Resultados da pesquisa por 'socrates'

Socrates, craque da bola e da democracia – Celso Unzelte

24 set

O DOUTOR EM CAMPO Sócrates durante uma partida na Copa de 1982, na Espanha. Seu futebol marcou o Mundial, apesar da eliminação brasileira (Foto: Bob Thomas/Getty Images)

Craque da bola e da democracia

Ídolo no Corinthians e na Seleção, Sócrates simbolizou a genialidade do futebol brasileiro e as esperanças do início da década de 1980

CELSO UNZELTE

Revista Época 695 de 12/09/2011

Como esquecer a primeira vez que vi Sócrates? Desengonçado do alto de seu 1,90 metro, pelos quais distribuíam-se pouco mais de 80 quilos, ainda sem a barba de revolucionário cubano que o caracterizaria para a posteridade, ele, lá embaixo, era um estudante de medicina recém-formado, aos 24 anos. Era 20 de agosto de 1978, mas, naquele mesmo domingo em que minha mãe comemoraria seu 50o aniversário, eu, aos 10 anos, havia preferido trocar de festa. Lá de cima, nas arquibancadas do Morumbi, junto com meu irmão e um primo, éramos três do hoje impensável público de 111.103 pessoas que viram o Magrão – como ele é chamado até hoje pelos mais íntimos – fazer contra o Santos o primeiro de seus 298 jogos pelo Corinthians. A certa altura da partida, no círculo central do campo, seu corpo esguio já havia passado pela bola. O lance parecia perdido, mas ele ainda conseguiu golpeá-la – meio com o calcanhar, que se tornaria sua assinatura, meio com a sola do pé –, graças a um rápido movimento da perna para trás. A bola encobriu o adversário mais próximo e foi aninhar-se no peito de outro jogador corintiano. Imediatamente, ouviu-se o coro satisfeito vindo das arquibancadas: “Eeeeeeeeeeeê!”. Era a Fiel vibrando pela primeira vez com o seu Doutor.

“Craque de nome tão grande quanto seu futebol” acabou virando um clichê nas páginas esportivas que tentam explicar quem é Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira. Por maior que tenha sido a bola que ele jogou, Sócrates foi muito mais que isso. Em suas próprias palavras, quando chegou a São Paulo, ele “só pensava em jogar futebol”. Mas, aos poucos, começou a desenvolver melhor sua vocação política. “Em um país em que os mais fracos social, política e economicamente não têm voz nunca, o Corinthians é uma força, uma forma de expressão”, diz ele sobre a fase mais importante de sua carreira. O auge dessa mobilização aconteceu por sua participação e liderança no movimento que se convencionou chamar de Democracia Corinthiana – assim mesmo, com h, na marca registrada à época. Uma verdadeira revolução na estrutura arcaica do futebol brasileiro, que pregava, entre outras coisas, o fim da detestável concentração antes dos jogos e uma maior participação dos atletas, tanto em direitos como em deveres. O nome Sócrates, no entanto, esteve tão ou mais ligado à política brasileira de uma maneira mais ampla. Ainda em 1982, enquanto não tinha patrocinadores, o Corinthians entrava em campo, Sócrates à frente, levando estampada na camisa a mensagem “Dia 15, vote”. Um apoio às primeiras eleições diretas para governadores realizadas no Brasil desde 1966. Tempos depois, se filiaria ao Partido dos Trabalhadores (PT). Em 16 de abril de 1984, no Vale do Anhangabaú, Sócrates chegou a prometer, diante de 1,5 milhão de pessoas, que, “se a emenda Dante de Oliveira for aprovada, nem todos os dólares do mundo me farão deixar o Brasil. Este vai ser um novo país, e eu quero participar dele”. Foi o Dia do Fico do Doutor. Mas, por uma diferença de 22 votos, a emenda que restabeleceria a realização de eleições presidenciais após 24 anos acabou derrotada no Congresso Nacional.

Pela Seleção, Sócrates Brasileiro jogaria duas Copas do Mundo, em 1982, na Espanha, e em 1986, no México. Na primeira delas, marcou dois gols. O primeiro, empatando com um chute de fora da área o difícil jogo de estreia com a União Soviética, que ainda terminaria com a vitória brasileira por 2 a 1. O outro foi na triste despedida diante da Itália de Paolo Rossi, o gol de empate em 1 a 1 numa partida que terminaria com uma derrota por 3 a 2 e a eliminação brasileira daquele Mundial em que íamos tão bem.

Controvérsias sobre a Democracia Corinthiana nunca faltaram. O fato de os jogadores tomarem cerveja nas dependências do próprio clube, mal terminados os treinos, incomodava muita gente. Em um jogo contra a Portuguesa, a Gaviões da Fiel chegou a levar uma faixa em que se lia: “Democracia sim, bagunça não”. Aos críticos, Sócrates mandava um recado: “Este é o país onde mais se bebe cachaça no mundo e parece que eu bebo tudo sozinho. (…) Não querem que eu beba, fume ou pense? Pois eu bebo, fumo e penso. Não fico escondendo as coisas”. Em seu último ano no Corinthians, Sócrates ainda levou o time às semifinais do Brasileiro. Nas quartas de final, quando o Corinthians perdeu a primeira partida, no Rio de Janeiro, para o Flamengo, por 2 a 0, mais uma vez a Democracia foi responsabilizada. Contundido, Sócrates não jogou, dizia-se, graças à permissividade do sistema político vigente no Parque São Jorge – havia se machucado dias antes em um amistoso de futebol de salão em Ribeirão Preto. Mas na partida de volta, em que o Corinthians precisaria pelo menos devolver a diferença de dois gols, Sócrates, mesmo machucado, estava em campo. Com um par de tornozeleiras amarelas (cor do movimento pelas eleições diretas), comandou a equipe em uma goleada por 4 a 1, que acabou classificando o Corinthians para as semifinais. Foi o último grande baile regido por Sócrates com a camisa alvinegra.

Por 3,5 milhões de cruzeiros de luvas, 18 passagens anuais entre o Brasil e a Itália, uma mansão em Florença e dois carros à disposição, Sócrates trocou o Corinthians pela Fiorentina em junho de 1984. Com sua ida para a Itália, a Democracia Corinthiana e o time se enfraqueceram. Após apenas 11 meses, 33 jogos e nove gols marcados pela Fiorentina, Sócrates voltou ao Brasil, para o Flamengo. Perseguido por uma hérnia de disco, atuou pouco, embora ainda tenha jogado a Copa de 1986. O final de sua carreira de jogador deixou poucas lembranças. Foram só três meses pelo time de infância, o Santos, em 1988. Naquele ano, Sócrates ainda vestiu a camisa corintiana pela última vez, contra os ingleses do Corinthian-Casuals. Marcou o gol da vitória do Corinthians brasileiro por 1 a 0. Como jogador, Sócrates insistiu, ainda, em uma breve volta ao Botafogo de Ribeirão Preto, em 1989. Depois, foi secretário de Esportes de Ribeirão Preto, diretor e técnico do Botafogo, técnico e gestor do Cabo Frio (RJ) e técnico da LDU, do Equador. Teve também sua clínica, a Sócrates Medicine Center, em Ribeirão Preto. E foi lá que tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente pela primeira vez.

Aos 49 anos, ele já era um jogador aposentado. Eu, aos 25, o procurava para colher um depoimento a ser publicado na revista Meu Jogo Inesquecível, um especial da revista Placar. “Sócrates, eu não sei se você tem lido a minha revista, mas…”, tentei introduzir o assunto, preparando seu espírito para uma entrevista sobre reminiscências, e não sobre atualidades. Ele então me interrompeu, meio a sério, meio de brincadeira, mas sobretudo irônico: “Eu não a lia nem quando prestava, vou ler agora?”. Segui em frente com meu trabalho, porém com certo sentimento de desilusão em relação ao meu ídolo de infância.

Novo contato direto somente em 2006. Eu voltava das aulas que dou na Faculdade Cásper Líbero quando o celular tocou. “É o Celso?”, perguntou a voz característica, mas que não acreditei reconhecer. “É o Sócrates, quem me deu o seu número foi o Juquinha”, referência ao jornalista Juca Kfouri. Ele queria encomendar um levantamento de todos os seus jogos na Fiorentina, da Itália, principalmente aqueles em que havia sido substituído pelos técnicos de plantão. Pouco pude ajudá-lo, além do envio de uma relação com datas, resultados e adversários em cada uma daquelas partidas. A resposta ao e-mail, afetuosa, redimia, tantos anos depois, a má impressão do encontro anterior: “Obrigado pelo carinho”.

Por fim, em 2010, tive o prazer de conversar não só com Sócrates, mas também com Palhinha, seu melhor companheiro nos primeiros tempos de Corinthians, à mesa de um bar temático de futebol, o São Cristóvão, em São Paulo. Era um trabalho para o filme oficial do centenário corintiano, e foi de longe o mais inesquecível de nossos contatos. Sócrates já chegou atrasado e falando alto, propositadamente para a câmera captar, dizendo que “Esse baixinho (Palhinha) só fala mentira”. Depois, olhou para mim e disse: “Celsão, quem sabe um dia eu não acabo indo em algum lançamento de livro seu?”. Assim se manteve durante a entrevista em si. “Campeão brasileiro?”, respondeu perguntando a uma pergunta feita por Palhinha sobre os títulos que havia conquistado no futebol. “Eu fui campeão é das ‘muié’!” Antes de ir, ainda ouvi dele a divertida história do amigo que se encantou por seu apartamento em São Paulo quando teve de se mudar para a Itália. “O apartamento é seu”, disse o Doutor, “desde que você pague tudo o que eu beber quando você estiver comigo até o final das nossas vidas”. Sócrates conta que o amigo acabou se dando por vencido e sugeriu a ele uma troca no pagamento. Desde então, passou a buscá-lo e trazê-lo de carro toda vez que ele estivesse em São Paulo, cidade onde o Doutor sempre detestou dirigir. Deixei-o à mesa, em companhia de outras pessoas. No caminho, eu só pensava nas voltas que a vida deu desde aquele domingo de 1978, em que eu, menino, tinha ido ao estádio para ver meu ídolo jogar pela primeira vez. De lá para cá, só uma coisa não mudou:
sempre torci por ele.

Celso Unzelte é jornalista e pesquisador esportivo, autor de 12 livros sobre futebol e comentarista dos canais ESPN

Marta Suplicy (PT) foi a melhor prefeita de São Paulo, segundo paulistanos

2 mai
Em 1985, Sócrates posa ao lado de Eduardo Suplicy, Marta Suplicy e Adílson Monteiro Alves na casa do então candidato a prefeito de São Paulo Luis Inácio Lula da Silva Mário Leite/Folhapress

Eduardo Suplicy, Doutor Sócrates, Marta Suplicy, Luiz Inácio Lula da Silva e Adílson Monteiro Alves na cada de Eduardo em 1985, quando ele era candidato a prefeito de São Paulo contra Jânio Quadros (PTB) e Fernando Henrique Cardoso (então no PMDB). Foto de Mário Leite/Folhapress

Segundo o Datafolha, nos últimos 30 anos, a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) foi considerada a melhor prefeita da cidade.

Marta, psicóloga e atual ministra da Cultura do governo da presidenta Dilma Rousseff (PT), foi prefeita entre 2001 a 2004, e teve 25% de preferência. Mário Covas (então no PMDB, entre 1983 e 1985) ficou com 16%, José Serra (PSDB, de 2005 a 2006) teve a preferência de 15% dos entrevistados e Paulo Maluf (PP, de 1993 a 1996, seu segundo mandato, quando foi eleito) com 12%.

Marta perdeu na sua tentativa de reeleição em 2004 para José Serra, mas parece que o paulistano se arrependeu, pois Serra abandonou o cargo dois anos depois, mesmo prometendo que nunca faria isso, e deixou São Paulo para Kassab.

As principais marcas da gestão de Marta são a criação do Bilhete Único e dos CEUs – escolas com atividades extras em tempo integral. 28% disseram ter preferência pelo PT.

Celso Pitta (então no PPB, atual PP, 1997 a 2000, falecido em 2009) foi escolhido o pior prefeito por 27%, em segundo o seu padrinho político, Maluf com 23%, e em terceiro Gilberto Kassab (PSD, herança do abandono de Serra), com 18%.

O Datafolha ouviu 1.120 paulistanos entre quinta e sexta-feira passadas.

Vereador Chicarelli quer responsabilizar criminalmente organizadores da Farofa no Granito. Não me representa!

30 abr

O vereador de Curitiba, José Carlos Chicarelli (PSDC), quer que os organizadores da 1ª Farofada no Granito do Batel sejam responsabilizados criminalmente. Ouça o áudio da rádio Bandnews Curitiba, clique aqui.

A “autoridade” perdeu a chance de ficar calado. Vejam o que escrevi sobre esse tipo de gente, que está ameaçando o democrático evento, clique aqui.

Um ano sem o Doutor Sócrates do Corinthians

4 dez

captura-de-tela-2012-05-13-c3a0s-01-51-10

Há um ano, no dia 04 de dezembro de 2011, Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira faleceu, no dia do pentacampeonato brasileiro do Corinthians.

O Blog do Tarso defende que o Estádio do Corinthians em Itaquera, que abrigará a abertura da Copa do Mundo do Brasil em 2014, seja chamado de “Doutor Sócrates”.

Veja o que já foi publicado no Blog do Tarso sobre o Doutor Sócrates:

Busto em homenagem ao Doutor Sócrates é inaugurado no Corinthians

Há 30 anos o Brasil de Zico e Sócrates dava olé na Argentina de Maradona na Copa de 1982

As propostas de Sócrates – Juca Kfouri

Querido amigo Sócrates – Afonsinho, novo colunista da Carta Capital

Afonsinho substitui Doutor Sócrates na Carta Capital

Jogo amistoso de hoje entre Corinthians x Portuguesa valerá Troféu Sócrates

Charge: homenagem de Henfil ao Doutor Sócrates

Último texto do Doutor Sócrates na revista Carta Capital

Charge: Sócrates, o questionador… pela Democracia

Charge: Doutor Sócrates feliz no céu!

Lula também comemora o pentacampeonato e homenageia Doutor Sócrates

Doutor Sócrates (1954 – 2011)

Minha homenagem ao Corinthians – Força Doutor Sócrates

Campanha: Doutor Sócrates para Ministro dos Esportes!

Doutor Sócrates progride

Entrevista de Juca Kfouri com o Dr. Sócrates

Doutor Sócrates pode treinar Seleção de Cuba

Uma tarde em Florença – Luis Fernando Verissimo

Socrates, craque da bola e da democracia – Celso Unzelte

Ode ao magrão – Idelber Avelar

Em 1985 eu era FHC em São Paulo… o Chico Buarque também!

18 out

Em 1985, São Paulo, Fernando Henrique Cardoso, então no PMDB e chamado apenas de Fernando Henrique, perdeu a eleição para Jânio Quadros (PTB) depois de se sentar na cadeira do prefeito antes da eleição. Não havia segundo turno e Eduardo Suplicy (PT) ficou em terceiro. Seus votos dariam a vitória a FHC. Jânio venceu com 39,3% dos votos válidos, contra 35,3% de FHC e 20,7% de Eduardo Suplicy. A campanha de Suplicy também foi emocionante, com vários artistas. A atriz Regina Duarte, já se preparando para a campanha do “Medo” de 2002 pró-José Serra, pediu para Suplicy não ser votado e comparou Jânio a Hitler.

Este slideshow necessita de JavaScript.

A Democracia Corinthiana era Suplicy

Busto em homenagem ao Doutor Sócrates é inaugurado no Corinthians

28 jul

O Corinthians inaugurou hoje o busto em homenagem ao Doutor Sócrates, um dos seus maiores ídolos, capitão da seleção brasileira de 1982 e líder da Democracia Corinthiana, que morreu no dia 4 de dezembro de 2011, mesmo dia da conquista do quinto título brasileiro do timão. A obra em homenagem ao Sócrates Brasileiro Sampaio de Sousa Vieira de Oliveira foi feita pela escultora estadunidense Nadja Venezian, e foi cerrada pela viúva Katia Bagnarelli e pelo presidente corinthiano Mario Gobbi.

Ajude o Blog do Tarso a ir para o Japão!

4 jul

O Sport Club Corinthians Paulista acabou de ser campeão da Copa Libertadores da América em cima do time argentino Boca Juniors, Libertadores que na verdade é a eliminatória para a participação do Copa do Mundo de Clubes da FIFA, que em 2012 ocorrerá no Japão, entre os dias 06 e 16 de dezembro. O timão, campeão da primeira edição do campeonato em 2000, tentará o Bi-Mundial, para se igualar ao Barcelona, que é o único bi-mundial de todos os tempos (2009-2011).

Não. O Corinthians nunca foi para o outro lado do mundo para ser campeão mundial. Foi campeão aqui no Maracanã mesmo, contra o Vasco de Romário, Edmundo e Viola, depois de dar olé no Real Madrid.

O Blog do Tarso pretende, com a sua ajuda, ir para o Japão em dezembro para fazer a cobertura desse importante campeonato.

O “Projeto Japão 2012″ do Blog do Tarso envolverá as seguintes atividades:

a) homenagem ao Doutor Sócrates, uma vez que o editor-presidente, repórter, câmera e fotógrafo do Blog do Tarso, o professor e advogado Tarso Cabral Violin, viajará para o Japão fantasiado de Sócrates, o que para muitos será um mico, mas para o blogueiro será uma importante homenagem a um dos grandes ídolos corinthianos falecido no ano passado, no dia do título do quinto Campeonato Brasileiro do Corinthians;

b) o projeto envolverá, também, a filmagem de um documentário sobre a invasão corinthiana que ocorrerá no Japão, a exemplo do que ocorreu no Maracanã no Rio de Janeiro em 1976. O documentário será filmado e editado pelo blogueiro/corinthiano.

c) caso, o que é improvável, o Corinthians não seja Bi-Campeão Mundial no Japão, o blogueiro usará a camiseta até o retorno ao Brasil do time rival dos maiores doadores (São Paulo, Palmeiras, Coritiba, Atlético Paranaense, etc).

Qualquer sobra financeira desse projeto será revertida para o Hospital de Clínicas do Paraná, em homenagem ao médico Sócrates.

Faça sua contribuição, de qualquer valor, por meio de depósito ou DOC para o banco HSBC, agência 0152, cc 0951253, CPF 963.346.659-87, em nome de Tarso Cabral Violin. Depois de depositar, favor avisar a data, valor e clube de preferência para o e-mail tarsocv@gmail.com.

Espera-se que corinthianos, anti-corinthianos, colegas professores e advogados e alunos ajudem esse importante projeto, com recursos financeiros e divulgação.

Arigatō - ありがとう

As propostas de Sócrates – Juca Kfouri

13 mai

Hoje na Folha de S. Paulo

São Paulo, fevereiro de 1984

DOUTOR SÓCRATES Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira sempre foi uma figura especial, firme em seus princípios, mas incapaz de dizer não para qualquer proposta nova, mesmo que bizarra, desde que representasse algum ruído, algo incomum.

Ele topava, dedicava horas das suas folgas para atender e não cobrava um tostão, fazia por acreditar e por diversão.

Por isso, aceitou fazer fotos para a revista “Placar” como “O Pensador”, de Rodin, para simbolizar o cérebro do time do Corinthians que ele comandou entre 1978 e 1984, e como d. Pedro 1º, quando prometeu ficar no Brasil caso a emenda das eleições diretas fosse aprovada no Congresso Nacional no dia 25 de abril de 1984.

Era o seu Dia do Fico, que acabou frustrado e culminou com a ida para Florença, onde vestiu a camisa violeta da Fiorentina.

Essas são histórias, embora saborosas, já por demais conhecidas, que viraram capa da revista à época e foram fartamente comentadas em dezembro do ano passado, por ocasião de sua morte, aos 57 anos.

Menos conhecida, mas não menos saborosa, foi a noite em que ele aceitou ir ao programa que a revista mantinha na TV Abril, num horário comprado à TV Gazeta, em sua faixa nobre, entre 20h e 22h.

A ideia era a de que ele falasse sobre política, de um lado, e, de outro, o governador André Franco Montoro (1916-99) sobre futebol.

Estávamos em fevereiro de 1984, no auge da efervescência da campanha das Diretas-Já e da bem-sucedida “Democracia Corinthiana”.

Ambos toparam imediatamente e tratamos de produzir o programa da maneira mais simples possível, apenas pedindo ao governador de São Paulo que fosse sem paletó nem gravata e ao craque do Corinthians que, ao contrário, fosse de paletó e gravata.

Montoro aceitou sem pestanejar, ao contrário do Magrão, que disse que estava para nascer quem o fizesse se vestir daquele modo. Mas que ninguém se preocupasse, porque ele surpreenderia com uma indumentária original, que seria um sucesso.

Confesso ter tremido na base. Por conhecê-lo bem, temi que aparecesse de bermuda, chinelo de dedo e camiseta regata num cenário que era vazado e mostrava os entrevistados dos pés à cabeça.

Na verdade, menosprezei sua criatividade, porque minha ideia não seria nada original.

Eis que, em cima da hora do início do programa -ao vivo-, com Montoro já sentado na bancada do estúdio, microfone devidamente posto na camisa social, surge o Magro, vestido da maneira mais casual que pôde imaginar: de macacão!

Tive ímpetos de esganá-lo, mas Montoro ria tanto e o pessoal do estúdio festejava tanto que achei melhor relaxar e me concentrar no programa.

Que foi um show.

Ele quase não deixou o também alvinegro governador falar, tantas eram a propostas que tinha para a cidade de São Paulo, para o Estado dos paulistas e, é claro, para o país. Eu chamando o governador de governador e de senhor, ele chamando de Montoro e de você.

Até que não aguentei e, meio a sério, meio brincando, num intervalo, alertei o Magrão para o eventual excesso de informalidade.

Antes que ele saísse com uma das suas, Franco Montoro atalhou: “Ô Juca, ele acaba de ser bicampeão paulista com a ‘Democracia Corinthiana’. Pode me chamar do jeito que quiser”. E assim foi até o fim do programa.

Quatro anos antes, em dezembro de 1980, havíamos resolvido mostrá-lo pós-futebol, com 50 anos, como se fosse em 2004, devidamente paramentado como médico.

Ele mais uma vez topou passar um tempão sendo maquiado.

Quando, de fato, completou seu cinquentenário, mostrei a ele a foto e ele achou que estava melhor do que o retrato.

E estava mesmo.

Não imaginávamos que seria por tão pouco tempo.

Querido amigo Sócrates – Afonsinho, novo colunista da Carta Capital

13 mai

Carta Capital de 09 de maio de 2012

Vamos continuar conversando. Não há de ser uma simples partida que pode interromper o nosso campeonato e o verso diz que a morte é a contingência do esporte da vida. Além do mais, “aqui na Terra estão jogando futebol (na Espanha? na Alemanha?), tem pouco samba, muito funk e rock’n’roll”. Mas o que me incomoda mesmo é a sensação de voltar no tempo, retroceder. No fim das contas, estão aí o Passe Livre e a Democracia Corintiana.

Todos andam preocupados com a Seleção. E o Romário tem marcado golaços no Congresso. Foto: Sergio Goncalves Chicago/Flickr

O primeiro ainda que solapado pelos espertalhões de plantão e pela “bancada da bola” (como se pode admitir um bando de cartolas inescrupulosos ser chamado assim?). A segunda é um avanço, com a diferença de ser incontestável, porque ganhou também dentro do campo, nas famosas quatro linhas, e não existe argumento a ser invocado. Está aí um tema que podemos continuar comentando: concentração é cárcere privado?

Das suas preocupações, muitas continuam nos castigando: Fifas, CBFs etc. A Copa do Mundo, com todos os seus problemas, nos aperta contra a parede do tempo. Agora a boa-nova. Ganhamos um guerrilheiro da área. O baixinho Romário tem aproveitado bem as brechas e marcado golaços no Congresso. Temos estimulado os esportistas, não só do futebol, que detêm mandatos políticos a se unir a favor do esporte (aí sim uma bancada da bola). Lembra da nossa campanha na Constituinte?

Uma inédita. Por estes lados volta-se a “discutir” as Malvinas. Na cabeça de quem pode caber em nossos dias, se é que algum dia coube na cabeça de alguém, algum direito da Inglaterra sobre a região? O argumento final para se advogar esse absurdo, imagine, é o fato de as Malvinas terem sido colonizadas pelos ingleses. É um escárnio. Se a ONU não é capaz de decidir uma questão dessas, vamos mal. Nada de bravatas, militarismo desnecessário, no máximo uma indenização por benfeitorias e tchau.

Em matéria de futebol, a temperatura anda nas alturas, decisões por todo o Brasil e final da temporada europeia. De uma tacada só foram para o espaço Palmeiras e Corinthians. Perderam para a dupla campineira Ponte Preta e Guarani. Logo depois, o Santos derrotou o São Paulo e vai encarar o Guarani, que venceu a Ponte. No Rio, o Botafogo desbancou o Vasco, ganhou a Taça Rio e vai para a final contra o Fluminense.

No Velho Mundo, o Barcelona perdeu melancolicamente para o Chelsea, depois de estar vencendo por 2 a 0 num jogo feio de ataque e defesa típicos de time grande contra pequeno, em que às vezes ganha o Davi. Nesse jogo, o Barça sofreu um gol “messiano” do nosso Ramires. Já o argentino perdeu um pênalti e outro gol de pelada que mostrou um Barça desintegrado.

Ramires lembra a todo o momento o grande Moacir, que rivalizava com Didi a camisa 8 do Brasil antes da Copa de 1958. Jogava no Flamengo com arte e, em seguida, foi para o Equador, onde vive. Anda muito doente. Sempre trabalhou modestamente naquele país, a ensinar o maravilhoso futebol da geração de ouro.

Parece que estamos pela gota d’água. Na ânsia de “fazer dinheiro”, o futebol realiza vários torneios ao mesmo tempo, as datas se atropelam e grandes clássicos, a exemplo do Fla-Flu de tanta tradição, às vezes acabam esvaziados porque os treinadores dão prioridade à Libertadores e usam times reservas.

Onde há alguma organização de classe ainda existem férias respeitadas e tudo o mais. No futebol, os jogadores têm o descanso encurtado e começam a jogar antes da hora, em pré-temporadas mal organizadas.

No campo e fora dele, a violência. Os jogos lembram A Noite dos Desesperados: correria desenfreada, bolas perdidas a cada 5 metros e muitas vezes choques entre atletas do mesmo time.

Meu prezado, lembro-me da sua crônica explicando a sempre presente discussão sobre o crucial pênalti. É pior para o goleiro ou para o batedor? É falta de treinamento?
É justo ou correto decidir-se um título mundial por um único jogador? Mais um papo bom para a roda de amigos

E por falar em papo de amigos, todos andam preocupados com a Seleção. Acho que podemos ter um bom time em 2014, mas é uma irresponsabilidade o Brasil não ter um time-base a dois anos da disputa e com uma Copa das Confederações no meio. Enterrar a mágoa da Copa de 1950 será difícil. A CBF continua a apostar em um projeto formalista, engessado, que deu muito errado no último Mundial.

Amigo, as coisas vão acontecendo sempre e de vez em quando eu contarei as novas. Pois como insiste o poeta, “eu continuo aqui mesmo…”

Um abração e saudades,
Afonsinho

P.S. Obrigado, muito obrigado, Chico Anysio, quando no auge da pressão que eu sofria no Botafogo (impedido de receber material para treinar), numa de suas passagens por General Severiano em companhia do grande Nilton Santos, ter sido carinhoso comigo e aberto meus olhos para a maldade dos dirigentes. Suas palavras amigas muito me ampararam e foram lições de vida para o jovem que eu era então.

Afonsinho substitui Doutor Sócrates na Carta Capital

3 mai

O ex-jogador Afonsinho, do Botafogo, Flamengo, Fluminense e Santos, substituirá o Doutor Sócrates, falecido em dezembro de 2011, na revista Carta Capital. Afonsinho ficou conhecido por ter sido o pioneiro na luta pelo passe livre, em 1971, em plena ditadura militar, e escreverá semanalmente na revista. Em entrevista para a Carta Capital do dia 02, disse:

“É o espírito do neoliberalismo transportado para o campo. Cada atleta é uma empresa, tem relações públicas, administrador… Uma coisa fria.”

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 6.728 outros seguidores

%d bloggers like this: