suas casas, sem sequer passar pelas alfândegas. Era ali que os marinheiros norteamericanos se embebedavam e ofendiam os cubanos de todas as formas possíveis. Era para Cuba que a Pan American inaugurou seus vôos internacionais. Era ali que as construtoras de carros norte-americanas testavam seus novos modelos, um ano antes de produzi-los nos EUA. Foi em Cuba que a máfia internacional fez seu congresso mundial no fim da segunda guerra, para repartir os seus mercados internacionais, evento para o qual contrataram o jovem cantor Frank Sinatra para animar suas festas. Em suma, Cuba era um protetorado norteamericano.

Os que abandonaram o país deixaram suas casas intactas, fecharam as portas, pegaram o dinheiro que ainda tinham guardado e foram esperar em Miami que o novo governo fosse derrubado e pudessem retomar normalmente sua vida num país de que se consideravam donos, associados aos gringos.

Há um bairro em Miami que se chama Little Havana, onde os nostálgicos ficam olhando para o sul, cada vez menos esperançosos de que possam retornar a uma ilha que já não podem reconhecer, pelas transformações radicais que sofreu. Participaram das tentativas de derrubada do regime, a mais conhecida delas a invasão na Baía dos Porcos, que durou 72 horas, mesmo se pilotada e protagonizada pelos EUA – presidido por John Kennedy naquele momento. Os EUA tiveram que mandar alimentos para crianças para conseguir recuperar os presos da invasão, numa troca humanitária.

Cuba mudou seu destino com a revolução, conseguiu ter os melhores índices sociais do continente, mesmo como país pequeno, pobre, ao lado dos EUA, que mantem o mais longo bloqueio da história – há mais de 50 anos -, tentando esmagar a Ilha.

Durante um tempo Cuba pode apoiar-se na integração ao planejamento conjunto dos países socialistas, dirigida pela URSS, que lhe propiciava petróleo e armamento, além de mercados para seus produtos de exportação. O fim da URSS e do campo socialista aparecia, para alguns, como o fim de Cuba. Depois da queda sucessiva dos países do leste europeu, a imprensa ocidental se deslocou para Cuba, instalou-se em Havana Livre, ficaram tomando mojitos e daiquiris, esperando para testemunhar a ansiada queda do regime cubano. (Entre eles estava Pedro Bial e a equipe da Globo.)

Passaram-se 23 anos e o regime cubano está de pé. Desde 1959, 10 presidentes já passaram pela Casa Branca e tiveram que conviver com a Revolução Cubana – de que todos eles previram o fim.

Cuba teve que se reciclar para sobreviver sem poder participar do planejamento coletivo dos países socialistas. Cuba teve que fazer um imenso esforço, sem cortar os direitos sociais do seu povo, sem fechar camas de hospitais, nem salas de aulas, ao invés da URSS de Gorbachev, que introduziu pacotes de ajuste e terminou acelerando o fim do regime soviético.

É essa Cuba que a Dilma vai encontrar. Em pleno processo de reciclagem de uma economia que necessita adaptar suas necessidades às condições do mundo contemporâneo. Em que Cuba intensificou seu comércio com a Venezuela, a Bolívia, o Equador – através da Alba -, assim como com a China, o Brasil, entre outros. Mas que necessita dar um novo salto econômico, para o que necessita de mais investimentos.

Necessita também aumentar sua produtividade, para o que requer incentivar o trabalho, de acordo com as formulações de Marx na Critica do Programa de Gotha, de que o principio do socialismo é o de que “a cada um conforme o seu trabalho”, afim de gerar as condições do comunismo, em que a fartura permitira atender “a cada um conforme suas necessidades”.

Cuba busca seus novos caminhos, sem renunciar a seu profundo compromisso com os direitos sociais para toda a população, a soberania nacional e a solidariedade internacional. Cuba segue desenvolvendo suas políticas solidárias, que permitiram o fim do analfabetismo na Venezuela e na Bolívia e o avanço decisivo nessa direção em países como o Equador e a Nicarágua.

Cuba mantem sempre, há mais de dez anos, a Escola Latinoamericana de Medicina, que já formou na melhor medicina social do mundo, de forma gratuita, a milhares de jovens originários de comunidades carentes todo o continente – incluídos os EUA. Cuba promove a Operação Milagre, que ja’ permitiu que mais de 3 mil latino-americanos pudessem recuperar plenamente sua visão.

Cuba é um sociedade humanista, que privilegia o atendimento das necessidades dos seus cidadãos e dos de todos os outros países necessitados do mundo. Que busca combinar os mecanismos de planejamento centralizado com incentivos a iniciativas individuais e a atração de investimentos, na busca de um novo modelo de crescimento, que preserve os direitos adquiridos pela Revolução e permite um novo ciclo de expansão econômica.

Aqueles que se preocupam com o sistema politico interno de Cuba, tem que olhar não para Havana, mas para Washington. Ninguém pode pedir a Cuba relaxar seus mecanismos de segurança interna, sendo vítima do bloqueio e das agressões da mais violenta potência imperial da história da humanidade. A pressão tem que se voltar e se concentrar sobre o governo dos EUA, para o fim do bloqueio, a retirada da base naval de Guantanamo do território cubano e a normalização da relação entre os dois países.

É essa Cuba que a Dilma vai se encontrar, intensificando e ampliando os laços de amizade e os intercâmbios econômicos com Cuba. Não por acaso o Brasil só restabeleceu relações com Cuba depois que a ditadura terminou, intensificando essas relações no governo Lula e dando continuidade a essa política com o governo Dilma.