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Um ano de vigência da Lei Nacional de Acesso a Informações. O ICI ficou mais transparente?

16 mai

Hoje faz um ano que a  Lei 12.527/11 começou a viger, que regula o acesso a informações previsto na Constituição Social e Democrática de Direito de 1988.

As entidades do Terceiro Setor que recebem dinheiro público, entidades privadas sem fins lucrativos como associações e fundações privadas qualificadas como organizações sociais – OS e organizações da sociedade civil de interesse público – OSCIPs, infelizmente ainda são muito pouco fiscalizadas pelos órgãos de controle como os Tribunais de Contas e Ministério Público, e pela sociedade, o chamado controle social.

As ONGs movimentam milhões de dinheiro público, seja quando fomentadas pelo Poder Público ou quando inconstitucionalmente são utilizadas como terceirizadas.

Quando, por exemplo, parlamentares de oposição solicitam informações sobre as ONGs que recebem dinheiro de determinados municípios, muitas vezes as Casas Legislativas negam pedidos de informações.

Esse absurdo tende a acabar no último ano com a vigência da Lei 12.527/2011, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff (PT).

A nova lei é aplicável a toda a Administração Pública brasileira, inclusive Administração indireta (autarquias, fundações públicas, empresas estatais) e os poderes Legislativo, Judiciário, Ministério Público e Tribunais de Contas.

Uma inovação interessante é que a lei é aplicável também, no que couber, às entidades do Terceiro Setor que recebam dinheiro público, como as OSs, OSCIPs e demais ONGs de interesse público.

Pelo texto constitucional de 1988 já era necessário que qualquer entidade pública ou que manejasse dinheiro público fosse transparente, mas faltava uma lei para deixar isso ainda mais explícito para alguns agentes públicos não tão compromissados com o interesse público.

A lei obriga que os operadores de dinheiro público deem publicidade aos seus atos, os divulguem por meio da tecnologia da informação, fomentando a cultura da transparência. A informação deve ser imediata, ou quando impossível, em até 20 dias.

Portanto, a partir de maio, as entidades do Terceiro Setor que recebam benefícios públicos estarão obrigadas a ser transparentes, mesmo como entidades privadas, devendo divulgar seus atos e informar/disponibilizar qualquer informação requerida pelos cidadãos, independentemente de autorização de alguma autoridade.

Se parlamentares tiverem seus requerimentos de informação desautorizados pelos Parlamentos, podem fazer pedidos diretamente às entidades, que deverão ser respondidos, sob pena de responsabilização de seus dirigentes.

Isso vale para qualquer órgão ou entidade pública ou privada que seja de interesse público.

Esperamos que a lei ajude ainda mais o processo de transparência e democrático exigido na Constituição, o qual desde o fim da ditadura nosso país vem aprimorando, com o auxílio de uma sociedade cada vez mais participativa e instituições como o Ministério Público, Tribunais de Contas, CNJ, etc., cada vez mais atuantes.

Ver ainda o post Sobre a Lei de acesso a informação sancionada pela Presidenta Dilma Rousseff.

Há um ano protocolarei um requerimento administrativo para o ICI – Instituto Curitiba de Informática, uma entidade privada qualificada como organização social – OS que recebe milhões de reais em dinheiro público da prefeitura de Curitiba sem licitação. O documento foi elaborado por alguns dos meus alunos, que assinaram o original, veja: Hoje começa a valer a Lei Nacional de Acesso a Informações. Aproveito para tentar abrir a caixa-preta do ICI!

Até hoje não obtive informações como a relação dos contratos administrativos, convênios e demais acordos de vontade celebrados entre o ICI e demais órgãos e entidades da Administração Pública do Brasil, com objeto, valor do acordo e vigência, desde a fundação do ICI; relação das verbas financeiras recebidas pelo ICI do Município de Curitiba, desde sua fundação; relação dos contratos administrativos com empresas privadas na área de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação), com o nome da empresa, objeto do contrato, valor e vigência; informação sobre como o ICI realiza a contratação de seus trabalhadores, se por Concurso Público ou por outro meio que atenda os princípios constitucionais da publicidade, isonomia, moralidade, entre outros; relação de todos os trabalhadores do ICI; Acordo Coletivo de Trabalho do ICI; informação sobre como o ICI realiza suas contratações de compras e serviços, se por licitação ou por outro meio que atenda os princípios constitucionais da publicidade, isonomia, moralidade, entre outros; valor da remuneração e demais benefícios recebidos por seus Diretores, Conselheiros e demais cargos de comando como superintendes, gerentes, etc; Estatuto Social do ICI, etc.

ONG elogia a transparência do ICI: “fantástico!”

6 mai

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Os dirigentes do Observatório Social de Curitiba – OSC visitaram a alguns dias o Instituto Curitiba de Informática e

julgaram o trabalho do ICI como “fundamental para a boa gestão da cidade”. Não. Não estou ficando doido e você está lendo isso mesmo: uma ONG que foi criada para cobrar transparência e ética da Administração Pública elogiou o ICI.

Será que o OSC sabe que o ICI foi criado para burlar as licitações, os concursos públicos, o controle social, o controle do Tribunal de Contas e os limites da Lei de Responsabilidade?

Será que o Observatório sabe que o ICI não informa o salário de seus diretores e funcionários, mesmo sendo uma obrigação da Lei de Acesso à Informação?

Será que o OSC sabe que o ICI não informa quanto gasta e para quais empresas privadas vai o dinheiro do cidadão curitibano, sem licitação, sem transparência?

Será que a ONG sabe que o ICI está fazendo chantagem contra o atual prefeito de Curitiba, ameaçando a paralisação dos serviços de informática?

O OSC se gaba de não possuir partidarismo político, para garantir que o trabalho seja realizado com imparcialidade. Mas está se mostrando totalmente parcial em defesa de modelos e governos neoliberais-gerenciais e que precarizam a Administração Pública.

Veja o que o presidente do OSC, Nilson Altair de Souza, falou sobre o ICI: “É uma visão totalmente fantástica. Antes de conhecer o ICI eu não tinha a noção de que Curitiba tem toda essa informatização, que é fundamental para que a gestão tome decisões sobre a cidade”.

Outro diretor da ONG, Lutero Couto, vice-presidente para Assuntos de Produtos e Metodologia do OSC, observou que o ICI tem o foco social para o exercício da cidadania e da democracia. Como assim? O ICI não compartilha nada com outros estados e municípios, como faz, por exemplo, a Celepar, uma empresa estatal. É tudo negócio no ICI. Democracia? Até hoje o prefeito eleito democraticamente, Gustavo Fruet (PDT), não conseguiu assumir o poder na entidade que sobrevive com milhões de dinheiro público municipal.

Entidades do Terceiro Setor deveriam ser modelo na fiscalização do Poder Público. Mas nem o Observatório Social, que não questiona o modelo do ICI, e muito menos o ICI, que ao invés de controlar serve como substituto do Estado, não cumprem o papel da sociedade civil organizada.

ICI mostra a ponta do iceberg. Quero o striptease!

18 abr

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A jornalista e blogueira Joice Hasselmann, do Blog da Joice, me avisou que o Instituto Curitiba de Informática – ICI abriu a “caixa-preta”. Prefiro dizer que essa ONG que recebe R$ 10 milhões por mês do Município de Curitiba, sem licitação, e que não faz licitação e não faz concurso público, apenas mostrou a pontinha do iceberg, mas ainda falta fazer um belo striptease!

O prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), em quase quatro meses de gestão, ainda não conseguiu assumir o poder no ICI, pois pode escolher apenas quatro conselheiros do Conselho de Administração do ICI, do total de dez. Assim, os três diretores da época do ex-prefeito Luciano Ducci (PSB), derrotado na eleição de 2012 ainda no primeiro turno, continuam em seus cargos e dando as cartas na entidade qualificada como organização social – OS.

Além de assumir a gestão do ICI, Gustavo pretendia já na eleição deixar o ICI mais transparente, e aos poucos vem conseguindo, a conta gotas.

Charge sobre a falta de transparência do ICI especialmente elaborada por Lucas Fier para o Blog do Tarso

No dia 1º de março de 2013 o Município de Curitiba assinou termo aditivo ao contrato de gestão celebrado com o ICI, para que a entidade seja mais transparente. Em seu site o ICI confessa que o termo aditivo foi celebrado devido à Resolução nº 28/2011 do Tribunal de Contas do Estado do Paraná. Primeira pergunta: por que a gestão passada de Luciano Ducci (PSB) não assinou esse termo há dois anos?

Veja a papelada que o ICI divulgou no Blog da Joice ou em seu site, mas há perguntas que não querem calar, e que devem ser respondidas pelo ICI em face à Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011):

1. Quanto o presidente e os dois diretores do ICI recebem de remuneração por mês?

2. Quais são as empresas e escritórios de advocacia que recebem milhões do ICI por mês?

3. Há atividades-fim do ICI que são terceirizadas de forma ilícita? Quais atividades? Quanto custa? Quais empresas?

4. Quanto o ICI gasta com softwares proprietários de grandes empresas estrangeiras, quando poderia estar incentivando a tecnologia nacional e o software livre?

5. É verdade que o ICI é apenas um intermediador de milhões para empresas privadas, com o simples intuito de fuga das licitações, dos concursos públicos e dos limites de gastos com pessoal da Lei de Responsabilidade Fiscal?

6. Quando os diretores escolhidos pelo ex-prefeito perderão seus cargos?

7. Há professor aposentado representando a Academia no Conselho de Administração do ICI?

8. Por que o ICI não respeita a Lei de Acesso à informação, se ele é uma entidade do Terceiro Setor que recebe dinheiro público e funciona em um prédio da prefeitura de Curitiba?

O pior de tudo é que o governo Beto Richa (PSDB) quer implementar o mesmo modelo de privatização via OS do ICI no Teatro Guaíra e no Museu Oscar Niemeyer.

Chamem a Demi Moore!

TARSO CABRAL VIOLIN – autor do Blog do Tarso, advogado, ex-diretor jurídico da Celepar – Companhia de Informática do Paraná, mestre em Direito do Estado pela UFPR e autor do livro Terceiro Setor e as Parcerias com a Administração Pública: uma análise crítica (Fórum, 2ª ed., 2010), que trata de forma crítica das OS e contratos de gestão entre a Administração Pública e o Terceiro Setor.

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Dicas sobre a Lei de Acesso à Informação

16 abr

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A Constituição Social e Democrática de Direito de 1988 determina em seu art. 5º, inc. XXXIII:

Art. 5º, XXXIII: todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;

Além disso o art. 37 do texto constitucional ainda prevê como princípio da Administração Pública a PUBLICIDADE.

Com isso foi editada a Lei de Acesso à Informação, por meio da Lei 12.527/2011, que começou a viger a maio de 2012.

Ela é aplicável a toda a Administração Pública brasileira, seja União, estados e municípios, a todos os Poderes da República, como o Poder Judiciário, Poder Legislativo, poder Executico, Ministério Público e Tribunais de Contas.

A Lei de Acesso à Informação também é aplicável, no que couber, às entidades do Terceiro Setor que recebam dinheiro público. São as ONGs – organizações não governamentais (também chamadas de OSCs – organizações da sociedade civil), que são entidades privadas sem fins econômicos/lucrativos, qualificadas como OSCIPs – organizações da sociedade civil de interesse público, OSs – organizações sociais, etc. Ou seja, o que é feito com os recursos públicos por essas entidades deve ser totalmente transparente.

São diretrizes da Lei a publicidade como regra, sendo o sigilo uma exceção; divulgação de informações de interesse público, independentemente de solicitações; tecnologia da informação; fomento ao desenvolvimento da cultura de transparência na Administração Pública e o desenvolvimento do controle social da Administração Pública, o que aprimora a chamada democracia participativa.

Um dos pontos fundamentais da Lei é a obrigatoriedade do Poder Público fornecer informações imediatamente para os cidadãos e, não sendo possível, em prazo de no máximo 20 dias, com a possibilidade de prorrogaçãoo por mais 10 dias apenas com as devidas justificativas.

Por mais que algumas autoridades, órgãos e entidades públicas e algumas entidades do Terceiro Setor não apoiem ou não cumpram, a Lei de Acesso à Informação é a nossa Lei da Transparência.

A União regulamentou a Lei por meio de Decreto 7.724/2012. Quer saber alguma informação da Administração Pública federal? Acesse: www.acessoainformacao.gov.br. O Estado do Paraná regulamentou a legislação pelo Decreto 4.531/2012. Cobre do seu prefeito a regulamentação dessa Lei em sua cidade! Curitiba, por exemplo, ainda não tem o regulamento municipal. A grande maioria das demais cidades do interior do Paraná também não têm.

Com dificuldades para obter informações no Poder Público ou entidades do Terceiro Setor que recebam dinheiro público? Reclame! Para as autoridades do próprio órgão ou entidade, para autoridades superiores à que negou a informação, para o Poder Legislativo (câmara de vereadores, assembleia legislativa), para o Tribunal de Contas, para o Ministério Público ou para o OAB. E se precisar de apoio jurídico/judicial procure a Defensoria Pública ou um advogado.

TARSO CABRAL VIOLIN – autor do Blog do Tarso, professor de Direito Administrativo, mestre em Direito do Estado pela UFPR, e um cidadão transparente que cobra transparência da Administração Pública

Charge: ICI – Instituto Caixa-Preta de Informática

21 jan

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A partir de hoje o Blog do Tarso vai contar com a charges do cartunista Lucas Fier. A estreia é sobre o ICI – Instituto Curitiba de Informática, uma associação privada que recebe milhões da prefeitura de Curitiba, mas não respeita a Lei de Acesso à Informação e não divulga os valores recebidos da prefeitura, o dinheiro que repassa para empresas privadas, o salário de seus dirigentes, entre outras informações de interesse público. O prefeito Gustavo Fruet (PDT) está tentando assumir o poder no ICI, já que foi eleito de forma democrática com a promessa de deixar o ICI mais transparente.

 

O presidente do ICI – Instituto Curitiba de Informática manda recado para Gustavo Fruet

16 dez
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Renato Rodrigues, presidente do Instituto Curitiba Informática

Estou pasmo com o grau da cara-de-pau do presidente do ICI – Instituto Curitiba de Informática, que concedeu entrevista para a jornalista e blogueira Joice Hasselmann. Renato Rodrigues “quebrou o silêncio” apenas agora que será retirado do poder pelo prefeito eleito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), após a derrota de Luciano Ducci (PSB).

As vezes chama o ICI de empresa, as vezes de “instituto sem fins lucrativos”. Juridicamente é uma associação sem fins econômicos qualificada como organização social – OS. Esconde que as organizações sociais, na verdade, foram criadas no âmbito federal pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardozo e em Curitiba pelo ex-prefeito Cassio Taniguchi com o intuito de fuga da licitação, do concurso público e do controle social.

Ele “esqueceu” que a Ordem dos Advogados do Brasil, o Partido dos Trabalhadores e o PDT entraram com duas ADINs contra a Lei Federal das OS, e que o STF vai decidir pela inconstitucionalidade da privatização via OS ainda em 2013. O ICI será considerado inconstitucional.

Ele esqueceu de dizer que o art. 24, inc. XXIV, da Lei 8.666/93, que dispensa a realização para a contratação de OS com contratos de gestão firmados pelo Poder Público também será considerado inconstitucional pelo STF em 2013.

Ele diz que “o ICI e a Prefeitura Municipal de Curitiba sempre estiveram  completamente aderentes à legislação federal, estadual e municipal”. Cara-de-pau. Que domínio jurídico ele tem para dizer isso? Ele diz que se outros órgãos públicos (inclusive de outros poderes) contratam o ICI sem licitação, então seus contratos são legais. Piada.

Sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) 1923 interposta contra a Lei 9.637/98 das Organizações Sociais, foi lapidar o voto do Ministro Relator Carlos Ayres Britto, nosso estimado especialista em Direito Constitucional e licitações e contratos administrativos, que chamou o modelo de “terceirização aberrante”, quando o Estado transfere toda a prestação dos serviços para essas entidades, pois a iniciativa privada não pode substituir o Estado, mas apenas complementar. Ressaltou o Ministro: “tiro do sujeito sua essência e o que sobra é um não sujeito, um nada jurídico”. Para ele o Estado não pode ser apenas regulador na prestação dos serviços públicos.

Assim, Ayres Britto entende ser possível apenas a colaboração, o fomento do Poder Público às OSs, por meio de contratos de gestão. O Ministro deixa isso claro quando defende que quando os contratos de gestão forem para os mesmos fins dos convênios, não haveria necessidade de licitação para a qualificação e celebração da parceria, mas apenas um processo administrativo de escolha.

Portanto, impossibilitado estaria o Estado em terceirizar as atividades-fim das suas instituições sociais nas áreas de saúde, educação, cultura, meio ambiente, etc.; sendo possível a terceirização de atividades-meio através da legislação licitatória e fomento às entidades privadas de interesse público, inclusive as OSs.

Caso se confirme a posição de Ayres Britto, a Prefeitura de Curitiba deverá passar a realizar procedimento de escolha para contratar o ICI na prestação dos serviços de informática do Município. Além disso o ICI não poderá ser contratado livremente sem processo de escolha pelas Prefeituras de todo o Brasil, como ocorre atualmente.

Trato de tudo isso ne meu livro  Terceiro Setor e as Parcerias com a Administração Pública: uma análise crítica (Fórum, 2ª ed., 2010).

O cidadão, presidente do ICI, ainda diz que “diferentemente do que se fala em Blogs e outras fontes não muito qualificadas, trata-se de um documento oficial [o contrato de gestão celebrado entre Curitiba e o ICI], publicado em diário oficial e nas publicações oficiais do Município”. Para se ter uma ideia, o ICI queria que eu pagasse mais de R$ 140,00 para eu conseguir uma cópia do contrato de gestão entre Curitiba e o ICI (veja no link abaixo).

O presidente do ICI fala que os serviços do ICI são economicamente justificáveis. Mas será que os contratos com o ICI respeitam os princípios constitucionais da moralidade, da isonomia, da publicidade, da finalidade?

Outra questão não tratada na entrevista. A sede do ICI é uma prédio da prefeitura de Curitiba! Vergonha.

Ele disse na entrevista que todos os contratos de prestação de serviços do ICI com empresas particulares estão no site do ICI. Encontrei apenas alguns. E ele não informa que já na vigência da Lei de Acesso à Informação, em maio, o site não disponibilizava nenhum informação e negou essa informação para mim, se dizendo entidade de direito privado. Veja a resposta do ICI para mim:

http://www.ici.curitiba.org.br/Multimidia/LeiAcesso/resposta_1_consulta.pdf.

Se agora eles disponibilizam algumas informações, se deve a pressão que sofrem da sociedade.

Mas ainda continuam várias dúvidas: por exemplo, quanto é o total que eles gastam com seus próprios trabalhadores e quanto gastam com contratos terceirizados por mês? Quais são todos as empresas contratadas, entre empresas de TIC, escritórios de advocacia, etc?

Ele esquece de dizer que a Constituição obriga a realização de licitação por parte da Administração Pública. Não pode a prefeitura se utilizar do ICI para contratar empresas privadas terceiras sem licitação. Isso é burla.

O presidente se negou em revelar seu salário e dos demais diretores. A história é assim: a iniciativa privada não tem que respeitar certas exigências mas não tem prerrogativas como o Poder Público. O Poder Público tem prerrogativas mas tem várias limitações no ordenamento jurídico, como ser transparente, fazer licitação, concurso público. No caso do ICI, eles querem ter a liberdade da iniciativa privada e a vantagem de receber altas quantias de dinheiro público, sem licitação. É uma mamata.

Ele faz quase uma ameaça para Gustavo Fruet, se dizendo essencial e quase insubstituível, e dando a entender que o prefeito eleito não poderia trocar a diretoria do ICI. Deixo claro: é possível mudar o regime jurídico do ICI por meio de lei, ou mesmo substituir o ICI por meio de uma autarquia, uma empresa estatal ou mesmo uma cooperativa de trabalhadores. Talvez não no dia 1º de janeiro de 2013, mas durante a gestão Fruet, entre 2013 e 2016.

Por fim, a maior piada do dia: ele disse que a prefeitura comandada por Luciano Ducci e o ICI sempre foram transparentes.

Veja a entrevista completa do Blog da Joice Hasselmann: Continue lendo 

Estrutura da Prefeitura de Curitiba que o prefeito eleito Gustavo Fruet vai administrar

30 out

Do IMAP – Instituto Municipal e Administração Pública da Prefeitura de Curitiba

Estrutura Organizacional da Prefeitura Municipal de Curitiba

A Lei 7.671/91 e suas várias alterações posteriores tratam da estrutura geral da PMC, dos cargos e funções gratificadas existentes, da nomenclatura dos cargos comissionados e funções gratificadas, da remuneração a eles atribuída, dos núcleos setoriais e dos mecanismos de coordenação intersetorial.

A Prefeitura Municipal de Curitiba está organizada em:

  • 26 Órgãos da Administração Direta
  • 11 Entidades da Administração Indireta entre Autarquias, Fundações e Sociedades de Economia Mista

Relação de Órgãos e Entidades da Prefeitura Municipal de Curitiba:

Continue lendo 

A partir do dia 1º de janeiro de 2013 o ICI vai ser transparente

13 out

Prédio do povo curitibano, antigo CPD, utilizado pelo ICI. Foto de Tarso Cabral Violin

Independente de quem ganhar a prefeitura de Curitiba, se Gustavo Fruet (PDT) ou Ratinho Junior (PSC), a partir do dia 01.01.2013 o Instituto Curitiba de Informática será transparente.

Os dois candidatos vão manter o ICI, vão manter o contrato de gestão com o ICI, mas já deixaram claro que vão abrir a “caixa-preta” da entidade, que esconde informações de interesse públicos desde as gestões Cassio Taniguchi e Beto Richa.

O ICI é uma organização social (OS), uma entidade privada que é contratada pelo município sem licitação, recebe milhões dos cofres públicos, utiliza o antigo prédio do CPD da prefeitura e subcontrata os serviços para empresas privadas sem licitação, por milhões de reais. Não sabemos que empresas são essas. Já tentei me utilizar da Lei de Acesso à Informação e obter informações no ICI, eles negaram e a questão está na Justiça. Veja o que já publiquei sobre o ICI, clique aqui.

Gustavo Fruet é um defensor dos serviços de TIC – Tecnologia da Informação e Comunicação a favor da população, e em praticamente todos os seus discursos cita que na sua gestão o ICI será transparente. O que é uma obrigação da Lei de Acesso à Informação, o que nunca foi respeitado por Luciano Ducci (PSB), o prefeito derrotado nas eleições.

Ratinho disse que é favorável ao modelo das OS na saúde, desde que haja um histórico positivo e aval do Tribunal de Contas e Ministério Público, mas de forma contraditória assinou um documento do sindicato dos servidores da saúde contrário às terceirizações. Pode ser que ainda em 2012 o STF decida pela inconstitucionalidade das OSs.

Mas pelo menos prometeu fazer uma auditoria e aumentar a transparência no ICI.

De qualquer forma, a atual diretoria do ICI deve estar preocupada, pois em 2013 o ICI será transparente!

Ratinho Junior, Gustavo Fruet e as privatizações e terceirizações em Curitiba

10 out

Qual a opinião dos candidatos a prefeito de Curitiba, Ratinho Junior (PSC) e Gustavo Fruet (PDT) sobre as privatizações e terceirizações? Uma coisa é certa: eles não são candidatos anti-privatização.

Os dois candidatos vão manter o ICI – Instituto Curitiba de Informática, mas já deixaram claro que vão abrir a “caixa-preta” da entidade. O ICI é uma organização social (OS), uma entidade privada que é contratada pelo município sem licitação, recebe milhões dos cofres públicos, e subcontrata os serviços para empresas privadas sem licitação, por milhões de reais. Não sabemos que empresas são essas. Já tentei me utilizar da Lei de Acesso à Informação e obter informações no ICI, eles negaram e a questão está na Justiça. Veja o que já publiquei sobre o ICI, clique aqui.

Gustavo Fruet já disse ser contra as terceirizações de atividades-fim, o que é um bom sinal. Ou seja, por exemplo, numa escola pública é possível terceirizar a limpeza da escola, mas não a atividade docente.

Os dois assinaram um documento do sindicato dos servidores da saúde se comprometendo a não fazer terceirizações na área da saúde. O prefeito Luciano Ducci (PSB), derrotado ainda no primeiro turno, não havia assinado, ufa!

O problema é que Ratinho Junior, em entrevista exclusiva ao Blog do Tarso (clique aqui), disse que é a favor das privatizações, das parcerias público-privadas (PPPs) e das organizações sociais (OS), que é o modelo do ICI, da privatização da saúde e da cultura. Modelo o qual tenho muitas críticas e talvez seja considerado inconstitucional pelo STF (clique aqui). Serão essas as novas ideias?

Ratinho Junior na entrevista disse que não é de direita, nem de esquerda, é de centro. Vem dizendo também que não defende o socialismo nem o capitalismo, mas o humanismo, o que na prática é defender o capitalismo (clique aqui e veja o texto do Claudio Fajardo, que foi vice de Alzimara Bacellar).

Fruet é expresso ao dizer que é social-democrata. Ser um social-democrata é ser contrário ao liberalismo e ao neoliberalismo, e ainda acredita no papel do Estado na economia e no social, pela redução das desigualdades e no controle do mercado.

Infelizmente os apoios de segundo turno podem confundir o eleitor.

O senador Roberto Requião (PMDB) está apoiando Ratinho Junior, não porque ele é o melhor candidato, mas porque Fruet não o apoiará para o governo do Estado em 2014 e por ele ser um desafeto do Ministro Paulo Bernardo, do PT, que está com Fruet. Requião é contra as privatizações, é contra as PPPs, mas apoia Ratinho, que vai privatizar.

E o ex-governador Jaime Lerner, um privatizador de carteirinha, que privatizou o Banestado, privatizou as estradas e criou um dos maiores pedágios do planeta, disse declarar voto no Gustavo. Mas esse apoio é muito menos ideológico do que pessoal. Na verdade, Lerner confia mais na pessoa Gustavo Fruet.

Não podemos esquecer, ainda, que o governador Beto Richa (PSDB), o atual líder do projeto privatista no Paraná, e Luciano Ducci (PSB), por mais que tenham se declarado “juntos e neutros”, a maioria dos seus correligionários vão apoiar Ratinho, como por exemplo, o líder do governo Beto Richa na Assembleia Legislativa do Paraná, o deputado Ademar Traiano (PSDB).

Além disso, claro, Requião tem bem mais condições de influenciar numa possível gestão Ratinho do que Lerner numa gestão Fruet. Requião conseguiu que seu PMDB de Curitiba apoiasse Ratinho, mesmo que com várias dissidências. Lerner está afastado da política.

Fruet, Ratinho e jornalistas: a discussão sobre a privatização deveria ser um dos principais temas em debates e entrevistas. Sei que não é uma das discussões mais populares. Mas é uma discussão obrigatória sobre o futuro da Administração Pública de Curitiba!

Tarso Cabral Violin – Professor de Direito Administrativo, licitações e contratos administrativos e Direito do Terceiro Setor. Editor-presidente do Blog do Tarso

Justiça eleitoral afirma que Ducci e Derosso sempre foram aliados

3 out

Luciano Ducci e João Cláudio Derosso sempre foram aliados. A afirmação é da Justiça Eleitoral, que negou pedido de direito de resposta da coligação do candidato à reeleição contra a coligação Curitiba Quer Mais, por conta de propaganda que cita o trabalho de Gustavo Fruet no combate à corrupção em Brasília e Curitiba.

No seu despacho, a juíza Renata Estorilho Baganha afirma que “Também é fato notório a relação política entre João Cláudio Derosso antes de sua saída do PSDB e o candidato representante. Até porque ele, Derosso, foi inclusive presidente municipal do Partido. Se após denúncias, sua desfiliação e a perda do mandato, esta relação foi desfeita, cabe ao candidato promover a informação na imprensa e no seu próprio horário eleitoral, não ensejando o direito de resposta, vez que também não é fato sabidamente inverídico”.

A magistrada confirma ainda que políticos de partidos acusados de participação no Mensalão estão na coligação de Luciano Ducci. “(…) há políticos denunciados no processo conhecido como “mensalão” que são filiados a partidos políticos da Coligação Curitiba Sempre na Frente. Desta forma, a alegação não é sabidamente inverídica”.

Segue a íntegra da decisão: Continue lendo 

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