FotoCharge: AeroBeto

Boaventura de Sousa Santos escreve novamente carta às esquerdas

Do Carta Maior

Quarta carta às esquerdas

A direita só se interessa pela democracia na medida em que esta serve aos seus interesses. Por isso, as esquerdas são hoje a grande garantia do resgate da democracia. Estarão à altura da tarefa? Terão a coragem de refundar a democracia para além do liberalismo? Uma democracia anticapitalista ante um capitalismo cada vez mais antidemocrático?

Boaventura de Sousa Santos

As divisões históricas entre as esquerdas foram justificadas por uma imponente construção ideológica mas, na verdade, a sua sustentabilidade prática—ou seja, a credibilidade das propostas políticas que lhes permitiram colher adeptos—assentou em três fatores: o colonialismo, que permitiu a deslocação da acumulação primitiva de capital (por despossessão violenta, com incontável sacrifício humano, muitas vezes ilegal mas sempre impune) para fora dos países capitalistas centrais onde se travavam as lutas sociais consideradas decisivas; a emergência de capitalismos nacionais com características tão diferenciadas (capitalismo de estado, corporativo, liberal, social-democrático) que davam credibilidade à ideia de que haveria várias alternativas para superar o capitalismo; e, finalmente, as transformações que as lutas socias foram operando na democracia liberal, permitindo alguma redistribuição social e separando, até certo ponto, o mercado das mercadorias (dos valores que têm preço e se compram e se vendem) do mercado das convicções (das opções e dos valores políticos que, não tendo preço, não se compram nem se vendem). Se para algumas esquerdas tal separação era um fato novo, para outras, era um ludíbrio perigoso.

Os últimos anos alteraram tão profundamente qualquer destes fatores que nada será como dantes para as esquerdas tal como as conhecemos. No que respeita ao colonialismo as mudanças radicais são de dois tipos. Por um lado, a acumulação de capital por despossessão violenta voltou às ex-metrópoles (furtos de salários e pensões; transferências ilegais de fundos colectivos para resgatar bancos privados; impunidade total do gangsterismo financeiro) pelo que uma luta de tipo anti-colonial terá de ser agora travada também nas metrópoles, uma luta que, como sabemos, nunca se pautou pelas cortesias parlamentares. Por outro lado, apesar de o neocolonialismo (a continuação de relações de tipo colonial entre as ex-colónias e as ex-metrópoles ou seus substitutos, caso dos EUA) ter permitido que a acumulação por despossessão no mundo ex-colonial tenha prosseguido até hoje, parte deste está a assumir um novo protagonismo (India, Brasil, Africa do Sul, e o caso especial da China, humilhada pelo imperialismo ocidental durante o século XIX) e a tal ponto que não sabemos se haverá no futuro novas metrópoles e, por implicação, novas colónias.

Quanto aos capitalismos nacionais, o seu fim parece traçado pela máquina trituradora do neoliberalismo. É certo que na América Latina e na China parecem emergir novas versões de dominação capitalista mas intrigantemente todas elas se prevalecem das oportunidades que o neoliberalismo lhes confere. Ora, 2011 provou que a esquerda e o neoliberalismo são incompatíveis. Basta ver como as cotações das bolsas sobem na exata medida em que aumenta desigualdade social e se destrói a proteção social. Quanto tempo levarão as esquerdas a tirar as consequências?

Finalmente, a democracia liberal agoniza sob o peso dos poderes fáticos (Máfias, Maçonaria, Opus Dei, transnacionais, FMI, Banco Mundial) e da impunidade da corrupção, do abuso do poder e do tráfico de influências. O resultado é a fusão crescente entre o mercado político das ideias e o mercado econômico dos interesses. Está tudo à venda e só não se vende mais porque não há quem compre. Nos últimos cinquenta anos as esquerdas (todas elas) deram uma contribuição fundamental para que a democracia liberal tivesse alguma credibilidade junto das classes populares e os conflitos sociais pudessem ser resolvidos em paz. Sendo certo que a direita só se interessa pela democracia na medida em que esta serve os seus interesses, as esquerdas são hoje a grande garantia do resgate da democracia. Estarão à altura da tarefa? Terão a coragem de refundar a democracia para além do liberalismo? Uma democracia robusta contra a antidemocracia, que combine a democracia representativa com a democracia participativa e a democracia direta? Uma democracia anticapitalista ante um capitalismo cada vez mais antidemocrático?

 

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

Você conhece a história dos 5 heróis cubanos que estão presos nos EUA?

Como leitura para as férias, recomendo o livro “Os últimos soldados da guerra fria”, de Fernando Morais, da editora Companhia das Letras. O livro, que não tem uma gota de ficção, conta a história de cinco cubanos que estão presos nos Estados Unidos há mais de 10 anos.

Todos sabem que os Estados Unidos não toleram a existência de uma ilha há poucos quilômetros de Miami que vive um regime socialista desde 1959, quando Fidel Castro, Che Guevara e vários outros heróis derrubaram o ditador Fulgência Batista.

Desde então os EUA mantém um criminoso bloqueio econômico, patrocinou mercenários na infantil invasão da baia dos porcos, criou a rádio Martí (Ronald Reagan) para difundir propaganda anticastrista junto à população cubana, entre outras questionáveis tentativas de intromissão junto a política interna cubana.

A Lei do Ajuste Cubano (Lei dos Pés Secos), de 1966 no período de Lyndon Johson, estimulava o êxodo de cubanos, garantindo ao cubano de pisasse nos EUA um visto de residente permanente e um ano depois o green card. Por que o país não fez ou faz o mesmo com mexicanos e brasileiros que saem de seus países?

Com o fim da União Soviética na década de 90, país que comprova o açúcar cubano, Cuba teve que começar a se abrir para o turismo internacional, para manter o seu regime que garante saúde, educação e uma vida digna aos seus cidadãos.

Com isso, organizações de extrema-direta na Flórida, composta por cubanos contrários a revolução, como por exemplo a Fundação Nacional Cubano-America, criada em 1981 por sugestão do mocinho de foroeste Ronald Reagan, que já jogavam pragas nas plantações cubanas, interferiam deliberadamente nas transmissões da torre de controle do aeroporto José Martí de Havana, começaram também a patrocinar mercenários latino-americanos que colocavam bombas em pontos turísticos de Havana e das prais de Varadero, inclusive com a morte e ferimento de turistas.

Essas organizações são compostas por muitos fazendeiros cubanos que perderam suas terras com a revolução socialista, amigos dos presidentes norte-americanos, normalmente os republicanos, e de presidentes de direita da Amárica Latina, como Carlos Menem.

Contra o terrorismo na ilha patrocinado pela extrema-direita da Flórida e realizado por mercenários, o governo cubano organizou a operação Vespa, e encaminhou espiões cubanos para Miami para investigarem as organizações terroristas, infiltrados entre os cubanos moradores nos EUA. Esses espiões não iriam investigar o governo norte-americano, mas apenas as organizações privadas terroristas.

Além de investigar o terrorismo contra o turismo da ilha os espiões também iriam investigar outros tipos de terrorismo, como por exemplo atentados contra aviões de passageiros cubanos que mataram vários inocentes. Alguns terroristas chegaram a ser presos mas foram indultados pelo presidente George Bush (pai) e outros presidentes latino-americanos de direita, ou tiveram seus processos arquivados por juízes conservadores de Miami.

Os espiões cubanos foram presos nos EUA, alguns participaram do programa de delação premiada e foram soltos, mas Gerardo Viramóntez Hernández, Tony Guerrero, Ramón Urso Labañino, Fernando Rubén Campa González e René González negaram que estivessem espionando o governo dos EUA, foram condenados por juri composto por moradores de Miami, onde 74% de sua população é  favóraveis as ações armadas promovidas contra Cuba, e até hoje estão na prisão nos EUA.

Um ex-assessor de segurança nacional de Jimmy Carter disse que “Um julgamento de agentes de inteligência cubanos em Miami será tão justo quanto seria o julgamento de agentes da inteligência de Israel em Teerã”.

Um das alegações para a condenação dos heróis cubanos foi que com suas informações, um avião com 4 mercenários de Miami foi derrubado por MIGs cubanos, avião que estava irregularmente em território cubano.

Para detalhes e outras histórias interessantes, recomendo a leitura do livro!

Fernando Morais utilizou informações de 5 sites:

http://www.antiterroristas.cu

http://www.cubadebate.cu

http://www.foia.ucia.gov

http://www.freethefive.org

http://www.huffingtonpost.com

http://www.pedropan.org

http://www.thecuban5.org

Isto não está no livro, mas informo que um dos 5 heróis cubanos presos nos EUA foi liberado da prisão no dia 07 de outubro de 2011 e agora ficará sob liberdade vigiada. Depois de 13 anos preso, René Gonzalez foi libertado e terá que aguardar por 3 anos em solo estadunidense para poder ter visto e então regressar a Cuba.

Entrevista com Tadeu Veneri na Gazeta do Povo

Foto de Henry Milléo/Gazeta do Povo

“Temos cada vez mais uma cidade do espaço privado”

Tadeu Veneri (PT), deputado estadual

Publicado em 11/01/2012 | CAROLINE OLINDA

O deputado estadual Tadeu Veneri diz não abrir mão de disputar internamente a indicação do PT para ser candidato à prefeitura de Curitiba. Contra essa vontade, aparece a ala majoritária do partido, que já indicou a intenção de fazer uma aliança e apoiar a candidatura de Gustavo Fruet (PDT). Além desse grupo, Veneri ainda tem como pedras no caminho os deputados federais Dr. Rosinha e Angelo Vanhoni, que também se colocam como pré-candidatos petistas.

Apesar de toda essa disputa interna, o deputado afirma que o PT manterá a unidade na eleição. “Sabemos que não há a menor possibilidade de nós crescermos no processo eleitoral se não tivermos unidade.”

Quem é

Tadeu Veneri (PT)

– Nasceu em União da Vitória (PR), em 1953.

– Está no terceiro mandato como deputado estadual.

O pré-candidato Gustavo Fruet (PDT) afirma que negocia com o PT uma aliança. Como está a situação do partido em relação à eleição de 2012?

Por todo o carinho que tenho pelo Gustavo, há um equívoco nessa afirmação dele. Não há negociações com o PT. Ele está negociando com pessoas do PT e com uma ala. Oficialmente, o PT tem um calendário para decidir por ter candidatura própria. Se o Gustavo está entendendo que está negociando com o PT, alguma coisa está errada nessa conversa. Em nome do PT, não há negociação. Temos um calendário produzido pelo diretório nacional e não vai ser um dirigente que vai se sobrepor ao partido. Seria uma situação surreal nós acharmos que pessoas individualmente são maiores que o processo coletivo.

Mas a cúpula do partido tem defendido haver um único candidato da base.

A cúpula tem o direito e a legitimidade de querer o que ela quiser, desde que ela passe pelos pressupostos internos partidários. Ela pode ter desejos e isso é legítimo. Mas daí a você ter esse desejo transformado em realidade, tem um caminho chamado partido. E eu não abro mão de disputar internamente a candidatura.

Ter várias candidaturas de oposição diminui a possibilidade de derrotar o atual prefeito?

Se a disputa for polarizada, eu não tenho a menor dúvida de que quem ganha é o candidato que estiver no governo, seja o candidato que for, seja do partido que for. Porque você polariza entre continuar com a administração ou romper com essa administração. Tem a vantagem também de toda a estrutura da máquina pública, que é considerável, a vantagem das relações construídas com segmentos empresariais e com segmentos da sociedade que a oposição tem dificuldades de atingir. Essa disputa feita entre um candidato de oposição e um de situação leva o candidato que tem uma avaliação de governo positiva e uma avaliação pessoal positiva a vencer no primeiro turno. Então, nós entendemos que se o PT tiver candidatura própria, o PPS, o PDT, o PMDB e enfim, se todos os partidos que têm condições de fazer questionamentos sobre a cidade, o resultado disso será melhor para todos nós. Incluindo o prefeito Luciano Ducci (PSB). Isso porque, se eleito numa situação que, de alguma forma o leve a assumir compromissos explicitados publicamente, seu governo terá um perfil muito melhor.

O PT tem hoje três pré-candidatos colocados. Isso enfraquece uma possível candidatura do partido?

Não. Eu acredito que nós três [além do próprio Veneri, também são pré-candidatos do partido os deputados federais Dr. Rosinha e Angelo Vanhoni] temos claro que qualquer um que venha a ser o indicado será o indicado do partido. E sabemos que não há a menor possibilidade de nós crescermos no processo eleitoral se não tivermos unidade. E a unidade se dá, não no discurso, se dá na prática. Temos um tempo para fazer a divergência e para a multiplicidade de opiniões que antecedem as decisões.Mas temos de ter unidade na ação.

Já pensa em alguma inovação para a cidade?

Curitiba foi aprisionada em alguns pressupostos que particularmente eu não concordo. Um deles é que Curitiba é conservadora, que sempre foi desse jeito e não tem como mudar. Dessa forma, se aprisiona a alma da cidade e se repete isso indefinidamente pa­­ra que as pessoas realmente acreditem que não há, por exemplo, como ter um processo que substitua o automóvel por um sistema de transporte mais eficiente […]. Esse é um pressuposto que, me parece, está muito presente. Então, as coisas que nós gostaríamos de alterar seriam essas relações entre as pessoas que olham o ônibus talvez como um castigo e fazer com que o ônibus passe a ser um direito.

Qual a opinião do senhor sobre o projeto do metrô?

O metrô é importante. Mas o metrô é para daqui a dez anos. Engana-se aquele que pensa que, em três anos, o metrô estará sendo utilizado como em todas aquelas fotografias belíssimas, com a limpeza que se pretende, com todas as linhas funcionando. Não é verdade. E daqui a três anos vão dizer: “Olha, não deu certo agora. E vamos esperar mais três”. Aliás, a Linha Verde era para estar inteira pronta há oito anos. Acho que se faz muito da política da empulhação, do processo de mistificar essa cidade como se fosse perfeita, e não se discute o que acontece para que se tenham índices tão diversos e situações tão diferentes. Uma cidade onde as pessoas andam o tempo inteiro com os vidros dos carros fechados, uma cidade que está se “enguetando” [criando guetos] cada vez mais em condomínios fechados, se fechando em prédios com cercas, com grades, com cachorros. Você está tirando dos parques, das praças e transferindo esse espaço público para o espaço privado. Você olha os shoppings como o único lugar em que pode andar sossegado aos sábados e aos domingos à noite. É o caos. Porque você separa a cidade. E, quando você parte a cidade, não pode pedir para aqueles que ficam de fora que não tentem entrar.

Mas essa não é uma característica exclusiva de Curitiba. Acon­tece em cidades grandes de todo o país.

É do país, mas é muito específica de Curitiba. Curitiba tem uma dificuldade muito grande de olhar para si mesma. As pessoas que aqui estão têm uma dificuldade muito grande de reconhecer que nós temos problemas e a primeira forma de você resolver o problema é reconhecer que ele existe. Quando se fala dos problemas de Curitiba, automaticamente quem está no poder, até mesmo a parte intelectual da cidade, entende que você está falando mal da cidade. Mas se ignora que você está gastando R$ 40 milhões para um eixo urbano interno da cidade e a 10 quilômetros do centro você não tem condições de andar porque as calçadas não existem. Quem se beneficia do que a cidade produz? Como se beneficia do que a cidade produz? […] Temos cada vez mais uma cidade do espaço privado, com aqueles que podem e que fazem, e aqueles que não podem, mas que querem fazer. E aí as coisas se complicam.

Quais as soluções para melhorar o sistema de transporte público e o trânsito?

Sou contra penalizar o motorista do transporte individual sem que ele tenha a opção do transporte público. Se você tivesse um transporte público de excelência, poderia fechar parte das ruas do centro de forma a dificultar que o transporte individual prevaleça sobre o transporte público. Também poderia ser aberta a possibilidade para que as pessoas pudessem ir para o seu local de interesse e ter um tempo para voltar sem ter de pagar nova passagem. Também se tivéssemos uma cultura de o terminal ser um espaço onde as pessoas possam se encontrar, onde tenha um bicicletário correto, um estacionamento correto, onde se tenha segurança, obviamente que as pessoas iriam preferir andar de ônibus. Não num processo curto e imediato, mas num processo de médio e longo prazo. Mas, se nós não pensarmos o que queremos de Curitiba para daqui 30, 40 ou 50 anos, não vamos conseguir pensar o que queremos de Curitiba para daqui seis meses.

Estaria disposto a ampliar as ciclofaixas?

Não é lógico que uma cidade que tem quase 2 milhões de habitantes use todas as suas vias ou 99% delas com estacionamentos para carros. Se você tem estacionamento dos dois lados da via, por que você não pode ter estacionamento em um dos lados e do outro ter espaço para a bicicleta? Mas não basta ter ciclovias ou ciclofaixas sem que se coloque nas empresas um alojamento correto para que a pessoa possa trocar de roupa, tomar um banho, se achar necessário.

Quem é o curitibano?

Uma pessoa extremamente generosa.

E como definir Curitiba?

Também uma cidade extremamente generosa. Generosa porque recebe a tudo e a todos. Por isso que virou essa bagunça que ela é.

O que o senhor viu em outras cidades que adaptaria a Curitiba?

Temos experiências geniais em cidades do mundo todo na parte cultural, como em Barcelona, Porto Alegre e São Paulo.

O curitibano é tímido ou fechado?

Quem acha que o curitibano é tímido ou fechado nunca foi a um estádio de futebol.

O senhor costuma andar de ônibus?

Eu uso o Inter 2 todas as manhãs às 8h30. Mas é muito confortável para eu vir porque eu não venho às 6 horas ou ao meio-dia. E essa linha, no trecho que eu pego, que é do Colégio Militar ao Centro Cívico, é mais tranquila.

Frustração e ódio à democracia – Paulo Ghiraldelli Jr

Carlos Lacerda, símbolo do udenismo

Hoje na Folha de S. Paulo

Não é porque a classe média conservadora não tem porta de quartel para bater que ela não deve ser vista como fomentando algo perigoso

Lula repetiu Vargas, mas com mais sucesso. Nossa democracia atual imita um pouco a de 1945-1964, mas com menos melodrama. O elo entre elas é a oscilação do “udenismo”. Eu explico.

Após 1945, segundo o figurino democrático, Vargas criou dois partidos: o PSD (Partido Social Democrático) e o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). Com o primeiro, agarrou funcionários públicos e parte dos setores agrários. Com o segundo, acolheu os sindicalistas.

Na oposição, ficou a UDN (União Democrática Nacional), que de um ideário liberal inicial foi para uma bandeira única: o combate à corrupção. “Udenismo” e “moralismo” tornaram-se sinônimos.

Quando, nos anos 1980, o Brasil iniciou seu caminho sem volta para o fim do regime militar, as oposições ganharam espaço por meio do PMDB e do PT. Ainda que o PT tivesse uma série de propostas, o discurso ético e moral era o seu carro chefe. O PMDB dizia que aquilo não era política, apenas um “udenismo” com capa de esquerda.

Com o PT participando de cargos executivos, o discurso ético perdeu força. O termo já era cadáver quando, com o mensalão de 2005, o PT acabou com a possibilidade de apresentar qualquer discurso moral. O PT enterrou seu apelido de “udenista” do modo mais irônico possível.

Foi então que uma parte da classe média, de mentalidade conservadora, agarrou o discurso moralista, contra a corrupção. Não tendo nenhum partido próprio, foram ao PSDB. Atônito, o PSDB terminou por aceitá-los e, por isso mesmo, como havia ocorrido com a UDN, acabou se distanciando das parcelas mais amplas da população.

Afinal, após 2005, Lula recolheu os cacos do PT pós-mensalão e então realmente começou a governar. Com Mantega à frente, ele fez vingar o programas de bolsas, o PAC e toda uma política de ampliação do mercado interno, anulando a má herança do governo FHC e, ao mesmo tempo, sabendo aproveitar a estabilidade da moeda que o ex-presidente havia deixado.

Assim, Lula se tornou uma quase unanimidade nacional. Quase unanimidade porque o discurso moralista, o “udenismo”, ainda que minoritário e completamente ideológico -talvez até hipócrita-, tem lá o seu folêgo. Quando começa a perder gás, a imprensa acha mais um naco podre no governo, pondo Dilma a dar vassouradas aqui e ali.

A classe média conservadora, vendo a sua impotência eleitoral ganhar clímax nos fracassos do PSDB, vai para a internet para “fazer política com as próprias mãos”.

Despeja na rede toda a sua frustração e seu ódio à política democrática. Nesse tipo de onda, as pessoas começam a querer punições sem investigações acuradas, alimentando uma postura autoritária.

Para eles, a democracia passa a ser vista como algo ruim, uma vez que ela parece só dar vitórias ao Lula ou, digamos, aos setores populares. Aliás, esse tipo de ódio não está distante do que sempre existiu no interior do “udenismo”. Eis a minha conclusão, em forma de alerta: não é porque esses setores não possuem porta de quartel para bater que eles não deveriam ser vistos como fomentando algo perigoso.

PAULO GHIRALDELLI JR., 54, filósofo e professor da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), é autor de “A Filosofia como Medicina da Alma” (editora Manole)

Ministério Público entende que demissões de servidores pelo governo Beto Richa são injustificáveis e pede reconsideração

Beto Richa já está sendo chamado de Sr. Carrasco pelos trabalhadores da Celepar

Da assessoria de imprensa do Sindicato dos Trabalhadores em Informática e Tecnologia da Informação:

SINDPD-PR freia mais demissões na Celepar

O Sindicato dos Trabalhadores em Informática e Tecnologia da Informação (SINDPD-PR) conseguiu frear mais demissões e o desrespeito aos direitos dos trabalhadores na Celepar – Companhia de Informática do Paraná -, que demitiu sem justa causa e na virada do ano funcionários concursados. A empresa foi chamada para uma audiência de mediação, realizada ontem (9) no Ministério Público do Trabalho (9ª Região), em Curitiba, a fim de esclarecer os motivos da demissão sumária dos trabalhadores e com o objetivo de adequar os procedimentos de dispensa, de modo a não constranger os funcionários com limitações ao acesso à Celepar e a documentos.

A procuradora do Trabalho, Cristiane Maria Sbalqueiro Lopes, que se mostrou sensível às denúncias apresentadas pelo sindicato, também entendeu que falta consistência às justificativas verbais apresentadas pela direção da Celepar e solicitou a reconsideração por parte da empresa. Uma nova audiência foi marcada para o dia 13/01 (sexta-feira), na qual os representantes da Celepar deverão apresentar suas justificativas para que a procuradora decida pela abertura ou não de inquérito. “Há oito anos não havia demissão na Celepar e muito menos da forma como foram conduzidas estas. Uma empresa que quer fugir das suas responsabilidades é que age assim, demitindo na virada do ano”, disse a diretora do SINDPD-PR, Valquíria Lizete da Silva.
Para ilustrar a arbitrariedade das demissões…

Um dos trabalhadores demitidos havia sido requisitado no dia 16 de dezembro pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para prestar serviços neste órgão, que arcaria com todo o ônus do remanejamento. A direção da Celepar recusou o pedido e demitiu o funcionário concursado, sem justa causa, poucos dias depois. O SINDPD-PR questiona tanto a medida tomada quanto as razões, ainda desconhecidas e ao que tudo indica bastante subjetivas, para o comportamento da direção da Celepar. Outro trabalhador demitido havia sido homenageado no final do ano pela Secretaria de Planejamento do governo do estado, em função de um sistema inovador que ele desenvolveu para a gestão de contas públicas. “Não estamos mais no tempo de achar que esse tipo de arbitrariedade seja normal ou inquestionável. Os trabalhadores têm direitos e o sindicato está aí para defendê-los”, disse Valquíria. “Tornando pública a situação, o sindicato consegue inibir a empresa de continuar agindo dessa forma”, completou.

Será um feliz ano novo? – Tarso Genro

Governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro

Folha de S. Paulo de domingo

Os setores emergentes não têm origem em paternalismos populistas e não são massa de manobra; sua mobilização vai oxigenar a vida pública do país

O ano de 2012 será decisivo para o Brasil e para a América Latina. Não se trata de uma crônica de ano novo. É uma afirmação criteriosa, fundamentada em dois cenários, um interno e outro externo.

No externo, há o cansaço tanto da social-democracia como da ideologia thatcherista-neoliberal.

A social-democracia cansou a paciência de todos, em regra, porque a sua adaptação aos novos tempos -de crise do financiamento do “estado de bem-estar”- fez com que ela cultuasse a globalização financeira e passasse a se escravizar nas suas receitas.

De outra parte, o cansaço da ideologia do neoliberalismo adquiriu seu auge na evidência de manipulações fraudulentas, pelos bancos e governos, da situação real dos estoques da dívida pública. Mais uma vez houve frustração e tédio com os seus discursos sem cor.

No cenário interno, tanto brasileiro como latino-americano, vários são os governos, com orientações distintas, que conseguiram conquistar apoio parlamentar e social para não aplicar as regras neoliberais, com objetivo de sair das suas crises e melhorar a vida do povo.

A “melhora da vida do povo”, no âmbito de uma crise mundial com intervenções militares brutais e com castração de direitos sociais nos países de capitalismo avançado, é um dado relevante para avaliar a importância do próximo ano no futuro da democracia na América Latina.

Como é sabido pela ciência política e comprovado empiricamente, nem sempre a democracia gera progresso socioeconômico para a maioria, assim como nem sempre as ditaduras pioram as condições de vida dos cidadãos.

Avançar socialmente dentro da democracia não é pouco. Assim como não é pouco fazer governos serem compreendidos pelos seus povos pelo que estão fazendo e melhorar a renda e a autoestima dos mais pobres dentro de um amplo processo democrático. É muito.

E mais: a inclusão massiva de grupos populacionais no consumo, na produção e na educação gera novos sujeitos sociais e novas demandas. Alguns exemplos: melhor comida, melhor habitação, um melhor carro do ano, mais lazer qualificado, mais educação e melhor transporte coletivo, além de mais segurança para fruir a vida.

A aceleração no combate às desigualdades é que vai resolver se teremos um bom ano novo para as democracias latino-americanas.

A aceleração no combate aos privilégios, dentro e fora do Estado e das empresas públicas e privadas, reduzindo as diferenças de renda e de salários -tanto na esfera pública como na esfera privada-, é que vai criar coesão entre as classes sociais emergentes, o Estado de Direito e a democracia.

Esses novos setores sociais não são massa de manobra de ninguém. Eles não se originam de paternalismos populistas nem de conquistas de burocracias sindicais. Não são “aparelháveis”, pois são dispersos na estrutura produtiva, de serviços e na estrutura de classes.

Eles não são “classe média” frustrada ou raivosa. São os “de baixo”, que apareceram nas urnas e reelegeram Lula e elegeram Dilma. Aparecem nas estatísticas do ProUni, dos novos empregos e das novas atividades na produção e nos serviços.

Esses é que têm potência para constituir -em irmandade política com os demais setores do mundo do trabalho- um consenso superior, forjado a partir das suas mobilizações para a oxigenação da vida pública democrática.

Isso só poderá ser feito diretamente pela política e pelos partidos, na minha opinião os de esquerda, e cada vez menos através de demandas corporativas e setoriais.

A agenda do combate às desigualdades sociais deverá ser a pauta de uma esquerda revitalizada, que já cumpriu tarefas importante no Brasil e na América Latina, após o ciclo das ditaduras cujos fantasmas ainda nos visitam.

TARSO GENRO, 64, é governador do Rio Grande do Sul; foi ministro da Justiça (2007-2010), ministro da Educação (2004-2005) e prefeito de Porto Alegre pelo PT (1993-1996 e 2001-2002).

Beto Richa, Luciano Ducci e Taniguchi são inimigos do Cinema Nacional e dos Cines Públicos de arte. Privatização da cultura?

Será que o que eles gostam mesmo são dos filmes da Xuxa?

Curitiba tinha vários cinemas público-estatais administrados pela Fundação Cultural de Curitiba, como os Cines Groff, Ritz e Luz, que passavam filmes brasileiros, filmes de arte não-comerciais e documentários.

O Cine Groff fechou em 2003, durante a gestão de Cassio Taniguchi (PFL, ex-ARENA e PDS, atual DEMO), ex-secretário de planejamento de Jaime Lerner e atual de Beto Richa. Seu vice era Beto Richa.

O Cine Ritz fechou em abril de 2005, durante a gestão do então prefeito Beto Richa (PSDB), cujo vice era Luciano Ducci (PSB), o atual prefeito.

O Cine Luz, o segundo cinema de Curitiba, fechou as portas dia 11 de novembro de 2009, durante a gestão do então prefeito Beto Richa (PSDB), que logo depois abandonaria o cargo para ser governador do Paraná, deixando o inexpressivo e desconhecido Luciano Ducci em seu lugar.

Sobrou apenas a Cinemateca como cinema público em Curitiba.

Recentemente a Gazeta do Povo fez uma matéria informando que o curitibano rejeita o cinema nacional.

Mas claro, como os moradores de Curitiba assistirão filmes nacionais, documentários, filmes de arte, se não existem cinemas públicos para isso? Cinemas públicos-estatais que não se interessem apenas com a bilheteria, apenas com o lucro, mas sim em difundir a verdadeira cultura cinematográfica em Curitiba?

O que Luciano Ducci, Beto Richa e Cassio Taniguchi fizeram para reverter essa vergonha? O caso dos fechamentos dos cinemas não deixa de ser uma privatização, pois repassou a responsabilidade cultural para cinemas privados, que preferem passar blockbusters estadunidenses e filmes nacionais comerciais “bobinhos” voltados apenas para crianças.

Com a palavra os citados…

Será que o Marcelo Adnet está falando dos políticos que privatizam a saúde via organizações sociais – OS?

Caso “Sogra Fantasma” do assessor de Beto Richa volta ao noticiário

Beto Richa e Ezequias Moreira

Hoje na Coluna do Celso Nascimento na Gazeta do Povo

Legal

Ninguém aponta qualquer ilegalidade no ato, mas quem leu a edição n.º 320 da versão eletrônica do “Atos Oficiais” do Tribunal de Contas teve sua atenção despertada pela nomeação de Sandra Durau Rodrigues para o cargo de assessora de Planejamento no gabinete do conselheiro Ivan Bonilha. O cargo é um DAS-2, que rende R$ 7,5 mil mensais. Sandra vem a ser esposa de Ezequias Moreira, assessor informal de Beto Richa e protagonista do caso da “sogra fantasma”, cujos salários pagos pela Assembleia eram repassados para o genro. Ezequias atualmente é diretor da Sanepar.

Josias de Souza da Folha de S. Paulo descarta Aécio Neves

 

2014: decepção com Aécio desnorteia oposição

 

Há um ano, Aécio Neves era celebrado como grande promessa da oposição. Hoje, tornou-se um nome duro de roer. Tucanos e aliados viam nele a melhor opção presidencial. Passaram a enxergá-lo como a pior decepção da temporada.

Em qualquer roda de políticos ficou fácil reconhecer um oposicionista: é o que está lamentando a popularidade de Dilma Rousseff e falando mal de Aécio Neves. Nas discussões sobre 2014, o senador mineiro é personagem indefeso.

Para perscrutar as razões do desencantamento com Aécio, o blog ouviu cinco lideranças da oposição. Gente do PSDB, do DEM e do PPS. Um dissidente de legenda governista. O compromisso do anonimato destravou-lhes a língua.

Espremendo-se as opiniões e peneirando-se os exageros, obtem-se um sumo uniforme. A desilusão dos oposicionistas assenta-se em três avaliações comuns:

1. A atuação de Aécio em seu primeiro ano de Senado foi apagada. Algo incompatível com a biografia de um ex-presidente da Câmara. Ele não aconteceu, disse um dos entrevistados, no melhor resumo do sentimento que se generaliza.

Como assim? Quando Itamar Franco era vivo, a voz de Minas no Senado era a dele, não a de Aécio. O grande feito de Aécio no Senado foi a relatoria do projeto que redefine o rito das medidas provisórias. Proposta do Sarney, não dele. É pouco.

2. Dono de estilo acomodatício, Aécio é uma espécie de compositor da política. Compõe com todo mundo. Governou Minas com o apoio de partidos que, no Congresso, davam suporte a Lula. Em Brasília, o espírito conciliador, por excessivo, foi tomado como defeito.

Aécio exagerou, queixou-se um ex-entusiasta do senador. Esmiuçou o raciocínio: no afã de atrair para o seu projeto pedaços insatisfeitos do bloco pró-Dilma, Aécio esquece que a oposição deve se opor. É improvável que ganhe aliados novos. E está perdendo os antigos.

3. Imaginou-se que, livre dos afazeres de governador, que o prendiam a Minas, Aécio viraria rapidamente um personagem nacional. Por ora, nada. Por quê? A projeção exigiria dedicação e ampliação do horizonte temático, palpita um dos queixosos.

Mas Aécio não é um obcecado pelo Planalto? Sim, mas revelou-se pouco aplicado. Viajou pouco. No Senado, não foi dos mais assíduos em plenário. Subiu à tribuna só de raro em raro. No geral, esquivou-se das polêmicas.

O crítico citou um exemplo: PSDB e DEM decidiram quebrar lanças contra a DRU, o mecanismo que permite ao governo dispor livremente de 20% do Orçamento. Entre os tucanos, apenas cinco votaram contra. Aécio não estava entre eles.

Ninguém vira alternativa presidencial fugindo dos temas espinhosos, lamuriou-se um expoente do próprio PSDB. Aécio continua sendo alternativa graças à vontade pessoal e à ausência de um sucedâneo. A sorte dele é que a maioria do partido não suporta o José Serra.

Parte da cúpula do PSDB tenta antecipar para depois da eleição municipal de outubro a definição do nome do presidenciável da legenda. Em âmbito interno, a aversão a Serra faz de Aécio um favorito.

Fora daí, é visto pela própria oposição como uma ex-promessa. Uma liderança que se absteve de acontecer. Um candidato que depende do fortuito para livrar-se da condição de favorito a fazer de Dilma uma presidente reeleita.

Cooptação de deputados por Beto Richa é fator de risco de corrupção

Tucanos Rossoni e Beto Richa: bons companheiros

Segundo a Gazeta do Povo de hoje, a Assembleia Legislativa do Paraná, comandada por Valdir Rossoni (PSDB), é o principal fator de risco de corrupção no estado.

Será que isso é uma verdadeira democracia? O governador Beto Richa (PSDB) saiu da eleição de 2010 com uma base de apenas 50% dos deputados estaduais. Hoje, Carlos Alberto conta com o apoio de 85% dos deputados estaduais.

Para que servem os deputados? Aprovarem leis e fiscalizarem o Poder Executivo. O que a maioria dos deputados faz na Assembleia? Despachantes do Governador.

Como mudar? Uma reforma política que limite o poder do dinheiro nas eleições. Para quem sabe um dia cheguemos a ser uma democracia substancial, e não apenas formal.

Gazeta do Povo diz que Luciano Ducci não investe no atendimento aos moradores de rua

Foto de Daniel Castellano / Gazeta do Povo

Gazeta do Povo de hoje

Entrelinhas, por Cláudio Feldens

Cena contraditória

Cidade de tantos atrativos turísticos, Curitiba não consegue resolver os problemas típicos das grandes cidades. Os moradores de rua se multiplicam pela cidade e por isso não é novidade que um deles apareça dormindo no banco da praça a poucos metros do embarque dos turistas. Falta investimento no atendimento dessas pessoas, digam as autoridades o que disserem. Antigamente, dormir na praça dava “cadeia por vadiagem”.

Charge: The Beatles X porcaria

Folha de S. Paulo de sábado - Folhinha

“Republicano Mitt Romney enriqueceu enquanto ajudou a destruir a classe média estadunidense” – Paul Krugman

Romney, Obama e empregos – Paul Krugman

Folha de S. Paulo de sábado

Romney e pessoas como ele enriqueceram enquanto ajudaram na destruição da classe média americana

A recuperação da América da recessão vem sendo tão lenta que nem parece uma recuperação. Assim, em um mundo melhor, o presidente Barack Obama enfrentaria um concorrente que proporia uma crítica séria de suas políticas de geração de empregos. Em vez disso, é quase certo que Obama enfrente Mitt Romney.

Romney alega que Obama vem sendo um destruidor de empregos, enquanto ele teria sido um empresário que os criou. Disse à Fox News: “[Obama] perdeu 2 milhões de empregos, mais que qualquer outro presidente desde Hoover”. E declarou sobre seu período trabalhando na firma de participações acionárias Bain Capital: “Ajudamos a gerar mais de 100 mil empregos”.

É verdade que hoje há 1,9 milhão de americanos empregados a menos que os que havia na posse de Obama. Mas o presidente herdou uma economia em queda livre; não pode ser culpado por perdas de empregos nos seus primeiros meses de governo, em 2009, antes de suas próprias políticas terem tido efeito.

Entre janeiro e junho de 2009, a economia americana perdeu 3,1 milhão de empregos; desde então, ganhou 1,2 milhão. Não é o suficiente, mas não tem a menor relação com o retrato traçado pelo republicano.

O que Romney alega sobre Obama não é literalmente falso, mas induz ao engano. Mas mais surpreendente é a alegação de ter criado 100 mil empregos. De onde ela vem?

Segundo a campanha de Romney, é a soma dos empregos ganhos em três empresas que ele “ajudou a fundar ou fazer crescer”: Staples, The Sports Authority e Domino’s.

O “Washington Post” chamou a atenção para dois problemas: a contagem é baseada em “cifras atuais, não do período em que Romney trabalhou na Bain”, e “não inclui perdas de empregos em outras companhias com que a Bain esteve envolvida”. Qualquer desses problemas já invalida a alegação inteira.

De todo modo, não faz sentido olhar mudanças na força de trabalho de uma empresa e achar que servem para medir a geração de empregos na América como um todo.

Suponhamos, por exemplo, que sua rede de papelarias eleva a sua fatia no mercado, às expensas de redes rivais. Você passa a empregar mais pessoas, enquanto a concorrência emprega menos. Qual é o efeito final sobre o emprego?

Melhor: suponhamos que sua empresa tenha crescido em parte não por superar a concorrência, mas, sim, por adquirir as rivais. Agora, os empregados dessas empresas são seus. Você gerou empregos?

Pode-se indagar se não é igualmente incorreto dizer que Romney destruiu empregos. Sim, é. A queixa real é que destruiu empregos bons.

Quando a poeira assentou após o “downsizing” nas empresas que a Bain reestruturou -ou depois de essas companhias terem falido-, o número total de empregados nos EUA era mais ou menos igual ao que teria sido de qualquer maneira. Mas os empregos perdidos pagavam mais, com benefícios melhores.

Romney e pessoas como ele não destruíram empregos, mas enriqueceram enquanto ajudaram a destruir a classe média americana. E é essa realidade que se pretende obscurecer com todo o papo furado sobre empresários geradores e democratas destruidores de empregos.

Tradução de CLARA ALLAIN

40 anos com Prestes – Maria Prestes

‘Ele gostava de criança, cozinhava, descascava um bom abacaxi’, diz a viúva do dirigente comunista

Hoje na Folha de S. Paulo

CLAUDIA ANTUNES
DO RIO

RESUMO A pernambucana Maria Ribeiro Prestes viveu por 40 anos com Luiz Carlos Prestes [1898-90], dirigente do PCB, 34 anos mais velho. Os dois se conheceram quando ela, militante, foi destacada para fazer a segurança dele na clandestinidade, nos anos 50. Para enganar a vizinhança, o chamava de Pedro, apelido que ficou. Em seu apartamento, no Rio, cheio de recordações do exílio em Moscou, ela lembrou passagens dramáticas de sua vida.


Meu pai, João Rodrigues Sobral, era camponês de Poção (PE). Em Recife, trabalhou numa fábrica de óleo de mamona e depois abriu um armazém no bairro onde nasci em 1932. Ele via pessoas furtarem feijão, um pedaço de carne. Ficava revoltado com a pobreza.

O armazém era frequentado por pessoas de ideias evoluídas, que o levaram ao Partido Comunista. Tornou-se um revoltado, como se dizia. Era analfabeto, eu ensinei meu pai a ler e escrever.

Em 1935, minha mãe faleceu e teve aquele movimento [Intentona Comunista]. Meu pai foi preso, torturado. Depois, deportado de navio para o Rio, mas na Bahia se jogou no mar. Voltou para Recife a pé e passamos à clandestinidade.

Em Recife, entrei na Juventude Comunista. Distribuía volantes, fazia pichação. Fui presa, rasparam a minha cabeça. Vi o Prestes pela primeira vez em 1945, num comício da campanha dele para o Senado. Eu fiz a segurança dele com outros jovens.

SEGURANÇA

Aos 18 anos arranjei um marido, que não deu certo. Meu pai estava em São Paulo, doente, e me mandaram para a casa dele. Morreu em 1952 incógnito porque usava outro nome. Nunca soubemos onde foi enterrado.

Na época o registro do partido tinha voltado a ser cassado. Me disseram que eu ia cuidar de um dirigente. Só vi quem era no dia em que Prestes chegou. Ele ficou até 1959 sob minha responsabilidade.

Antes eu era Altamira Rodrigues Sobral, e, por segurança, me deram documentos em nome de Maria do Carmo Ribeiro, nascida em 1930.

Na época o Giocondo Dias [dirigente comunista, 1913-1987] nos dava assistência. Eu tinha já dois filhos, Pedro e Paulo. Um belo dia Prestes propôs casamento. Eu disse que já tinha sido frustrada, que não aceitava assinar papel com ninguém. Ele disse que tinha gostado de mim.

“Não posso ser uma boa companheira porque não sou intelectual que nem você, sou uma pessoa comum”, respondi. E ele: “Se fosse casar com uma intelectual, os nossos pensamentos iam estar sempre em contradição”.

“Tudo bem, se não der certo você vai para um lado e eu para o outro”, eu disse.

Nunca casamos no papel. Vivemos 40 anos juntos e nunca brigamos. Ele valorizava o trabalho da mulher e da mãe. Gostava de criança, cozinhava, fazia biscoito, bolo, bacalhau à portuguesa, descascava um bom abacaxi.

Me ensinou a ler os clássicos, Shakespeare, Dickens, Górki, Dostoiévski. Toda semana eu e o Giocondo tínhamos aula de leitura com ele.

Um motorista, o José das Neves, aparecia em público comigo e as crianças, fazendo as vezes de marido. Para os vizinhos não perceberem que tinha mais gente na casa, a gente chamava o Velho de Pedro, nome do meu filho. Chamei ele de Pedro até o fim.

Tive o João, a Rosa, a Ermelinda. Quando veio a semilegalidade [no final do governo Juscelino Kubitschek], tive o Luiz Carlos, a Mariana, a Zóia e o Yuri. Um dia eu disse, “vamos parar?”. E ele: “Deus quer, né. Vamos ter filhos”. Gostava de família grande, achava que devia dar continuidade à vida.

As crianças não sabiam que ele era o pai, chamavam de tio. Todos só foram saber depois, em Moscou.

Depois de 1964, Prestes teve que se esconder de novo, mas eu não podia porque tinha os filhos em idade escolar. Tinha uma câmera em frente à nossa casa filmando quem entrava e saía.

Mesmo assim, me encontrava com Prestes. Até viajamos. Levantei a proposta de irmos embora. Fui com as crianças em 1970 para Moscou e nos deram um apartamento de onde a gente via a Praça Vermelha. Em 1971 o Velho chegou.

Queriam que eu botasse os meninos numa escola para filhos de estrangeiros. Eu disse que preferia que fossem estudar com os filhos das pessoas comuns. Eles não sabiam uma letra de russo, mas o PC soviético botou uma professora que ia três vezes na semana dar aula para nós.

Ainda falo russo. É um idioma muito sonoro, meigo. Meus filhos se formaram lá.

Conheci todas as 17 repúblicas soviéticas e muitos países europeus. Nossa casa era mais frequentada do que a Embaixada do Brasil. Fazíamos sempre feijoada.

COMUNISMO

A readaptação foi complicada. Tinha o Comitê da Anistia que nos ajudava, o Oscar Niemeyer, o João Saldanha.

Acho que ainda sou comunista, sim. A exploração do homem pelo homem não acabou. No sistema socialista não tinha desemprego. Havia problemas, mas o povo trabalhava e recebia salário.

Tenho 24 netos e nove bisnetos. Todo ano a gente se reúne no aniversário do Velho, 3 de janeiro. Os meninos criaram o blog [mariaprestes.blogspot.com], mas não gosto muito. Com a internet, as pessoas não se encontram.

Ainda vou a atos políticos. O exercício que faço é andar. Gosto de cinema, do Almodóvar. Esse filme “A Pele que Habito” é impressionante.

De vez em quando faço uma sopa russa de beterraba e convido minhas amigas. Chamo meus filhos e a gente faz uma noite de russo, eles cantam, recordamos alguns momentos. Se fosse me preocupar com o passado, não era o que sou. Acho que a gente tem que ser otimista, almejar algo melhor.

FOLHA.com
Leia o depoimento de Maria Prestes na íntegra
www.folha.com/no1031285

Beto Richa, Cassio Taniguchi e seus aspones não respondem sobre acusação grave na Celepar

Cassio Taniguchi (que tem na ficha corrida ter sido secretário de Jaime Lerner, José Arruda e ser atual de Beto Richa), o irmão secretário de Beto Richa e o chefão de todos, Carlos Alberto.

O governador Carlos Alberto Richa (PSDB), o seu secretário de planejamento e presidente do Conselho de Administração da Companhia de Informática do Paraná – Celepar, Cassio Taniguchi, e a direção da Celepar ainda não responderam para a imprensa e sociedade paranaense a acusação grave sobre a demissão que a Celepar efetivou de quatro trabalhadores concursados.

Os servidores, frise-se, concursados, foram demitidos porque questionaram seus direitos na Justiça do Trabalho, um direito de todo trabalhador brasileiro, inclusive de servidores celetistas das empresas estatais.

Enquanto isso Beto Richa aumentou em 462% o número de cargos comissionados sem concurso público na Celepar, com muitos aspones incompetentes e não entendem nada de Tecnologia da Informação e Comunicação ou de Administração Pública.

Hoje foi a vez do jornal Gazeta do Povo informar que o Governo Beto Richa e seus aspones ainda não se manifestaram sobre esse absurdo.

Por enquanto, o único que se manifestou sobre o caso foi um blogueiro laranja e sem credibilidade, que é servidor comissionado sem concurso público da prefeitura municipal, que fez ataques pessoais a respeitáveis profissionais da comunidade curitibana.

Coragem, é o que falta ao governador, secretário e aspones.

Por enquanto vai sobrar para o pobre coitado do blogueiro.

Veja mais sobre o tema:

Governo Beto Richa demite servidores concursados da Celepar por eles buscarem seus direitos na Justiça

Nota de Esclarecimento do SINDPD-PR (Sindicato dos trabalhadores da Celepar) sobre informações falsas veiculadas

Ministério Público do Trabalho agendou audiência de mediação entre demitidos pelo governo Beto Richa e diretoria da Celepar para o dia 9

Ministério Público do Trabalho agendou audiência de mediação entre demitidos pelo governo Beto Richa e diretoria da Celepar para o dia 9

Do Sindpd-PR

O Ministério Público do Trabalho (MPT), que recebeu dia 4 denúncia sobre demissões arbitrárias de trabalhadores da Celepar – Companhia de Informática do Paraná, já agendou para a próxima segunda-feira (9), às 16h, a audiência de mediação entre a empresa e o SINDPD-PR – Sindicato dos Trabalhadores em Informática e Tecnologia da Informação no Paraná.

Por meio da assessoria jurídica do advogado de trabalhadores André Passos e da diretora da entidade Valquiria Lizete da Silva, foram apresentados ao procurador-chefe do MPT no Paraná, Dr. Ricardo Bruel da Silveira, os termos da denúncia, na qual o sindicato relata que parte dos demitidos move ação trabalhista por assédio moral e para pleitear o reenquadramento funcional e que até mesmo uma sentença favorável ao trabalhador recentemente foi apontada como motivo do rompimento brusco do contrato de trabalho. Antes do final do ano, eles foram comunicados do afastamento e da demissão que se efetivou no dia 2 de janeiro. Desde então, tiveram o acesso a seu local de trabalho e à rede interna de informática bloqueados. A truculência e o desrespeito causaram espanto na direção do SINDPD-PR e o clima dentro da empresa é de total insegurança diante das arbitrariedades que estão sendo aos poucos relatadas ao sindicato.

Autor de A Privataria Tucana em Curitiba dia 19/01 – debate com Amaury Ribeiro Jr

Do Paraná Blogs

Nota de Esclarecimento do SINDPD-PR (Sindicato dos trabalhadores da Celepar) sobre informações falsas veiculadas

O Sindicato dos Trabalhadores em Informática e Tecnologia da Informação do Paraná SINDPD-PR vem a público informar que é favorável a quaisquer formas de esclarecimento e fiscalização de atos que envolvam a classe trabalhadora, colocando-se à disposição para auxiliar e dirimir dúvidas. Confiamos plenamente no Poder Judiciário e no Ministério Público, órgãos aos quais recorremos sempre que frustradas todas as chances de resolução de conflito de maneira amigável. Porém não admitimos, de forma alguma, a utilização dessa prática para justificar irregularidades, atos ilícitos ou moralmente condenáveis. Estão sendo veiculadas na imprensa paranaense informações falsas e, no mínimo equivocadas, sobre a existência de uma indústria de ações trabalhistas impetradas contra a Celepar – Companhia de Informática do Paraná – (Blog do Zé Beto dia 5 de janeiro de 2012 postada às 10h50).

O sindicato é a ferramenta de organização da categoria que visa salvaguardar os direitos dos trabalhadores, zelar por melhores relações entre empresa e empregados no ambiente de trabalho e pela qualidade de vida. É por isso que toda e qualquer medida em defesa dos interesses da categoria, sejam elas individuais ou coletivas, movidas na Justiça por intermédio e assessoramento do escritório de advocacia Passos & Lunard, seguem as orientações da direção do SINDPD-PR. E se houve e há a necessidade dessa representação nas instâncias judiciais é porque esgotaram-se todas as possibilidades de solucionar nas instâncias administrativas os problemas que ferem os direitos dos trabalhadores. Antes de mover ações coletivas na Justiça trabalhista, o sindicato tem por hábito buscar o entendimento com a empresa e até mesmo a reconsideração de medidas autoritárias e injustificadas.

No caso específico das demissões arbitrárias ocorridas na Celepar na virada do ano,  o escritório do advogado de trabalhadores, André Passos, e a direção do SINDPD-PR buscaram primeiramente entrar em contato com a direção da empresa para esclarecer e reverter tais ações. Oficializamos o governador do Estado, solicitando a reversão das demissões e, finalmente, recorremos à mediação do Ministério Público do Trabalho (MPT) com o intuito de fazer com que a empresa reconsidere e volte atrás nessas demissões. O sindicato e sua assessoria jurídica também, por inúmeras vezes, já se colocaram à disposição da Celepar para debater e auxiliar na implantação de medidas que melhorem a política de gestão de recursos humanos da empresa pública.

É falsa a alegação de existência de uma suposta indústria de ações trabalhistas, o que existe, sim, é uma profunda inabilidade da empresa em evitar, contornar e não produzir conflitos. Se as decisões judiciais são favoráveis aos trabalhadores a culpa é toda da má gestão da Celepar e não dos trabalhadores, do sindicato e muito menos dos advogados destes. A entrada com a ação por si só não significa a condenação da empresa, mas se a Justiça Trabalhista dá ganho de causa aos trabalhadores e ao sindicato é porque ela entende que a razão está ao lado destes e que a empresa erra nas suas atitudes e na manutenção das irregularidades. Qualquer outra interpretação desse fato se configura em afronta e desrespeito ao Judiciário, às instituições democráticas e à cidadania.

É lamentável que, em vez de resolver da melhor maneira os problemas criados na relação com os trabalhadores, motivos das ações por assédio moral ou contra a disfunção em diversos setores, a direção da Celepar opte por se esconder atrás de falsas teorias conspiratórias e levante acusações infundadas para justificar o desrespeito aos direitos dos profissionais. A nota postada em blog jornalístico, em resposta à representação do sindicato em favor dos trabalhadores demitidos na virada do ano pela Celepar, atenta contra a dignidade dos trabalhadores, demonstra profundo desrespeito e contribui para aumentar ainda mais o clima de insegurança que se instalou na empresa, onde a truculência e a perseguição espalharam o medo e a preocupação entre todos.

A direção do SINDPD-PR

Curitiba-PR, 5 de janeiro de 2012.

Confira as ações do sindicato que motivaram acusações falsas:

Na virada do ano, Governo Beto Richa demite arbitrariamente trabalhadores na Celepar –http://www.sindpdpr.org.br/noticia/na-virada-do-ano-governo-beto-richa-demite-arbitrariamente-trabalhadores-na-celepar

Ministério Público do Trabalho agendou audiência de mediação entre demitidos e Celepar para o dia 9 – http://www.sindpdpr.org.br/noticia/ministerio-publico-do-trabalho-agendou-audiencia-mediacao-entre-demitidos-e-celepar-para-dia

E informações falsas, divulgadas na imprensa pela empresa:

Celepar faz auditoria e vai ao Ministério Público denunciar “indústria de ações trabalhistas” –  http://jornale.com.br/zebeto/2012/01/05/celepar-faz-auditoria-e-tambem-vai-ao-ministerio-publico/

Contatos: SINDPD-PR – (41) 3254-8330/(41) 9685-3313, com Marlene e (41) 9685-3312, com Valquíria.