Charge: Justiça

Hoje na Folha de S. Paulo

O caos da ordem – Boaventura de Souza Santos


Em Londres, estamos perante a denúncia violenta de modelo que tem recursos para resgatar bancos, mas não os tem para uma juventude sem esperança


Hoje na Folha de S. Paulo

Os motins na Inglaterra são um perturbador sinal dos tempos. Está a ser gerado nas sociedades um combustível altamente inflamável que flui nos subterrâneos da vida coletiva sem que se dê conta.
Esse combustível é constituído pela mistura de quatro componentes: a promoção conjunta da desigualdade social e do individualismo, a mercantilização da vida individual e coletiva, a prática do racismo em nome da tolerância, o sequestro da democracia por elites privilegiadas e a consequente transformação da política em administração do roubo “legal” dos cidadãos. Cada um dos componentes tem uma contradição interna.
Quando elas se sobrepõem, qualquer incidente pode provocar uma explosão de proporções inimagináveis. Com o neoliberalismo, o aumento da desigualdade social deixou de ser um problema para passar a ser a solução.
A ostentação dos ricos transformou-se em prova do êxito de um modelo social que só deixa na miséria a maioria dos cidadãos porque estes supostamente não se esforçam o suficiente para terem êxito.
Isso só foi possível com a conversão do individualismo em valor absoluto, o qual, contraditoriamente, só pode ser vivido como utopia da igualdade, da possibilidade de todos dispensarem por igual a solidariedade social, quer como agentes dela, quer como seus beneficiários.
Para o indivíduo assim construído, a desigualdade só é um problema quando lhe é adversa; quando isso sucede, nunca é reconhecida como merecida. Por outro lado, na sociedade de consumo, os objetos de consumo deixam de satisfazer necessidades para as criar incessantemente, e o investimento pessoal neles é tão intenso quando se têm como quando não se têm.
Entre acreditar que o dinheiro medeia tudo e acreditar que tudo pode ser feito para obtê-lo vai um passo muito curto. Os poderosos dão esse passo todos os dias sem que nada lhes aconteça. Os despossuídos, que pensam que podem fazer o mesmo, acabam nas prisões.
Os distúrbios na Inglaterra começaram com uma dimensão racial. São afloramentos da sociabilidade colonial que continua a dominar as nossas sociedades, muito tempo depois de terminar o colonialismo político. Um jovem negro das nossas cidades vive cotidianamente uma suspeição social que existe independentemente do que ele ou ela seja ou faça.
Tal suspeição é tanto mais virulenta quando ocorre numa sociedade distraída pelas políticas oficiais da luta contra a discriminação e pela fachada do multiculturalismo.
O que há de comum entre os distúrbios da Inglaterra e a destruição do bem-estar dos cidadãos provocada pelas políticas de austeridade comandadas por mercados financeiros? São sinais dos limites extremos da ordem democrática.
Os jovens amotinados são criminosos, mas não estamos perante uma “criminalidade pura e simples”, como afirmou o primeiro-ministro David Cameron.
Estamos perante uma denúncia política violenta de um modelo social e político que tem recursos para resgatar bancos e não os tem para resgatar a juventude de uma vida sem esperança, do pesadelo de uma educação cada vez mais cara e mais irrelevante, dados o aumento do desemprego e o completo abandono em comunidades que as políticas públicas antissociais transformaram em campos de treino da raiva, da anomia e da revolta.
Entre o poder neoliberal instalado e os amotinados urbanos há uma simetria assustadora. A indiferença social, a arrogância, a distribuição injusta dos sacrifícios estão a semear o caos, a violência e o medo, e os semeadores dirão amanhã, genuinamente ofendidos, que o que semearam nada tem a ver com o caos, a violência e o medo instalados nas ruas das nossas cidades.


BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS, sociólogo português, é diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (Portugal). É autor, entre outros livros, de “Para uma Revolução Democrática da Justiça” (Cortez, 2007).

Privatizações e interesse público – José Goldemberg

O sistema estatal tem grandes vantagens, porque permite um planejamento de longo prazo, tendo em vista o interesse público, definido pelo governo. Quando as empresas são privadas, a responsabilidade de seus dirigentes é proteger os interesses dos acionistas, maximizando o seu investimento. O interesse público é servido na medida em que não reduza a lucratividade da empresa. O sistema estatal investe pesadamente, mesmo endividando-se, para atender às demandas sociais. Em países em desenvolvimento com crescimento demográfico acelerado, e até caótico, a presença do Estado é essencial para dirigir investimentos a áreas carentes, nas quais as empresas privadas não se interessariam em investir.

O Estado de S. Paulo de 15.08.2011 (divulgado por Luis Nassif). Veja texto completo: Continuar lendo

Anibelli Neto é o único Deputado do PMDB que se nega apoiar Governo Beto Richa

A maioria dos votos dos eleitores paranaenses em deputados estaduais do PMDB do Paraná representou um não ao retorno dos ideais neoliberais do Governo Jaime Lerner e no seu candidato, Beto Richa (PSDB), contrários ao Governo Requião (PMDB).

Segundo informação da jornalista Roseli Abrão, o único deputado estadual do PMDB que não entrará na base de apoio de Beto Richa e que pretende honrar os votos recebidos é Antonio Anibelli Neto, que respeita o recado das urnas.

Os demais, infelizmente, por alguns carguinhos e quem sabe algo mais, abraçaram a bancada de situação. É triste a realidade da política parananese, o que cada vez mais faz parecer que ainda somos uma quinta comarca.

Vote na enquete do Blog do Tarso sobre a eleição para Prefeito em Curitiba

Celepar se abraça com a Microsoft. Jogará no lixo o software livre?

A Lei Estadual 14.058/2003 determina que a Administração Pública do Paraná, inclusive as entidades de Direito Privado da Administração indireta, deve preferencialmente utilizar programas abertos de computador.

O Governo Beto Richa (PSDB), por meio da Companhia de Informática do Paraná – Celepar, já está começando a se vender aos ideais do software proprietário, em especial aos interesses da Microsoft.

Dia 18 de agosto ocorrerá palestra com a Microsoft, no âmbito da Celapar.

Trocar softwares livres por softwares proprietários no âmbito da Administração Pública é trocar o interesse público pelo privado, trocar o compartilhamento pela negociata, trocar serviços nacionais por empregos no exterior.

Vade retro Microsoft!

Denúncia: Beto Richa compra azeitonas sem licitação para a pizza que será a CPI do Derosso

O Deputado Tadeu Veneri (PT) denunciou hoje que o Governo Beto Richa já gastou mais de R$ 59 milhões sem licitação. Entre os gastos estão especiarias na Casa da Azeitona. O Blog do Tarso questiona: será que é para a pizza que o governador quer que se transforme a CPI do Derosso?

Ademar Traiano (PSDB), líder do Governo Beto Richa na Assembléia Legislativa, ficou nervoso com as denúncias. Será que é medo das denúncias do MP contra irregularidades em seu gabinete?

Terceiro Setor incontrolável

Controle de ONGs é frágil (hoje na Gazeta do Povo, por Sandro Moser)

As recorrentes denúncias de desvios de verbas públicas envolvendo as Organizações Não-Governamentais (ONGs) revelam um vácuo no controle das relações entre o poder público e o ter­­­ceiro setor. Criadas para atender a demandas que não são su­­pridas pelo governo, algumas ONGs têm sido foco de corrupção e, mui­­tas vezes, atendem a objetivos eleitoreiros, embora se declarem sem fins lucrativos e tenham isenção no Imposto de Renda.

Só no ano passado, cerca de R$ 5,5 bilhões saíram dos cofres federais para instituições do terceiro setor. Neste ano, aproximadamente R$ 2 bilhões foram repassados até agora. Esses nú­­meros, do Portal da Transpa­rência da União, não incluem os recursos repassados a estados e municípios e transferidos por meio de convênios ou parcerias para ONGs. Portanto, o volume de dinheiro saído dos cofres federais e repassado para o terceiro setor é ainda maior.

Apesar disso, o sistema de controle específico para verificar a utilização desses recursos é falho. Tribunais de Contas, Ministérios Públicos e polícia fazem o controle do que já foi aplicado, como no esquema desmantelado no ministério do Turismo.

“A colaboração da iniciativa privada é uma tendência moderna da administração. A ideia é poupar recursos públicos com a eficiência da iniciativa privada.”, diz Bruno Pereira Ramos advogado e coordenador do PPP Brasil – O Observatório das Parcerias Público-Privadas. Para Pereira, é preciso que a sociedade civil, órgãos de pesquisa, a academia e o governo façam uma investigação do modelo e descubram, de forma criativa, mecanismos próprios de controle antes de pensar em sepultar o modelo.

Na avaliação do professor de Direito Constitucional Egon Bockmann Moreira, da Univer­sidade Federal do Paraná, os problemas podem ser amenizados colocando luz sobre estas relações, com enfoque em transparência, prestação de contas e responsabilização. Ele destaca iniciativas como a da Assembleia Legislativa do Paraná. Em julho, a casa aprovou um projeto do deputado Caíto Quintana (PMDB) que obriga as ONGs e outras entidades privadas sem fim lucrativo que têm convênios com o estado ou municípios paranaenses, a apresentarem o balanço das transferências go­­vernamentais em suas páginas na internet.

De acordo com o projeto, a prestação de contas deverá ser feita mensalmente, sob pena de suspensão dos repasses e responsabilização criminal dos responsáveis pela gestão dos recursos. A lei vale para todas as entidades sem fins lucrativos, independentemente do montante, ao contrário da lei federal que dispõe sobre o assunto – que vale apenas para contratos superiores a R$ 200 mil.

Tristes exemplos

Relembre alguns escândalos recentes envolvendo ONGs e Oscips:

• Em maio de 2011, a operação Dejavu da PF prendeu 16 pessoas em seis estados, acusadas de desviar recursos públicos em contratos entre prefeituras e organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips). Segundo a PF, os supostos desvios de dinheiro foram cometidos pelas entidades Adesobras e Ibidec, com sede em Curitiba, em contratos que passavam de R$ 100 milhões.

• Em maio de 2010, a PF prendeu 11 pessoas em Londrina por desviar recursos de programas sociais federais na área da saúde e educação, com prejuízo estimado em R$ 300 milhões aos cofres públicos. Os recursos eram obtidos por meio de uma Oscip, chamada Centro Integrado de Apoio Profissional (Ciap). Desde 2005, o Ciap faturou mais de R$ 1 bilhão em verbas publicas. Em maio de 2011, a mesma ONG foi alvo de uma nova operação da PF, por desvios em compra de medicamentos.

• Entre 2008 e 2009, a ONG Bola Pra Frente foi acusada pelo jornal O Estado de S. Paulo de cobrar taxa de prefeituras do interior de São Paulo para implantar o programa Segundo Tempo, do governo federal. Durante o período, a entidade foi a que mais recebeu da pasta, com R$ 28 milhões repassados para levar o projeto de inclusão social às cidades.

• Em 2007, O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou um esquema envolvendo ONGs ligadas ao ex-governador Anthony Garotinho e a sua sucessora, Rosinha Garotinho, por meio da Fundação Escola do Serviço Público (Fesp). As quatro ONGs envolvidas receberam cerca de R$ 257 milhões e desviaram recursos usando empresas de fachada. Os ex-governadores respondem por improbidade administrativa.

• Em 2006, o”churrasqueiro” de Lula e um dos chefes do comitê de reeleição Jorge Lorenzetti foi preso, acusado de ser o mentor da operação de compra de um dossiê contra o candidato José Serra (PSDB). O episódio ficou conhecido como “escândalo dos Aloprados”. Segundo o site Contas Abertas, a ONG Unitrabalho, ligada a Lorenzetti, recebeu R$ 18,5 milhões no governo Lula, 21 vezes mais do que durante os dois governos de FHC.

O Blog do Tarso recomenda o filme “Quanto vale ou é por quilo?”:

Partido de Beto Richa, ao invés de apurar Derosso, ataca a Bela e a Fera


PSDB parte para o contra-ataque (hoje na Gazeta do Povo, por Ana Carolina Nery)

Vereadoras que levantaram suspeitas contra Derosso são alvos de denúncias da bancada tucana. Partido se reúne hoje para definir estratégia

Os vereadores do PSDB de Curitiba devem começar nesta semana uma ofensiva contra os partidos e parlamentares que fizeram de­­núncias contra o presidente da Casa, João Cláudio Derosso (PSDB). A bancada tucana cogita pedir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar um caso de nepotismo que envolveria a vereadora Renata Bueno (PPS). E também fez uma denúncia de improbidade contra a vereadora Professora Josete (PT).

A situação entre as bancadas na Câmara começou a se acirrar depois que surgiram várias denúncias contra Derosso. O presidente da Câmara é investigado por suspeitas de favorecer a esposa em um contrato de publicidade da Câmara, contratar irregularmente funcionários da Assembleia do Paraná e praticar nepotismo. Renata Bueno foi a autora de um pedido de Comissão Processante contra Derosso. Josete foi a responsável pela denúncia de nepotismo.

A bancada do PSDB se reúne às 10 horas de hoje para decidir como será a estratégia de atuação. A se­­ma­­na é considerada decisiva na Câmara. A oposição a Derosso já conta com nove assinaturas para pedir uma CPI contra o presidente. A comissão só é instalada com 13 adesões. Derosso também depõe na quinta-feira no Conselho de Ética.

Nepotismo

De acordo com denúncia do PSDB, o vereador Zé Maria (PPS) teria em­­pregado em seu gabinete o tio da vereadora Renata Bueno (PPS), Leo­­nesto Emílio Eitelewein. Segundo o vereador Paulo Frote (PSDB), a corregedoria da Câmara decidirá se encaminha o caso para a Co­­missão de Ética. “Independente­mente disso, o partido pedirá in­­vestigação. Isso caracteriza nepotismo cruzado”, diz.

A vereadora Renata Bueno afirma que não vê problemas na contratação. “Eles [Zé Maria e Eitel­wein] trabalham juntos desde antes de eu nascer”, disse. Renata diz que vê a medida como uma retaliação, mas afirmou que os ataques não devem mudar o foco das denúncias contra Derosso. “O partido tenta intimidar de todas as formas, mas estou muito segura. Eles acabam nos fortalecendo com isso. Tenho recebido muito apoio.”

Improbidade

Professora Josete foi denunciada na última sexta-feira por usar equipamento da Câmara para copiar material de denúncia contra De­­rosso. Segundo o vereador Paulo Frote, foram copiados 2 mil folhetos. “O primeiro secretário, informado após o diretor tomar conhecimento do fato, tem de abrir denúncia, porque foi utilizado dinheiro público para produzir o material”, disse.

Para Josete, não há irregularidade. “O funcionário da Câmara deveria ter se negado a fazer as cópias, então”, defendeu-se. Frote protesta. “É má-fé dizer que não sabia que não podia fazer as cópias dentro da própria Casa, ainda mais com a pressão que a Câmara está sofrendo. Incitar a população dessa maneira é um problema sério, de segurança”, avaliou. Contudo, a vereadora diz estar tranquila. “É uma maneira que o partido tem de tentar tirar o foco do debate.”

Metade dos panfletos chegou a ser entregues na sexta-feira em algumas praças de Curitiba, informou Josete. A outra metade, disse ela, foi devolvida ao chefe do setor de patrimônio da Câmara depois de a vereadora ter sido notificada da existência de uma contestação.

Tensão

A Câmara de Curitiba vive uma semana agitada. Veja o calendário:

Hoje – Plenário vota recurso da vereadora Renata Bueno, pedindo criação de uma Comissão Processante contra João Cláudio Derosso (PSDB). O PSDB, por sua vez, se reúne para decidir como trata as denúncias contra partidos de oposição.

Quinta-feira – Acaba o prazo para que a Comissão de Inquérito entregue relatório sobre acusação de nepotismo feita contra Derosso. Também neste dia, Derosso depõe ao Conselho de Ética sobre duas outras acusações, de favorecimento de sua esposa e contratação irregular de funcionários.

Revista Caros Amigos lançará edição especial da esquerda

Rossoni pode ser cassado pelo TRE por denúncia de Caixa 2 do MP

Rossoni e seu aliado tucano Beto Richa, que também foi denunciado por Caixa 2

O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) julga hoje o pedido de cassação do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB).

De acordo com o Ministério Público, o tucano não comprovou a origem de alguns recursos captados para a campanha eleitoral de 2010. Ainda segundo o MP, diversas despesas foram pagas com um único cheque.

Segundo o MP, dos R$ 528 mil arrecadados para a campanha, cerca de R$ 76 mil foram pagos em espécie. Haveria ainda duplicidade de lançamentos, atraso na primeira prestação parcial de contas e erros de preenchimento na prestação de contas.

Veja na íntegra a súmula do TRE:

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Charge: inscrições de descobertas no Congresso

Hoje na Gazeta do Povo

Hans Kelsen e a teoria pura do direito – José Antonio Dias Toffoli



Conhecer Kelsen é aprender muito sobre o Brasil, sua Federação e o modo como nossas instituições, inclusive o Supremo, são organizadas


Não há um Prêmio Nobel para o direito. Mas, se ele existisse, seu primeiro ganhador deveria ter sido o jurista Hans Kelsen, como bem afirma Mathias Jestaedt.
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Charge: Amadores

Charge: 21 tiros

Aroeira

Charge: neoliberais órfãos do modelo estadunidense

Depois de Derosso, agora foi Ney Leprevost que perdeu a chance de ser vice de Luciano Ducci

Com os escândalos na Câmara de Vereadores de Curitiba, o seu presidente João Cláudio Derosso (PSDB), que seria o candidato a vice de Luciano Ducci (PSB) nas eleições de 2012 para a Prefeitura de Curitiba, foi defenestrado da aliança da situação.

Com os escândalos do Ministério do Turismo nos convênios com a ONG Instituto de Desenvolvimento da Organização Nacional de Excelência Administrativa – Iabras, agora foi a vez do deputado estadual Ney Leprevost (PP do Maluf ou PSD do Kassab), que tinha esperanças em ser o candidato a vice de Ducci, ter seu nome totalmente descartado da aliança situacionista.

Segundo a Gazeta do Povo, a empresa CWB de João Guilherme Leprevost, irmão do deputado Leprevost, citada nas investigações do TCU, é prestadora de serviços da entidade do Terceiro Setor envolvidas nos escândalos (Iabras). Segundo a Gazeta do Povo a CWB teria participado de licitações no âmbito do Iabras com empresas de fachada. Ainda há dúvidas se realmente os serviços foram prestados.

O Blog do Tarso alerta: celebração de convênio sem licitação para prestação de serviços, e não contrato com licitação, com posterior repasse dos serviços relativos ao convênio para outras empresas, é uma ilicitude que deve ser questionada pelo Tribunal de Contas e Ministério Público.

Zygmunt Bauman fala sobre as manifestações populares em Londres

“Foi um motim de consumidores excluídos”, diz sociólogo Zygmunt Bauman (Publicado no O Globo)

Um dos mais influentes acadêmicos europeus, já descrito por alguns comentaristas mais entusiasmados como o mais importante sociólogo vivo da atualidade, o polonês Zygmunt Bauman viu nos distúrbios de Londres uma aplicação prática de suas teorias sobre o papel do consumismo na sociedade pós-moderna. Um assunto que o acadêmico, radicado em Londres desde 1968, quando deixou a Polônia após virar persona non grata para o regime comunista e por conta de uma onda de anti-semitismo no país, explorou bastante em conjunção com as discussões sobre desigualdade social e ansiedade de quem vive nas grandes cidades.

Aos 85 anos, autor de dezenas de livros, como “Amor líquido” e “O mal-estar da pós-modernidade”, Bauman não dá sinais de diminuir o ritmo. Há cinco anos, no lançamento de “Vida para Consumo”, uma de suas obras mais populares, fez uma turnê por vários países. Em entrevista aoGlobo, por e-mail, ele afirma que as imagens de caos na capital britânica nada mais representaram que uma revolta motivada pelo desejo de consumir, não por qualquer preocupação maior com mudanças na ordem social.

– Londres viu os distúrbios do consumidor excluído e insatisfeito.

O GLOBO: O quão irônico foi para o senhor ver os distúrbios se concentrando na pilhagem de roupas e artigos eletrônicos?

ZYGMUNT BAUMAN: Esses distúrbios eram uma explosão pronta para acontecer a qualquer momento. É como um campo minado: sabemos que alguns dos explosivos cumprirão sua natureza, só não se sabe como e quando. Num campo minado social, porém, a explosão se propaga, ainda mais com os avanços nas tecnologias de comunicação. Tais explosões são uma combinação de desigualdade social e consumismo. Não estamos falando de uma revolta de gente miserável ou faminta ou de minorias étnicas e religiosas reprimidas. Foi um motim de consumidores excluídos e frustrados.

O GLOBO:Mas qual a mensagem que poderia ser comunicada?

BAUMAN: Estamos falando de pessoas humilhadas por aquilo que, na opinião delas, é um desfile de riquezas às quais não têm acesso. Todos nós fomos coagidos e seduzidos para ver o consumo como uma receita para uma boa vida e a principal solução para os problemas. O problema é que a receita está além do alcance de boa parte da população.

O GLOBO:Trata-se de um desafio a mais para as autoridades na tarefa de acalmar os ânimos, não?

BAUMAN: O governo britânico está mais uma vez equivocado. Assim como foi errado injetar dinheiro nos bancos na época do abalo global para que tudo voltasse ao normal – isso é, as mesmas atividades financeiras que causaram a crise inicial – as autoridades agora querem conter o motim dos humilhados sem realmente atacar suas causas. A resposta robusta em termos de segurança vai controlar o incêndio agora, mas o campo minado persistirá, pronto para novos incêndios. Problemas sociais jamais serão controlados pelo toque de recolher. A única solução é uma mudança cultural e uma série de reformas sociais. Senão, a mistura fica volátil quando a polícia se desmobilizar do estado de emergência atual.

O GLOBO:Jovens de classe baixa reclamam demais da falta de oportunidades de trabalho e educação. O senhor estranhou não ter visto escolas pegando fogo, por exemplo?

BAUMAN: Qualquer que seja a explicação dada por esses meninos e meninas para a mídia, o fato é que queimar e saquear lojas não é uma tentativa de mudar a realidade social. Eles não se rebelaram contra o consumismo, e sim fizeram uma tentativa atabalhoada de se juntar ao processo. Esses distúrbios não foram planejados ou integrados, como se especulou no início. Tratou-se de uma explosão de frustração acumulada. Muito mais um porquê que um para quê.

O GLOBO:Mesmo o argumento de protesto contra os cortes de gastos do governo não deve ser levado em conta?

BAUMAN: Até agora, não percebi qualquer desejo mais forte. O que me parece é que as classes mais baixas querem é imitar a elite. Em vez de alterar seu modo de vida para algo com mais temperança e moderação, sonham com a pujança dos mais favorecidos.

O GLOBO:Mais problemas são inevitáveis, então?

BAUMAN: Enquanto não repensarmos a maneira como medimos o bem-estar, sim. A busca da felicidade não deve ser atrelada a indicadores de riqueza, pois isso apenas resulta numa erosão do espírito comunitário em prol de competição e egoísmo. A prosperidade hoje em dia está sendo medida em termos de produção material e isso só tende a criar mais problemas em sociedades em que a desigualdade está em crescimento, como no Reino Unido.

Show de Toquinho no Teatro Positivo

Ontem o corinthiano Toquinho fez seu show em Curitiba, com a participação da competente cantora Verônica Ferriani. Na véspera do dia dos pais o presente foi para toda a platéia, na qual inclusive tinha crianças. Cantou suas músicas consagradas e fez homenagens aos mestres da Bossa Nova e MPB, como Tom Jobim, Vinícius de Morais, entre outros. O ponto alto do show foi quando tocou no violão o clássico Johann Sebastian Bach.

Toquinho contou duas estórias sensacionais: Vinícius de Morais criou uma poesia de frente para a praia de Itapoã, na Bahia. Toquinho leu a poesia e queria transformá-la em música, mas Vinícius disse que a poesia era um Dorival Caymmi, pois Vinícius ainda não confiava no talento de Toquinho. Sem tempo para convencer Vinícius, pois tinha pressa em viagem para São Paulo, Toquinho levou a poesia escondida de Vinícius, e transformou-a na Tardes em Itapõa. Na volta, ainda bravo, Vinícius ao ouvir a música desistiu de passar a poesia para Caymmi. Outra: Toquinho fez uma melodia e apresentou para Vinícius incluir a letra. Vinícius gostou da música mas disse para Toquinho fazer uma espécie de concurso entre letristas de todo o Brasil para fazerem uma homenagem para… o próprio Vinícius. O primeiro a fazer foi Chico Buarque, que prontamente foi aprovada por Vinícius, que desistiu de outras tentativas. Surgiu assim a Samba para Vinícius, de Chico e Toquinho.

Uma “palhinha” do show filmado via celular (O Caderno):

Dica de filme da semana: O Concerto