Charge: Millennium… quer dizer… Pinheirinho, os homens que não amavam as mulheres

Domingo na Folha de S. Paulo


Gazeta do Povo diz que Requião venceu em 1985 graças a Richa. Sebastiani conta outra história

Comício de Requião na Vila São Pedro, em 20 de outubro de 1985: peemedebista largou com 18% das intenções de voto contra 40% de Lerner. Mas conseguiu a virada.

Em matéria da Gazeta do Povo de domingo, o jornal apresentou matéria dizendo que Roberto Requião (PMDB) venceu a eleição para prefeito de Curitiba do favorito Jaime Lerner em 1985 sob o comando e com o apoio decisivo do então governador do Paraná pelo PMDB, José Richa, pai do atual governador Beto Richa (PSDB).

Lerner, que havia sido prefeito duas vezes por indicação do governo militar golpista,  tinha vantagem sobre Requião de 40% a 18%, caiu para 38% a 26% e um mês antes empate com 37% cada. No fim de outubro ocorreu a virada: 42% a 37%.

A matéria ainda noticiou a tensão que chegou ao ápice dois dias antes do pleito, quando a Polícia Federal apreendeu cerca de 100 mil panfletos apócrifos feitos pela turma de Lerner contra a candidatura de Requião, que mesmo assim venceu com 227.248 votos contra 208.364 do candidato da direita

Os candidatos a prefeito de Curitiba em 1985: Jaime Lerner (PDT), Roberto Requião (PMDB), Paulo Pimentel (PDS) e Edésio Passos (PT)

O jornalista Sylvio Sebastiani contestou a matéria em seu Blog, com o seguinte post:

A HISTÓRIA “DAS ELEIÇÕES CURITIBANAS” É PURA FANTASIA !

O jornal Gazeta do Povo de domingo, 29 de janeiro de 2011, inicia uma reportagem com o título acima, destacando”SOB O COMANDO DE RICHA, REQUIÃO VENCE”.

A minha “história” é diferente, tenho obrigação de fazer aqui um pequeno relato, mas antes, convoco as personagens importantes de minha “história”: Roberto Requião, Jaime Lerner, Saul Raiz e Osmann de Oliveira. Outros já faleceram.

“Em certa 6a. feira, na semana anterior à eleição, recebi, indicado por um amigo, o jornalista Joaquim Zeferino Nascimento, afirmando ter sido coordenador da Campanha Eleitoral de Jaime Lerner, candidato à Prefeito e queria gravar um depoimento sobre a campanha. Com o jornalista Nuevo Baby, que comandava o programa “O Repórter”, da TV Paraná , nós dois gravamos o programa para ser levado ao ar na 2a.feira. Na tarde mostramos a gravação à diversas pessoas, entre elas o Governador José Richa, o Senador Álvaro Dias, e muitos outros da campanha de Roberto Requião, que poderão também testemunhar. A gravação iria ao ar na 2a.feira às 12 horas. Nesse período houve comentários, corridas por todos os lados. No domingo fui chamado para uma conversa com o Martinez, proprietário da TV Paraná, o próprio Nascimento, Osmann de Oliveira e um representante do Comité do Lerner, Eduardo Pacyornik, para  eu concordar de não ir ao ar a tal gravação. “NÃO CONCORDEI”. Na saída da reunião, solicitei ao Nascimento que estivesse em minha sala da Televisão, na manhã de 2a.feira e ele concordou.

Na manhã de 2a. feira, Baby, Nascimento  eu ficamos aguardando, pois tivemos conhecimento que o Comité de Lerner foi ao Tribunal Eleitoral, ingressar com pedido de suspender a divulgação da gravação.

Ao meio-dia, de fato chegou um Telex, com uma Liminar “proibindo levar ao ar a gravação”.

Fomos para o Estúdio começar o programa “O Repórter”, junto foi o jornalista Nascimento. Nuevo Baby abriu o programa, lendo a “Liminar” e com ataques à ditadura, afirmou que iria cumprir a decisão judicial, mas com a presença de Joaquim Nascimento, faria a entrevista, “ao vivo”.

Joaquim Nascimento fez um relato do Comité, quem deu o dinheiro, quanto, as contra propagandas que foram feitas em Londrina,na Gráfica Leal, enfim, tudo que aconteceu na campanha. Foi um desastre total!

Jaime Lerner estava com 23% acima de Requião!

O Comité do Requião, colocou as partes importantes no Horário Gratuito do TRE.

Houve uma reação do Comitê de Lerner: o então vereador Algaci Tulio foi à televisão, afirmar que estava com o advogado Osmann de Oliveira para processar Nascimento, que era estelionatário. O Deputado Norton Macedo disse ter contratado o advogado Renê Dotti para processar o Nascimento e até o candidato Jaime Lerner, foi em defesa de Saul Raiz. afirmando que o Requião era louco.

TENHO TODAS AS GRAVAÇÕES EM DVD!

Nuevo Baby e eu fomos presos pela Policia Federal, fichados, fotografados e processados. O Presidente do Tribunal Eleitoral do Paraná, disse as certas pessoas:”Vou por o Baby e o Sebastiani, na cadeira”.

Os jornais publicaram, afirmando que teríamos de 3 a 5 anos de prisão.

ROBERTO REQUIÃO, NO DOMINGO VENCEU A ELEIÇÃO PARA PREFEITO DE CURITIBA.

ESTA É A VERDADE!

Sylvio Sebastiani

Fernando Morais dá uma merecida surra no politicamente incorreto Leandro Narloch

Do Contexto Livre por indicação do Rodopiou

Sem graça, Narloch foi fisgado pela própria inconsistência e por uma necessidade fantasiosa de acreditar no que quer, como quando diz que o “capitalismo é o que de melhor já aconteceu na história da humanidade”. Assista ao vídeo no final do texto.

Quem deu a largada foi o moderador Vandek Santiago. Ele questionou o jornalista sobre as fontes usadas na produção do livro, dentre as quais estavam “as más línguas” em capítulo sobre o relacionamento de Perón, na Argentina, com jovens meninas.Nem as batatas cubanas ficaram de fora da mais animada e polêmica entre as mesas da 7ª Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto), que reuniu, em Olinda, os jornalistas Fernando Morais, Leandro Narloch e Samarone Lima. O tema proposto era América Latina para o bem e para o mal e Cuba dominou boa parte da conversa. A segunda parte do debate ficou concentrada nos dois livros de Narloch: Guia politicamente incorreto do Brasil (hoje, o quinto mais vendido no Brasil) e o Guia politicamente incorreto da América Latina (Leya)

Morais se juntou ao debate quando Narloch disse que “vários” cubanos desertaram durante os Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007. “Foram dois”, respondeu. Em outro momento, Narloch afirmou que as conquistas nas áreas econômica e de saúde não valeram a pena para Cuba, o que mereceu o deboche de Morais. “Essa fala me lembrou Nelson Rodrigues, que era um grande dramaturgo e um péssimo político, e que disse que preferia a liberdade ao pão. Pergunte a uma mãe que está enterrando o filho de cinco anos por desnutrição o que ela pensa disso”, disse Morais, que tinha acabado de citar dados da Unesco que mostram que Cuba tem o menor índice de mortalidade infantil entre os países concentrados do sul dos Estados Unidos à Patagônia.

Mais um pouco de conversa sobre liberdade e Cuba e a atenção voltou para Narloch. Fernando Morais, que não leu o livro, mas acompanhou algumas entrevistas do autor, mencionou o caráter marqueteiro das obras. O autor chegou a comentar em uma dessas entrevistas que tinha começado a coleção, que terá um novo volume sobre a história do mundo, para ganhar algum dinheiro. “Estou em pânico. Passei a faculdade lendo Fernando Morais e agora estamos quebrando o pau.”

Samarone Lima, que trazia um dos exemplares cheios “post-it”, disse que encontrou uma série de problemas no livro, mas que o principal dizia respeito ao capítulo dedicado ao general Augusto Pinochet. “É de uma inconsistência dolorosa. Nós, jornalistas, trabalhamos com fontes. Você não pode escrever sobre Pinochet usando como fonte um livro lançado pelo governo golpista”, disse Lima, que encontrou 12 referências ao tal livro oficial no capítulo.“Leandro Narloch se reconhece como uma pessoa de direita. Em um país onde Paulo Maluf se diz de centro-esquerda, alguém de 30 e poucos anos se assumir de direita é de uma honestidade política”, comentou. “Mas seus livros deveriam ter uma errata dizendo que eles se chamam “Guias politicamente corretos”, porque estão remando a favor da maré e absolutamente a favor do vento que sopra na imprensa, especialmente na revista Veja”, completou. 

Enquanto Lima procurava outra passagem, Narloch, já sem graça com a repercussão que seu trabalho tinha ganhado naquele painel, brincou: “Acabou, não dá mais tempo.” Mas deu. Ainda desconfortável, perdeu o fio da meada e foi vaiado quando, mais calmo, também citou Nelson Rodrigues: “Quem não é socialista com 20 anos não tem coração. Quem é com 40 não tem cérebro.”

Foi então a vez de ele contestar uma informação publicada por Morais sobre o episódio das larvas jogadas pelo governo norte-americano nas plantações de batatas em Cuba. “Use um pouco do dinheiro que você ganha com direitos autorais e vá até os Estados Unidos checar isso. Nós não vamos ficar aqui brigando pelas batatas cubanas”, finalizou Morais.

ONG e dinheiro público – José Anacleto Abduch Santos

Sábado na Gazeta do Povo

A regulamentação dos convênios e repasses de dinheiro público para as ONGs é bastante adequada e suficiente, vale dizer desvios de recursos, fraudes e apropriação indébita não podem ser atribuídos à falta de normas

A Constituição e a lei estabelecem a possibilidade de que recursos públicos federais – o que se reproduz no âmbito de estados e de municípios – sejam transferidos para entidades privadas. Uma das formas dessa transferência são as denominadas transferências voluntárias – portanto não obrigatórias – pela via dos convênios.

Esses repasses voluntários são regidos especificamente no âmbito federal pela Lei n.º 8.666/93, pelo Decreto n.º 6.170/08 e pela Portaria Interministerial n.º 127/08. A regulamentação dos convênios e repasses de dinheiro público para as ONGs é bastante adequada e suficiente, vale dizer; desvios de recursos, fraudes e apropriação indébita não podem ser atribuídos à falta de normas.

Tome-se, pois, aquilo que as normas já determinam para o administrador público. No âmbito do planejamento da transferência voluntária – sim, é necessário um planejamento consistente da configuração do convênio, uma fase interna similar à demandada no processo da contratação pública – há expressa imposição de instauração de um processo de chamamento público, uma espécie de licitação com necessária previsão de requisitos de qualificação técnica e econômico-financeira da entidade privada candidata a receber os recursos, inclusive mediante prova de experiência anterior na execução do objeto do convênio. Já existem vedações à celebração de convênios, para vedar também a prática do nepotismo.

No que diz respeito à execução do objeto do convênio, deve haver a designação de um servidor ou comissão de servidores para acompanhar a compatibilidade entre o que foi estabelecido no pacto e o que foi efetivamente realizado, bem como a adequação das liberações de recursos com o cronograma físico-financeiro fixado. Somente é permitida a liberação das verbas destinadas a fases posteriores, se tiver havido a prestação e aprovação das contas das verbas liberadas em relação às parcelas antecedentes.

As contratações feitas pelas entidades privadas com os recursos públicos devem ser antecedidas de, no mínimo, cotação prévia de preços, uma espécie de licitação simplificada destinada a assegurar a isonomia e a busca pela proposta mais vantajosa. Os pagamentos feitos pela entidade privada devem ocorrer mediante depósito em conta corrente do beneficiário, o que possibilita o controle pleno. Ao final, deve haver a prestação de contas, pela qual a ONG demonstrará que utilizou os recursos públicos apenas para os fins previstos no plano de trabalho e devolverá o saldo, se houver.

Caso a entidade privada cometa algum ato ilegal, ilegítimo ou antiêconomico na utilização dos recursos, como utilizar o dinheiro para fins diversos daqueles convencionados, a administração concedente deve rescindir imediatamente o convênio e determinar a apuração do dano ao erário, a identificação do responsável e promover a ação necessária à reparação do prejuízo.

Para o fim de apurar responsabilidades, obter a reparação do dano e punir os infratores há meios jurídicos mais do que suficientes, como por exemplo, as tomadas de contas especiais no âmbito dos Tribunais de Contas, para não se cogitar de ações de improbidade administrativa, ações criminais e de reparação de danos. Poder-se-ia indagar então: se os meios jurídicos são adequados, por que ocorrem tantas fraudes nos processos de transferência voluntária de recursos públicos? Tal questão, por primeiro, pode estar partindo de uma premissa equivocada. As fraudes, proporcionalmente ao volume de recursos e ao número de entidades que recebem dinheiro público pela via do convênio, talvez não sejam tantas como se pode inicialmente supor. O que não justifica a existência de nenhuma, por óbvio.

Mas se podem apontar três fatores decisivos para a ocorrência das fraudes: 1º, falha de planejamento, admitindo-se a transferência de dinheiro para entidade que não detém capacidade técnica e econômico-financeira; 2º, falha na fiscalização da execução do objeto do convênio e falhas na cobrança e análise das prestações de contas parciais; 3º, negligência na apuração das responsabilidades, o que conduz à impunidade. Com a ressalva de que a Constituição estabelece que a omissão na apuração de responsabilidade pelo uso indevido de dinheiro público gera responsabilidade solidária daquele que devia fazê-lo e não o fez, ou o fez de forma insuficiente.

José Anacleto Abduch Santos, advogado, é procurador do estado e professor do UniCuritiba.

Steve Jobs, empregos e carros – Paul Krugman

Visão de mundo atual dos republicanos não aceita que empresas bem-sucedidas não existem isoladamente

Mitch Daniels, antigo diretor de Orçamento da Casa Branca na era George W. Bush e agora governador de Indiana, apresentou a resposta republicana ao discurso do presidente Barack Obama sobre o Estado da União. Seu desempenho foi, bem, tedioso. Mas disse uma coisa que me levou a refletir -e não da maneira que ele gostaria.

Ele tentou recobrir seu partido com o manto de Steve Jobs, a quem retratou como um grande criador de empregos -algo que Jobs claramente nunca foi. E, ao perguntarmos por que a Apple criou tão poucos empregos nos EUA, descobrimos alguma coisa sobre o que há de errado com a ideologia que domina boa parte da política americana atual.

Daniels primeiro criticou o presidente por “sua constante depreciação de homens e mulheres de negócios”, o que na verdade representa uma completa mentira. Obama jamais agiu assim. E prosseguiu: “O grande Steve Jobs -e como seu nome era adequado [jobs é empregos em inglês]- criou mais postos de trabalho do que todas aquelas verbas de estímulo que o presidente tomou emprestadas e desperdiçou”.

Daniels claramente não tem grande futuro no ramo do humor. Mas o que importa é que que sua afirmação é completamente falsa: a Apple emprega pouca gente nos EUA.

São apenas 43 mil pessoas nos EUA. No entanto, cria empregos indiretos para cerca de 700 mil pessoas em seus diversos fornecedores. Infelizmente, quase nenhum deles está estabelecido nos EUA.

Por que a Apple fabrica no exterior, especialmente na China? O atrativo não são só os baixos salários. A China também oferece grande vantagem porque já abriga boa parte da cadeia de suprimentos.

As empresas de sucesso -ou ao menos as que dão grande contribuição para a economia de um país- não existem isoladamente. A prosperidade depende da aglomeração, e não do empresário individual.

Mas a visão de mundo atual dos republicanos não aceita esse tipo de consideração. Da perspectiva do partido, tudo depende do empresário heroico, do “criador de empregos”, que nos cumula de benefícios e, portanto, precisa ser premiado com alíquotas tributárias inferiores às pagas pela classe média.

E essa visão ajuda a explicar a furiosa oposição de muitos republicanos à iniciativa política de maior sucesso dos últimos anos -o resgate à indústria automobilística.

Se a quebra da GM e da Chrysler fosse permitida, elas teriam arrastado consigo boa parte da cadeia de suprimentos, o que derrubaria também a Ford. Felizmente, o governo Obama não permitiu isso.

Por isso, deveríamos agradecer a Daniels pelas suas declarações. Ele estava errado quanto aos fatos, mas sem querer colocou em destaque uma importante diferença filosófica entre os partidos. Um lado acredita que a economia só encontra sucesso graças a heroicos empreendedores; o outro nada tem contra os empreendedores, mas acredita que necessitem de um ambiente de sustentação e que o governo ocasionalmente precisa ajudar a criar ou manter esse ambiente.

E a interpretação de que o país precisa de mais que heróis dos negócios se enquadra perfeitamente aos fatos.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

O conluio entre os poderes econômico e político – Plínio de Arruda Sampaio

Sábado na Folha de S. Paulo

Até quando os noticiários dos jornais e da televisão mostrarão as cenas degradantes dos despejos de famílias sem-teto?

A mais recente delas, realizada em uma área de São José dos Santos, expulsou famílias que ocupavam, há oito anos, uma área periférica da cidade.

Oito mil policiais foram desviados das suas funções de manutenção da segurança da população para essa inglória tarefa.

Agindo com violência, esses policiais feriram as pessoas, destruíram as casas e os objetos dessa pobre gente, atingindo até as crianças. Foi uma barbaridade.

O promotor público, obrigado por lei a presenciar essas operações, brilhou pela ausência.

Chama a atenção igualmente a ausência de parlamentares, especialmente daqueles pertencentes aos partidos de esquerda.

Com a exceção honrosa do senador Eduardo Suplicy, é muito raro ver parlamentares presentes nesses eventos com a finalidade de prevenir excessos da força policial.

O mais incrível é que o mesmo Estado que realizou o despejo estava negociando com o proprietário do terreno a aquisição da área, para vender aos ocupantes.

Os advogados dessas famílias fizeram um grande esforço para demonstrar à juíza do processo que a solução do problema era uma questão de dias.

Indiferente ao drama humano que sua decisão causaria, a juíza aplicou mecanicamente a lei e determinou o despejo.

Não contente, um juiz de direito acompanhou o despejo e indeferiu de plano, em pleno local, todas as petições que foram apresentadas pelos advogados com o proposito de evitar a execução do mandado.

Só se justificaria a presença de um magistrado em eventos desse tipo se fosse para prevenir excessos da força policial.

No entanto, a presença de um juiz de direito no Pinheirinho não causou nenhuma inibição nos soldados, em uma evidente demonstração do conluio entre o poder econômico e o poder político nos Estados hegemonizados pela burguesia.

Nesses Estados, a prioridade primeiríssima é sempre a defesa do sacrossanto direito de propriedade. Todo o resto -os direitos humanos, a integridade física, os pequenos pertences das pessoas- fica subordinado ao direito maior.

Por isso, o direito à propriedade de um milionário relapso, que deve milhões de tributos não pagos ao Estado brasileiro, justifica o espancamento de pessoas e a destruição de seus bens.

E agora? Como ficam as famílias despejadas? Quem cuidará delas?

Elas obviamente irão ocupar outra área. Serão novamente expulsas e voltarão a sofrer os mesmos vexames e as mesmas violências.

Isso acontece e continuará acontecendo enquanto não houver uma legislação que coíba a especulação imobiliária, porque é ela que causa o aumento extorsivo do preço dos terrenos e, desse modo, exclui as famílias pobres do mercado.

Pacífica, despolitizada e sem organização, essa população tem aceitado a situação intolerável sem recorrer à violência. Até quando?

Isso vai continuar acontecendo enquanto os partidos de esquerda deixarem de cumprir seu papel de conscientizar e organizar essa massa, para que ela resista a esses ataques de armas na mão.

Na hora em que isto for uma realidade, não haverá violência, porque a consciência dessa realidade será suficiente para manter os cassetetes na cintura.

PLÍNIO DE ARRUDA SAMPAIO, 81, advogado, foi deputado federal pelo PT-SP (1985-1991), consultor da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) e candidato a presidente pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade)

Charge: reintegração impecável!

Laertevisão, hoje na Folha de S. Paulo

A foto diz tudo: o respeito que Luciano “Microfaixa” Ducci tem com os ciclistas

Vídeo “A doutrina do choque” sobre o neoliberalismo

Legendas em Português:

Legendas em Espanhol:

Vídeo imperdível baseado no livro de Naomi Klein “The Shock Doctrine” (La Doctrina del Shock), narra a forma como os chamados “Chicago Boys” de Milton Friedman utilizaram o descobrimento dos electrochoques da psicologia para apagar as recordações e regressar o sujeito a um estado infantil, e poder reescrever sua história, aplicando a doutrina no contexto sócio-econômico dos países em desenvolvimento para propiciar choques econômicos de neoliberais de direita nas ditaduras sul-americanas no Chile (golpe de Pinochet sobre governo democrático de Allende) e Argentina, com privatizações, fim de políticas sociais, com loteamento dos recursos naturais e enriquecimento de empresas multinacionais. O que influenciou também os governos neoliberais de Ronald Reagan, Margaret Thatcher, George W. Bush e a política armamentista dos EUA no Iraque e demais países do oriente médio. Até a guerra foi privatizada.

Governo Alckmin exalta golpe de 64 e o chama de “revolução” para “combater a política sindicalista de João Goulart”, com figura onde está representada uma marcha a favor da ditadura e o símbolo do comunismo sobreposto por um “x”

Do UOL

Charges: Pinheirinho, Alckmin e o PSDB

Rossoni muda tudo na Assembleia Legislativa do Paraná para que tudo fique como está

Valdir Rossoni (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, muda tudo no Parlamento para que tudo fique como está.

O escritor italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa, autor do romance Il Gattopardo (O Leopardo) sobre a decadência da aristocracia italiana, escreveu a máxima da personagem Príncipe de Falconeri: “tudo deve mudar para que tudo fique como está”.

Conforme notícia da Gazeta do Povo, o aumento da verba parlamentar determinado por Rossoni custará mais caro para os paranaenses do que o pagamento do 14º e 15º salários dos deputados estaduais cortados em dezembro do ano passado. Com os dois salários adicionais, o custo anual por deputado aos cofres públicos era de R$ 40,8 mil. Já o reajuste do valor da verba de ressarcimento poderá chegar a R$ 46,8 mil por parlamentar ao ano. Cada deputado hoje está autorizado a gastar R$ 27,5 mil por mês com a verba, e com o aumento o teto será de R$ 31,4 mil, e poderá ser usada para bancar despesas com transporte, correios, gasolina e alimentação.

Rossoni, o lampedusiano, disse que:

“Tudo que é legal vou implantar. O que for ilegal vou cortar”.

Charges: Brasil = EUA

Charge: Fórum Econômico Mundial em Davos tenta salvar o capitalismo

Presidente corrupto do Congresso Nacional faz medidas supostamente moralizadoras no Parlamento para se alavancar como candidato no “O Brado Retumbante”. Alguém sabe de história parecida em algum Estado brasileiro?

Congresso Nacional. Foto de Tarso Cabral Violin / Blog do Tarso

Liberdade de ir e vir

Carta Capital desta semana

IMIGRAÇÃO 1 | O fluxo crescente de estrangeiros exige rever a legislação para imigrantes herdada da ditadura

 

POR LUCAS CALLEGARI E LUIZ ANTONIO CINTRA*

 

James Michael Raffety graduou-se em economia e relações internacionais na Universidade da Carolina do Norte, na Costa Leste dos EUA, em 2008. Tinha planos bem definidos. Pretendia montar uma pequena cooperativa de crédito voltada à população de origem hispânica de Gwinnett, no estado da Geórgia. No início de 2009, detonado pelo estouro da bolha imobiliária, o projeto profissional de Raffety foi pelos ares.

 

Sem um plano B à mão, o economista foi forçado a improvisar. “A tese do Goldman Sachs sobre os BRIC mexeu comigo. Achei que era hora de vir para o Brasil e tentar iniciar minha carreira como aprendiz”, diz o jovem de 26 anos, há dois no País, hoje morador do Recife, a capital pernambucana.

 

Aproveitando os contatos brasileiros da mãe, Raffety encontrou vaga em uma indústria local de baterias automotivas, interessada em diversificar o perfil dos estagiários da empresa, um grupo familiar pernambucano com interesses na incorporação imobiliária, turismo, siderurgia e logística.

 

Antes da crise ele provavelmente seria convidado a ocupar uma vaga de trainee em uma grande empresa norte – americana, com salário de até 3 mil dólares ou 5,1 mil reais, como acontecia com seus veteranos de faculdade. Aceitou trabalhar no Brasil com um salário de 85ô reais na empresa pernambucana, renda que subiu para 2,5 mil reais ao mês após a sua efetivação no departamento de viabilidade financeira. “Aqui tenho acesso ás decisões da diretoria, coisa que seria impossível nos Estados Unidos.”

 

Como demonstram as estatísticas recentes, Raffety não é um caso isolado. O número de espanhóis no País, por exemplo, cresceu 45% nos últimos dois anos. E mais de 50 mil portugueses entraram no ano passado.

 

Quando visita seu país natal, Raffety é procurado por colegas e amigos em busca de informações sobre a vida aqui, com interesse particular sobre o ritmo da economia. “Eles sabem que o aumento real do salário mínimo dos últimos anos é um impulsionador, mas querem detalhes sobre o dia a dia, querem saber como é o movimento nos shoppings, a rotina nos supermercados.

 

Desejados e bem pagos, os estrangeiros mais qualificados vindos da Europa e dos EUA, em geral brancos e graduados, compõem o lado mais tranquilo da onda migratória para o Brasil. Aos 28 anos, Allus Pierre levanta o capacete, tira as luvas que usa no canteiro de obras na pequena Abunã, no estado de Rondônia, a 200 quilômetros da capital Porto Velho, antes de apresentar a sua versão dessa história.

 

“Os haitianos gostam de viajar”, diz o jovem, sorriso estampado no rosto negro reluzente, a demonstrar que também ele vive o seu sonho brasileiro. Segundo Pierre, o apego pelas viagens avivou-se após o trágico terremoto que matou 300 mil pessoas há dois anos e a falta de perspectivas. Chegou ao Brasil em 201L Já conseguiu CPF, Carteira de Trabalho e arrumou emprego fixo com registro.

 

“Quero ficar por um bom tempo”, diz Pierre, apesar da saudade de casa e das dificuldades para o contato com a família. Como em Rondônia a comunicação e precária, poucas vezes consegue uma ligação a partir da central local. Para enviar dinheiro, só mesmo em uma agência do banco Western Union, em Porto Velho. Devido à sua experiência no Haiti, recebe 2 mil reais mensais, mais do que a maioria dos seus conterrâneos.

 

Embora consideráveis, as conquistas recentes não o fazem se esquecer das dificuldades iniciais. O trajeto desde o Haiti foi longo e arriscado, mesclando transporte aéreo e rodoviário. Começou a viagem a pé, até chegar à vizinha República Dominicana. Ali juntou algum dinheiro, pegou um avião para o Panamá. Em seguida, outro para o Equador, onde ouviu falar de trabalho na construção civil brasileira. A partir daí, viajou de ônibus, passando por Peru e Bolívia, para então cruzar a fronteira com o Brasil. “Deu muito trabalho entrar, mas nunca estive sozinho, sempre viajei com muitos amigos. Hoje, vários trabalham na usina, as condições de vida aqui são melhores.”

 

Um dos principais polos de atração de imigrantes, as obras de infraestrutura levam milhares de trabalhadores à região do Rio Madeira. Ali, alguns distritos com população de 5 mil habitantes chegam a ter hoje população flutuante de 50 mil, muitos vindos de outros países.

 

A conjuntura de crise nos países europeus e nos EUA e o ritmo forte da economia brasileira explicam a recente onda migratória – assim como Austrália e Canadá, o Brasil passou a ser visto como porto seguro. E expõem a urgência de o País rever sua legislação vigente, herança da ditadura, elaborada em 1980.

 

————–

 

Há quem defenda “tapete vermelho” apenas para os mais qualificados. Mas onde ficam os direitos humanos?

 

————–

 

Em evento na semana passada, o ministra da Defesa, Celso Amorim, chamou a atenção para esse debate. “Não dá para se tornar a sexta economia do mundo impunemente. Normalmente, as pessoas saíam do País. O Brasil ficou melhor agora e as pessoas querem entrar, naturalmente, teremos de estudar como agir diante dessa nova situação. Não são apenas os haitianas os brasileiros que estão voltando. Temos de procurar exercitar o mesmo humanitário que está presentem o Haiti, de uma maneira compatível com os nossos meios”, afirmou Amorim.

 

Nesse debate, há quem reduza o tema ao “tapete vermelho” para os mais qualificados, enquanto os menos favorecidos – latinos e africanos à frente – seriam tratados corno caso de polícia. Proposta afermentar na Secretária de Assuntos Estratégicos (SAE), ocupada pelo ex-governador fluminense Moreira Franco (PMDB-RJ), vai nessa direção, com ênfase no fim das filas para engenheiros e afins. Aos demais, a liberação de visto de trabalho seguiria a conta-gotas. Procurada por Carta Capital, a SAE preferiu não comentar o texto.

 

Ex-titular da SAE, o diplomata Samuel Pinheiro Guimarães defende uma saída que una as razões econômicas sem deixar de lado os aspectos humanitários. E vantagens aos haitianos, diante da relação estreita a unir as duas nações desde 2004, quando o País passou a liderar a Força de Paz no Haiti, inalnindo a oferta de cursos de língua portuguesa para facilitar a integração. “Não fizemos isso à época da desintegração da união Soviética e foi um erro. Agora, temos de aproveitar o desemprego nos outros países para atrair essas pessoas. Agora precisamos ter uma postura ativa”, diz Guimarães.

 

————

 

Nos anos1940, os imigrantes representavam 3% da população. Hoje esse índice é de apenas 0,2%

 

————

 

A escassez de mão de obra qualificada no País – particularmente fora do eixo Rio-São Paulo – tira o sono de profissionais como Cristiane Paim, gerente do escritório de recursos humanos Randstag, de Salvador (BA). Com o crescimento acelerado dos investimentos industriais e em infraestrutura, esses profissionais correm contra o tempo para localizar trabalhadores com a formação requerida.

 

Segundo Cristiane, a situação é mais complicada nos estados da Bahia e Pernambuco, embora comece a receber notícias de que Fortaleza segue o mesmo caminho. “A demanda por engenheiros é muito grande. Quando não conseguimos suprir vagas com recém-formados brasileiros, temos procurado talentos em outros países, como Alemanha, Portugal e Espanha.”

 

Como Raffety, eles têm vindo, apesar das condições menos favoráveis que lhes são oferecidas no mercado brasileiro, sem falar nos direitos trabalhistas e nos benefícios sociais. Em comparação, claro, com os europeus que mantiveram seus empregos. “Na Europa, um engenheiro recebe praticamente duas ou três vezes o salário inicial de 6 mil reais oferecido no Brasil. Mesmo assim obtemos sucesso em recrutamentos internacionais.

 

Especializada em RH há décadas, a consultoria inglesa Michael Page tem sido muito procurada, especialmente por europeus com nível superior completo. O número de fichas cadastrais preenchidas por eles no website da consultoria cresceu40% em 2011. “Diante da demanda, abrimos uma base estratégica no Recife e consolidamos nossas atividades na Região Sul e em Minas Gerais”, diz Leonardo de Souza, diretor da empresa. Para especialistas como Souza, ainda é grande a burocracia para que um estrangeiro consiga seu visto de trabalho permanente, ainda que existam avanços. “As empresas estão mais abertas à entrada de estrangeiros. Muitas vezes as dificuldades maiores estão no aprendizado da língua, o que dificulta a inserção.

 

Longe da SAE de Moreira Franco, contudo, a tese do “tapete vermelho”, com tratamento diferenciado, não prospera. O secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, por exemplo, considera que o peso crescente dos investimentos estrangeiros também impulsiona a chegada de imigrantes. “O País atraiu 65 bilhões de dólares no ano passado, equivalente a 5% do investimento global. Há dez anos era metade disso. Os imigrantes tendem a acompanhar esse fluxo de capitais”, considera.

 

Para além da economia, Abrão acrescenta razões políticas e culturais, como a maior visibilidade internacional do País nos últimos anos. Foi essa uma das razões que mudaram a cabeça da campineira Ana Cecília Albuquerque e do irlandês David Murphy, que nos últimos dez anos viveram em Estocolmo, onde casaram e tiveram dois filhos. “Em 2007, passamos seis meses aqui, mas não cogitamos voltar àquela altura.Quando viemos de férias, em 2010, ouvimos todos falando das oportunidades que estão surgindo aqui e tomamos a decisão”, diz Ana Cecília, que trabalhou nos últimos anos na embaixada brasileira na capital sueca. David, por sua vez, busca contatos no País para ampliar sua carteira de clientes na área de comunicação corporativa, investindo agora nas empresas suecas, mas também irlandesas, com negócios no mercado brasileiro. “É excitante estar no Brasil neste momento”, resume.

 

Especialistas consideram que não há estatísticas confiáveis sobre o número total de estrangeiros vivendo no Brasil. “Sabemos que o número dos que estão em situação regular está ao redor de 1,5 milhão, também não se sabe quantos brasileiros moram no exterior. Há estimativas de cerca de 3 milhões”, diz o geógrafo Helion Póvoa Neto, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Como começa a haver um fluxo maior de migração de estrangeiros, esse saldo negativo está diminuindo.” O Brasil, aliás, já teve muito mais imigrantes: em 1940, eles representavam 3% da população, ante o atual 0,2%, segundo o IBGE.

 

Abrão, do Ministério da Justiça, reforça a necessidade de avanços normativos. “Uma nova legislação é importante para assegurar um conjunto de direitos

 

dos migrantes para protegê-los, igualando os direitos dos estrangeiros ao dos nacionais. É preciso uma política nacional de imigração que aponte as principais diretrizes desses direitos3 as estratégias e metas durante um determinado período de tempo”, avalia.

 

Durante ogo verno Lula, o Conselho Nacional de Imigração (CNIg) elaborou uma proposta de Política Nacional de Imigração e Proteção ao Trabalhador Migrante, enviadaâCasaCivilem201Ó,que,comano caso do Ministério da Justiça, vai além da tese do “tapete vermelho”. O objetivo principal, aponta a proposta, seria “contribuir para a promoção e proteção dos direitos humanos dos migrantes e incrementar os vínculos das migrações com o desenvolvimento”. A proposta será analisa da também por representantes do Itamaraty.

 

O presidente do CNIg, Paulo Sérgio de Almeida, avalia que o texto tem como eixo principal a proteção do direito das pessoas, mesmo daquelas em situação irregular. “A proposta foi concluída em 2009 e coincidiu com a anistia daquele ano. Há mais de dez anos o Brasil não tinha uma anistía. Foi também no mesmo ato que o presidente Lula encaminhou uma leiao Congresso, onde, infelizmente, andou muito pouco”, diz.

 

Com mais de 160 artigos, o projeto assegura aos imigrantes os mesmos direitos civis e sociais dos brasileiros. Também prevê a possibilidade de concessão de passaporte a estrangeiros, assim como diversos tipos de visto, como turismo, negócios, tratamento de saúde, estudos e trabalho.

 

Concede ainda visto permanente ao estrangeiro com filhos e descendentes que estejam sob sua guarda e dependência econômica, assim como em caso de “notório conhecimento” em sua área de atuação profissional. E transforma o CNIg em Conselho Nacional de migrações, com competência estendida a questões relacionadas à emigração de brasileiros. Embora esteja em tramitação desde 2009 até agora o Congresso Nacional não manifestou interesse pela votação.

 

Em vigor desde1980, o Estatuto do Estrangeiro embutia o que os especialistas consideram uma evidente – e espera da visão autoritária, com foco na segurança nacional. Visava principalmente controlar os estrangeiros, segundo interesses dos donos do poder. Criado também em 1980, ao longo do tempo o CNIg tem procurado aprimorar o estatuto elaborado pelos.militares, apesar dos limites legais, adaptando a abordagem do assunto para um viés mais próximo de uma perspectiva humanista. “A legislação atual restringe a liberdade de reunião de estrangeiros e de participação política. Não tem foco nos direitos humanos e está mais preocupada em atrair o trabalhador qualificado”, avalia Póvoa, da UFRJ. Segundo os especialistas, embora seja urgente que o Brasil aprove uma legislação voltada aos imigrantes e atualize sua política nacional de lmigração, o País avançou nos últimos anos. Em 2009, o governo Lula concedeu anistia migratória por meio da leio°11.961 e permitiu a regularização de perto de 45 mil estrangeiros. Foîtterceira anistia desde o fim dos anos 80. A primeira em 1988 e a segunda em1998, ainda em 2009, o País assinou um acordo de livre residência com os membros do Mercosul, posteriormente estendido à Bolívia, Chile, Equador e Peru.”O objetivo foi facilitar reciprocamente a circulação de pessoas pelo País, acabando com a necessidade de visto prévio” diz Abrao. Elas se tornaram residentes temporários por até dois anos, com a possibilidade de conseguir o visto permanente após esse período.

 

O representante do Ministério da Justiça faz questão de destacar a necessidade de abordar o assunto sem um viés elitista, ou seja, sem privilegiar aqueles mais qualificados, em sentido diverso do que prega a proposta de Moreira Franco. Migrar é um exercício legítimo do direito humano, ligado à busca por novas oportunidades, assim como ocorreu com os brasileiros que saíram do País a partir dos anos 80 para viver nos Estados Unidos, Europa e Japão”, diz. Segundo Abrão, no Brasil a política de imigração não faz nenhuma distinção no tratamento do imigrante em razão de sua qualificação. “O Brasil foi tradicionalmente um país de imigração e nós ganhamos com isso, agregamos habilidades e cultura.

 

No caso dos profissionais estrangeiros mais qualificados, a opinião é de que é possível aproveitar imigrantes disponíveis de imediato para exercer atividades em determinadas áreas, especialmente enquanto se forma uma nova geração de brasileiros com especialização.

 

Para Duval Fernandes, professor da PUC-MG, o movimento dos últimos três anos aguarda respostas efetivas, “Houve crescimento de cerca de 30% nos pedidos de visto de trabalho por parte de estrangeiros mais qualificados, perto de 65% deles têm nível superior completo. Hoje em dia, não é possível mais rotular como fazíamos antigamente, chamando um país de imigrantes e outro de emigrantes. Atualmente há uma grande quantidade de pessoas que saem e entram nos países. É preciso ter políticas que tratem dessas situações e não temos nenhuma.”

 

Segundo Fernandes, o País precisa de uma política de imigração e mecanismos de inserção dos imigrantes no mercado de trabalho. Faltam escolas de português para estrangeiros. E existem queixas dos imigrantes e de organizações não governamentais ao atendimento da Polícia Federal. Reclamam do tratamento, muitas vezes considerado desrespeitoso, com atendentes que falam apenas o português. “O ideal seria um órgão específico, com funcionários de Estado habilitados a atender os imigrantes”, avalia Fernandes,

 

Mais complicado, inclusive pela carga de preconceitos que carrega, é o modo como haitianos, bolivianos e paraguaios são percebidos pela sociedade. Segundo Póvoa, da UFRJ, houve alarmismo por parte da mídia em relação à quantidade de haitianos que entrou no Brasil recentemente. “O Brasil nunca teve esse enfoque de proteção de fronteiras contra imigrantes. O tom do noticiário muitas vezes deu a impressão de que está ocorrendo uma invasão das fronteiras’, mas é um exagero. Uma das legislações mais avançadas é a da Argentina, que facilitou a regularização de maneira ampla dos estrangeiros. Foi muito boa para os imigrantes”, diz.

 

Em sentido contrário seguem os países europeus, onde a crise econômica fermenta a xenofobia. A França de Nicolas Sarkozy, por sinal, bateu recorde de deportações em 2011, em meio à campanha do governo para reduzir o número de imigrantes legais.

 

Aprovada em 2003, a legislação de imigração argentina valorizaria uma sociedade multicultural, integrada ao Mercosul, com respeito aos direitos dos estrangeiros e à sua contribuição cultural e social,ou seja, nada que lembre a tropa de choque.

 

————

 

Em vigor desde 1980, o Estatuto do Estrangeiro possui um viés autoritário, dizem os especialistas

Charge: rico no Brasil não paga imposto mas dá esmola. Assim pode dormir tranquilo e reclamar dos altos impostos

Hoje na Gazeta do Povo

Justiça decide que Luciano Ducci faz propaganda antecipada contra a lei

Ducci, esposa do Derosso, e o até pouco tempo atrás candidato a vice de Ducci, Derosso

Hoje na Gazeta do Povo

Justiça barra circulação de jornais pró-Ducci

Por HELIBERTON CESCA

O juiz da 4.ª Zona Eleitoral, Pedro Luís Corat, determinou que seja suspensa a distribuição do jornal de campanha do PSB e da Gazeta do Trabalhador, que trazem propagandas do prefeito de Curitiba, Luciano Ducci (PSB). A medida atende a uma ação do PT, que alega que os jornais fazem publicidade eleitoral antecipada. A decisão foi tomada pela Justiça Eleitoral no último dia 18, mas só foi divulgada ontem.

Na liminar, o juiz determinaoutambém que o prefeito não faça ligações de telemarketing gravadas com menção a si mesmo. Essa prática já havia sido suspensa, também por uma decisão judicial, em dezembro do ano passado.

No despacho, Corat entendeu que o caso configura propaganda antecipada. “[…] A manutenção das alegadas propagandas pode atingir a igualdade dos candidatos na próxima eleição; e no momento não são permitidas pelo calendário eleitoral”, afirma. O juiz ainda deu prazo de cinco dias para que Ducci, o PSB, e a Gazeta do Trabalhador apresentassem defesa.

No processo, o PT argumenta que a Gazeta do Trabalhador anuncia a candidatura de Ducci e a reeleição dele ainda no primeiro turno. Já o jornal do PSB mostraria o prefeito anunciando melhorias e divulgando obras futuras.

O advogado do PT, Gustavo Bonini Guedes, explica que cada ação judicial pode ter resultados diferentes, apesar de tratarem do mesmo tema. “Na Justiça comum pode ser determinada a devolução dos valores pagos [com o telemar-keting] e, eventualmente, o Ministério Público pode entrar com outra ação por improbidade administrativa. Na Justiça Eleitoral, o caso pode resuktar em multa de R$ 5 mil a R$ 25 mil, ou o valor gasto nas propagandas”, disse Guedes.

Já o advogado de Luciano Ducci, Alcídes Munhoz da Cunha, afirmou que o prefeito ainda não foi citado e desconhece o teor da ação. “Não me impressiona isso [as denúncias]. Estamos cuidando de um virtual candidato. É normal que ocorra isso.”

Segundo Cunha, será apresentada a defesa de Ducci para derrubar a tese de propaganda antecipada. “Tudo depende do contexto da veiculação. Temos que analisar uma a uma [as publicações]. O juiz dá uma liminar como uma garantia, mas isso vai ser esclarecido.”

A reportagem procurou representantes do PSB e da Gazeta do Trabalhador para comentarem a decisão, mas não obteve retorno aos pedidos de entrevistas.

Votou em Beto Richa prefeito? Levou Sabino Picolo!

Prefeito de Curitiba!

Beto Richa (PSDB) foi eleito prefeito para gestão 2008-2012, mas logo depois renunciou para se candidatar ao governo. Com isso assumiu o desconhecido e inexpressivo Luciano Ducci (PSB). O problema é que com a viagem de Ducci para a França e Suíça, quem será nosso prefeito é o presidente em exercício da Câmara de Curitiba, Sabino Picolo (DEM), até o dia 5 de fevereiro. Sim, poderia ser pior, poderia ser nosso prefeito o João Cláudio Derosso (PSDB), presidente licenciado após os escândalos na Câmara Municipal. Antes do escândalo Derosso era o escolhido para ser o vice de Ducci nas eleições de 2012.

Quer desfilar na Gaviões da Fiel em homenagem ao Lula?

A Escola de Samba Gaviões da Fiel, maior torcida organizada do Brasil, vai homenagear o ex-presidente Lula no carnaval 2012 de São Paulo. Caso você pretenda participar dessa festa, fantasias estão sendo vendidas no site da Gaviões. O samba-enredo chama-se “Verás que um filho fiel não foge à luta. Lula, o retrato de uma nação”.

As alas “Profissão Cidadão”, que conta a história do PT, e “Salve Jorge”, que marca a passagem de Lula pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) já estão esgotadas.

Há fantasias em outras alas (clique aqui) e os interessados podem procurar mais informações na quadra da escola ou por meio do telefone (11) 3334-1004.

Algumas fantasias convencionais:

ALA 21 – DIPLOMA DE BRASILEIRO

Ala Chega Mais

Contato: Carlão – Tel: (11) 9776-5439 / (13) 7822-6699 / ID: 966*10593 (carlaoalachegamais@hotmail.com)

ALA 23 – O BRASIL NO MAPA

Ala Sedução

Contato: Rosina – Tel: (11) 9376-6299 (rosinachiapetta@bol.com.br)

Algumas fantasias VIP:

ALA 09 PARTIDO DOS TRABALHADORES

ALA 10 LIBERDADE DE IMPRENSA

ALA 25 FUTEBOL E CARNAVAL

Maiores informações:

(11)3334-1004 / (11) 3221-4310 / (11) 3334-1414. e-mail: vip@gavioes.com.br

Clique aqui para compras online.

Abaixo, o samba-enredo oficial da Gaviões da Fiel para Carnaval 2012:

“Verás que o filho fiel não foge à luta – Lula o retrato de uma nação”

Compositores: Grandão, Batata, Netinho, Max, Dentinho, Luciano, Mariano Araújo e Magrão R1.
Interprete: Wantuir

Vai meu gavião…
Cantando a saga do menino sonhador
Um filho do sertão, cabra da peste… Irmão
Que Deus Pai iluminou!
Trouxe no sangue a coragem, a fé
O poder regendo seu destino!
Na cidade grande a esperança… O futuro promissor!
Traçou seu o caminho
Cresceu e foi à luta… Prá vencer
E o sonho se torna real
Luiz Inácio o operário nacional!

Companheiro fiel… Por liberdade
Na corrente do bem… Contra a maldade! (Bis)
Elo forte da democracia
A luz da nossa estrela guia!

Viu… No coração do Brasil
Tanta desigualdade
O retrato da realidade
A utopia buscando a dignidade!
Solta o grito da garganta e vem comemorar
A soberania popular
Felicidade…
O povo unido venceu
A cidadania resplandeceu
Uma nova era aconteceu!

Eu sou da nação… Sou valente e festeiro
Corinthiano loucamente apaixonado! (Refrão)
Em oração a São Jorge Guerreiro
Peço que o brasileiro seja sempre abençoado!