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O auge do capitalismo de Estado

3 jun

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Se a América do Sul ainda aspira alcançar o desenvolvimento industrial, a inclusão social e a integração regional como processos duradouros e sustentáveis, a região não terá mais alternativa que subir à nova onda desenvolvimentista e abandonar as premissas privatizadoras do passado.

Por Eduardo Crespo*, na Carta Maior

Há alguns meses, na revista ‘The Economist’ (veja aqui no Blog do Tarso), está sendo debatida uma tendência internacional que a publicação nomeia com manchetes do tipo: “A ascensão do capitalismo de Estado”; “A volta da mão visível”; “A era do livre mercado chegou ao fim”; “O Leviatã está de volta”. E a melhor de todas: “O retorno da história”. Outras publicações como ‘Business Week’, ‘Financial Times’ e ‘Foreign Affairs’ fizeram eco do intercâmbio. Além disso, vários livros dedicados a esse tema já são best-sellers. Como acontece atualmente com tantos outros assuntos, o que motiva este debate é a ascensão econômica chinesa e as sérias interrogações que esse processo apresenta ao discurso econômico dominante das últimas décadas.

Fica complicado ao pensamento liberal interpretar um mundo cada dia mais permeado pela economia chinesa e pelas asiáticas em geral. Trata-se de organizações híbridas que combinam formas de propriedade incompatíveis com o paradigma dominante. Destas formas, a mais subversiva e irritante é a empresa pública. No período 2003-2010, um terço de todo o investimento estrangeiro direto registrado nas economias emergentes foi executado por empresas estatais e a porcentagem continua crescendo. Estas companhias ganham licitações para obras de infraestrutura em todos os continentes e simultaneamente adquirem, muitas vezes com a ajuda de fundos soberanos do Estado, empresas privadas estrangeiras. Continuar lendo

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Charge: The Economist, a Veja da Inglaterra

20 dez

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A mão visível e o Capitalismo de Estado (The Economist – Carta Capital)

26 fev

A Carta Capital de 15.02.2012 publicou interessante matéria do “The Economist” sobre o Capitalismo de Estado com o título “A mão visível”.

A reportagem de 15 páginas informa que a crise do capitalismo liberal ocidental coincidiu com a ascensão de uma poderosa nova forma de capitalismo de Estado nos mercados emergentes: “A crise do capitalismo liberal foi agravada pela ascensão de uma poderosa opção: o capitalismo de Estado, que tenta fundir os poderes oficiais com os poderes do capitalismo. Ele depende de o governo escolher vencedores e promover o crescimento econômico, mas também usa instrumentos capitalistas como o lançamento de ações das companhias estatais nas bolsas e abraça a globalização”.

“O Estado chinês é o maior acionista das 150 maiores empresas do país e determina os rumos de milhares de outras.”

“As 13 maiores companhias petrolíferas, que entre si possuem mais de três quartos das reservas mundiais de petróleo, são todas controladas pelo Estado. Assim como a maior companhia de gás natural do mundo, ar ussa Gazprom. Estatais de sucesso encontram-se em quase todos os setores”.

“As empresas estatais somam 80% do valor do mercado de ações na China, 62% na Rússia e 38% no Brasil”

O texto informa que o mundo rico ainda tem um grande número de empresas controladas pelo Estado: a França tem 85% da EDF energia, o Japão tem 50% da Japan Tabacco e a Alemanha tem 32% da Deutsche Telekom.

O artigo fala do Brasil:

“O Brasil é o membro mais ambíguo do time do capitalismo de Estado: uma democracia que também adota muitas características do capitalismo anglo-saxão. Mas vale a pena examiná-lo por duas razões. Primeiro, é um catavento do capitalismo de Estado, uma liderança nas privatizações na década de 1990 que agora força sua maior mineradora, a Vale, a segurar trabalhadores que não precisa e obriga empresas menores a embarcar em uma consolidação subsidiada. E segundo, inventou uma das ferramentas mais afiadas do repertório do capitalismo de Estado.

O Brasil passou a maior parte de sua história moderna a perseguir uma modernização conduzida pelo Estado. Uma pesquisa no começo da década de 1980 mostrou que o País tinha mais de 500 EEs. O Brasil lançou um esforço de privatização nos anos 1990 para lidar com a hiperinflação, déficits em disparada e uma esclerose generalizada. Mas recentemente ele moveu-se em uma nova direção. O governo despejou recursos em um punhado de campeãs estatais, particularmente de recursos naturais e telecomunicações. Também criou um novo modelo de política industrial: substituiu a propriedade governamental direta por indireta por meio do Banco nacional de Desenvolvimento Econômico e Social(BNDES) e sua subsidiária de investimentos (BNDESPar) e trocou o controle majoritário por minoritário ao adquirir ações de uma ampla gama de diferentes empresas. Sergio Lazzarini, do (Insper) Instituto de Ensino e Pesquisa, e Aldo Musacchio, da Harvard Business School, batizaram o modelo de “Leviatã como Acionista Minoritário”.

O modelo de acionista minoritário tem várias vantagens. Limita a capacidade do Estado de usar as EEs para recompensar clientes ou conduzir políticas sociais. Os acionistas privados têm poder suficiente para criar barulho. Mas também dá ao Estado mais influência em troca do seu dinheiro. Em 2009, as participações da BNDESPar valiam 53 bilhões de dólares, ou apenas 4% do mercado de ações. Mas o Estado tinha uma grande influência em todo o Brasil corporativo. Os professores Sergio Lazzarini e Aldo Musacchio também mostraram, em um estudo detalhado de 296 empresas negociadas na Bolsa de São Paulo, entre 1995 e 2003, que esse modelo pode aumentar o retorno das companhias sobre seus ativos. As empresas brasileiras normalmente sub investem em equipamentos para aumentar a produtividade, porque os mercados de capital são muito subdesenvolvidos. As participações estatais as proveem de recursos que não poderiam conseguir em outros lugares.

Mas essa astuta versão de capitalismo de Estado está atualmente correndo perigo de exceder suas possibilidades. A descoberta da Petrobras, em novembro de 2007, de enormes reservas de petróleo enterradas profundamente sob o leito do Atlântico encheu a cabeça dos políticos de sonhos sobre grandes projetos. A mudança no equilíbrio mundial de poder dos Estados Unidos para a China também ajudou a persuadir muitos brasileiros de que o futuro está no capitalismo de Estado. O resultado foi um surto de intervencionismo insensato. O governo está tentando forçar a Petrobras a usar caros fornecedores locais de equipamentos apesar de dúvidas quanto à sua competência. Ele tirou Roger Agnelli de seu cargo de CEO da Vale a despeito de seu formidável histórico. E também deu para criar campeãs nacionais por meio de fusões forçadas: a BRF (Sadia e Perdigão)no setor de alimentação; a Oi (que foi obrigada a comprar a Brasil Telecom)nas telecomunicações; a Fibria (VCP e Aracruz) no papel e celulose. Até os modelos mais sofisticados de capitalismo de Estado não estão a salvo de políticos excessivamente zelosos.

Todas essas variedades de capitalismo de Estado têm uma coisa em comum: os políticos têm muito mais poder do que sob o capitalismo liberal. Em regimes autoritários, eles podem reestruturar setores inteiros com uma canetada. Até mesmo nas democracias como o Brasil eles podem dizer às maiores empresas o que fazer.”

O texto ainda diz que é perfeitamente possível para o capitalismo de Estado funcionar bem em algumas áreas (como infraestrutura) e mal em outras (como bens de consumo), e que ele estimule o crescimento em um determinado estágio de desenvolvimento e prejudique em outro, mas suas conquistas óbvias são nas áreas de infraestrutura, como as áreas de hidrelétricas, ferrovias de alta velocidade e aeroportos. A rede de telefonia móvel da China é a maior do mundo, com menos problemas de eficiência do que nos EUA. Dois terços doas empresas dos mercados emergentes que entraram na lista Fortune 500 são estatais.

Veja a matéria completa em inglês no site do The Economist

Veja a matéria quase completa em português:

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