#ForaDerosso na quarta-feira, 9h, UFPR Santos Andrade

PSD: mais uma enganação na política brasileira

Charge: Comissão da Verdade

Charge: Comissão da Verdade

Hoje na Folha de S. Paulo

Corrupção no Brasil está diminuindo, diz economista

“O controle social ajuda a coibir a corrupção em uma área em que o aumento salarial tem pouco a fazer: a alta corrupção, praticada por políticos e altos dirigentes.” Foto de Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo

Salário alto é arma anticorrupção,diz especialista

Fabiano Mourão Vieira, economista e professor das Faculdades Bagozzi

Publicada hoje na Gazeta do Povo, por Rogeria Waldrigues Galindo

O economista Fabiano Mourão Vieira parece contradizer o senso comum ao afirmar que a corrupção do funcionalismo público no Brasil está diminuindo. Mas ele diz que há mais de um indício dessa novidade: primeiro, os números de expulsões de funcionários corruptos, o que mostraria um rigor maior contra quem comete crimes na adminitração pública; segundo, o fato de terem diminuído os relatos de pessoas contando casos de servidores públicos pedindo propina ou extorquindo dinheiro de cidadãos.

Isso não tem nada a ver com a “alta corrupção”, aquela praticada pelos políticos de alto escalão. E, sim, com a “baixa corrupção”, cometida pelo funcionalismo público. Para Vieira, a explicação pode ser simples. Com salários mais altos, os empregados dos governos têm mais a perder caso sejam pegos em erro.

Veja os principais trechos da entrevista concedida pelo economista, professor das Faculdades Bagozzi, à Gazeta do Povo:

Existem realmente indícios de que a “baixa corrupção” está diminuindo? Quais são eles?

Na pesquisa sobre corrupção, é difícil falar com afirmações se­guras e dados objetivos. Porque os resultados, em geral, parecem contraditórios. Quanto mais se combate a corrupção, mais se expõe a corrupção, mais se fala dela. E às vezes, com isso, a percepção da corrupção pode aumentar. Portanto, é preciso um olhar atento, em nossa volta, para perceber se está ou não diminuindo. Só a análise dos números pouco nos garante.

Sabemos que tem crescido o número de servidores demitidos por praticarem corrupção. Segundo dados da Corregedoria-Geral da União, em 2008 foram demitidos 312 funcionários públicos federais; em 2009, foram 370; em 2010, 433; e em 2011 esse número será ainda maior. Só analisando os números não temos como saber se o número aumenta porque a corrupção está maior ou porque o combate à corrupção está melhor. Mas, de qualquer forma, quando analisamos em nossa volta, vemos cada vez menos as pessoas reclamarem de servidores corruptos em categorias que antes poderiam ser vistas como problemáticas. Por exemplo, quantas vezes não ouvíamos de propinas pagas por amigos e parentes em estradas federais até os anos 90? Hoje, não ouvimos mais isso. É certo que houve significativa melhora.

Quais seriam os possíveis motivos para essa diminuição?

A meu ver, o principal motivo dessa diminuição foi o aumento dos salários do funcionalismo público. Desde os anos 70, Susan Rose-Ackerman, uma renomada pesquisadora sobre o tema, já divulgava, a partir de estudos empíricos, que uma das medidas mais eficazes para o combate à corrupção era o aumento dos salários dos servidores. Somente nos anos 2000 conseguimos comprovar tal tese no Brasil, a meu ver. Do ponto de vista teórico, no entanto, sabíamos que fazia muito sentido. Um funcionário que ganha bem não pode arriscar o alto valor presente dos seus rendimentos futuros por uma propina qualquer. Um auditor ganha hoje, em média, aproximadamente R$ 16 mil por mês. São mais de R$ 200 mil por ano. Pessoas racionais não arriscam perder um salário desses, mesmo perante boas oportunidades de praticarem atos ilícitos. A baixa corrupção, portanto, se reduziu muito. Essa redução só não foi maior porque ainda há servidores de algumas categorias de nível técnico que têm alto poder de decisão, mas baixos salários.

A criação de mais órgãos de controle social ajuda a coibir a corrupção?

O controle social ajuda a coibir a corrupção em uma área em que o aumento salarial tem pouco a fazer: a alta corrupção, praticada por políticos e altos dirigentes. Claro que a facilidade em fazer uma denúncia, para os vários órgãos que podem apurar atos ilícitos, ajuda a aumentar o risco de qualquer corrupto ser pego. O pequeno funcionário público sabe que, se for pego, será punido. Já o alto funcionário, mesmo muitas vezes assegurado pela impunidade, tem de cuidar de sua reputação e, por isso, deve temer o controle social também.

As expulsões de funcionários significam que o governo federal é mais rigoroso hoje?

Não é, necessariamente, efeito de maior rigor. Para mim, é efeito da persistência do combate e redução da corrupção. Se você trabalha em um grupo em que todos são desonestos, você sabe que não será punido e tem a certeza de que terá seus atos acobertados pelo grupo e pelas práticas habituais. Por outro lado, se você é o único desonesto em um grupo, a chance de você ser punido é muito maior. Estamos vivendo em uma fase de transição, em que a existência de um número cada vez maior de funcionários sem propensão à corrupção facilita o desenvolvimento de grupos honestos e o combate aos grupos desonestos.

Pode-se combater a alta corrupção com as mesmas armas usadas contra a baixa corrupção?

O combate à baixa corrupção se faz com punição expulsiva. Um funcionário público destituído do cargo tem muitas dificuldades de obter fontes de renda no setor privado, porque construiu sua carreira no setor público. A demissão representa, muitas vezes, uma perda de renda gravíssima na vida dessas pessoas.

A alta corrupção é muito diferente. Um político ou funcionário comissionado tem um tempo curto de vivência pública, geralmente os quatro anos do ciclo eleitoral. Se ele for demitido, voltará para seus negócios da economia privada. O custo de ser punido por uma demissão é bem mais baixo. Afora isso, ele conhece os reduzidos riscos de ser punido pelo sistema Judiciário e a pequena probabilidade de ter de devolver os recursos que desviou. A maior perda para alguém em altos cargos é de reputação. Mesmo assim, o preço a pagar é baixo, porque a memória dos eleitores se enfraquece rapidamente e, no Brasil, parte da população aceita a lógica do político que rouba mas faz.

Existem razões para imaginar que a corrupção no Brasil, no longo prazo, vai diminuir?

Sim, há. Por vários fatores. As democracias são menos corruptas, via de regra, do que os governos autoritários. Temos uma democracia consolidada. Temos um controle social crescente no país, com pessoas interessadas e preparadas para acompanhar a evolução das contas públicas. Existe crescente transparência das contas públicas, de fácil acesso remoto [pela internet] por todos, algo pouco imaginável tempos atrás. Temos uma população cada vez mais rica e educada, que não aceita com facilidade a corrupção. Temos instituições preparadas para combater a corrupção. E, como já dissemos, temos funcionários bem remunerados e preparados.

Há estudos que mostram quanto se perde em dinheiro com corrupção no Brasil hoje?

Não há estudos precisos sobre tais quantidades, porque corrupção é algo que se esconde e não se mostra. Mas, se levarmos em consideração que temos um setor público no Brasil que movimenta mais de R$ 1 trilhão ao ano e assumirmos que 3% dos recursos públicos são desviados, teríamos R$ 30 bilhões de prejuízos anuais.

Charge: Rock in Rio

Hoje na Gazeta do Povo

Pesquisa do PSDB aponta que 31% dos brasileiros acham que FHC foi mais corrupto, contra 21% que citaram o Governo Lula

Em matéria da Folha de S. Paulo de 21/09/2011, divulgada pelo Blog do Esmael, pesquisa contratada pelo próprio PSDB aponta que 31% dos brasileiros acham que o governo FHC (PSDB) foi mais corrupto, contra 21% que viram mais corrupção sob Lula (PT).

Talvez apenas nas privatizações russas tenha ocorrido mais corrupção.

Veja a matéria da “insuspeita” Folha de S. Paulo: Continuar lendo

Gustavo Fruet detona Beto Richa, Luciano Ducci e PSDB em entrevista na Época

QUEM É: Filho de Maurício Fruet, prefeito de Curitiba entre 1983 e 1985, foi deputado federal por três mandatos. O QUE FEZ: Em 2005, foi sub-relator da CPI dos Correios, que investigou as denúncias sobre o mensalão no governo Lula. No ano passado, perdeu a eleição para o Senado. Foto: Renata Chede/ÉPOCA

“Nem na ditadura teve uma lógica de aproximação com todos os partidos como no Governo Beto Richa”.

“O PSDB não tem projeto”

“O PSDB não existe no Paraná”

“Beto Richa me prometeu o comando da executiva municipal do PSDB. Derosso e Luciano Ducci vetaram e o Beto Richa ficou com eles e silenciou”.

“Sempre que converso com alguém, há uma tentativa de cooptação por parte do governo Beto Richa e da prefeitura de Luciano Ducci. O Beto Richa foi pedir para o Gilberto Kassab não me apoiar.”

Entrevista publicada na revista Época 696, de 19/09/2011

Gustavo Fruet: “O PSDB não tem projeto”

O ex-deputado, estrela tucana na investigação do mensalão, critica o partido que acabou de deixar

DANILO THOMAZ

Conhecido por sua atuação combativa em Brasília, principalmente na CPI do Congresso que investigou o mensalão, em 2005, o ex-deputado federal Gustavo Fruet, do Paraná, aparecia frequentemente listado como uma das mais importantes lideranças da oposição ao governo petista. Em junho, porém, Fruet deixou o PSDB com o discurso de que precisava recomeçar sua carreira política. Derrotado nas eleições para o Senado no ano passado, ele diz que esperava contar com o apoio do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), para se qualificar como pré-candidato à prefeitura de Curitiba no ano que vem. Isso não ocorreu, e, agora, Fruet está mais próximo de partidos que compõem a base do governo Dilma Rousseff, como PDT e PCdoB.

ÉPOCA – O atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, era um quadro promissor do PSDB. Saiu e foi para o PMDB. O mesmo ocorreu com o deputado Gabriel Chalita, em São Paulo. Agora, o senhor. Por que o PSDB não consegue reter seus novos quadros?
Gustavo Fruet – São vários fatores. Primeiro, o PSDB é muito influenciado pela prevalência da política paulista. Segundo, há uma cultura partidária autofágica, uma soma de projetos pessoais, em vez de um partido. Terceiro, não há cultura do incentivo. Acaba que não renovamos a vida partidária. Há também uma visão centralizadora. A visão da capital federal define como vai ser a política no Brasil. O PSDB não tem clareza em relação aos projetos de médio e longo prazo. O PSDB chegou a ter mais de 100 deputados. Na última eleição, elegeu 55 ou 56.

ÉPOCA – O senhor vê futuro para o PSDB como sigla de oposição?
Fruet – Sempre haverá espaço para oposição, mas o PSDB hoje está refém de uma situação que não é uma estratégia política. Qual é? Esperar a tragédia do governo. Quer usar uma crise econômica ou política para tentar tirar da base do governo partidos como o PSB, o PDT, o PMDB. Mas nos Estados é muito comum o PSDB estar coligado a partidos que são aliados do PT no plano nacional.

ÉPOCA – Quais foram seus atritos no PSDB?
Fruet – Quando entrei, em 2004, foi para apoiar o Beto Richa (à prefeitura de Curitiba). Ele estava atrás nas pesquisas, eu o apoiei, ele foi eleito. Em 2008, o apoiei para a reeleição. Sempre houve muita clareza de que me preparava para ser o sucessor. Em 2008, abri mão da indicação de ser o vice dele para manter a coligação com o PSB. Nesse período, fiquei muito focado no Congresso, participei do Conselho de Ética e de uma CPI. Eu me afastei da política local. Fiquei sem nenhum diretório do PSDB. Abri mão do espaço na executiva estadual. E o compromisso que tinham de me deixar na executiva municipal não foi cumprido. O partido nunca se reuniu para fazer tese, congresso, convenções. Em 2010, preparei-me para ser candidato a senador. A executiva estadual trabalhou contra. O PSDB preferiu apoiar o Ricardo Barros (PP), que era candidato do Lula, e o Osmar Dias (PDT). É assim: a gente fica na política nacional, no combate, e no Estado o partido dá apoio a aliados do governo federal. Na última hora, o Osmar resolveu sair, e me chamaram para concorrer ao Senado. Abri mão da reeleição (para deputado)para tentar o Senado e dar tempo de TV para o PSDB, para ajudar o (José) Serra, candidato à Presidência.

É assim: a gente fica na política nacional, no combate, e no Estado seu partido dá apoio a aliados do governo federal”

ÉPOCA – Qual é o principal problema do PSDB no Paraná?

Fruet – O PSDB não existe no Paraná. Em muitos municípios, dirigentes apoiaram o Beto para governador e, ao mesmo tempo, a Gleisi Hoffmann (PT) e o Roberto Requião (PMDB)para o Senado. É importante para vermos o que é fidelidade partidária… O fato de haver um partido constituído não significa que ele esteja seguindo um programa.

ÉPOCA – O senhor saiu do PSDB por falta de espaço para disputar a prefeitura. É isso?
Fruet – Depois da eleição (de 2010), pedi só uma coisa para o Beto: apoio para conseguir o comando da executiva municipal. Ele assumiu esse compromisso. Mas o presidente da Câmara e um grupo ligado ao prefeito (Luciano Ducci, prefeito de Curitiba, do PSB) vetaram. O Beto ficou com eles. Pedi espaço para construir a candidatura, depois decidiríamos. Mas houve um silêncio constrangedor.

ÉPOCA – Alguém do PSDB ofereceu apoio?
Fruet – Não em público. Aí não adianta. Não pedi para ser ungido. Queria fazer uma consulta, pesquisas. Tentaram abafar minha candidatura. O Beto Richa começou a criar secretaria, dar cargo para vereador e cooptar quase todos os partidos. Sempre apareci bem nas pesquisas. Ficaram me cozinhando.

ÉPOCA – Quem lhe ofereceu ajuda?
Fruet – O Sérgio Guerra (presidente nacional do partido) e o Serra. Não houve promessa, no sentido “eu garanto”. Conversei com eles por telefone, eles estiveram em Curitiba no casamento do filho do Beto. O compromisso deles era conversar, buscar uma solução.

ÉPOCA – Quando o senhor saiu do partido, alguém ligou?
Fruet – O único que ligou foi o Aécio (Neves, senador).

ÉPOCA – O que o senhor acha do governo de Beto Richa?
Fruet – A avaliação dele é positiva aqui. Ele ganha como contraponto do Requião (ex-governador). O lado negativo é a lógica de aproximação com todos os partidos. Nem na ditadura teve algo assim. É uma dependência brutal do governo. Todos, com exceção do PT, estão votando com o governo na Assembleia. O PMDB, que era oposição, está com o governo, com exceção de um deputado.

ÉPOCA – O senhor ficou nacionalmente conhecido pela atuação na CPI dos Correios, na investigação do mensalão. Agora está prestes a ingressar na base do governo. Qual é sua opinião sobre o mensalão hoje?
Fruet – Mantenho as mesmas posições. Foi um fato sério, que mudou profundamente a forma de acompanhamento da política do Congresso e tem efeitos até hoje. Uma marca muito negativa do governo no Congresso.

ÉPOCA – Que marcas deixou no Congresso?
Fruet – Um desgaste profundo. O Congresso não conseguiu mais sair dessa agenda negativa. São certos hábitos que estão enraizados. A forma de relação com o Executivo não se sustenta. É o que está acontecendo agora, esta sequência de queda de ministros. Vou além: não se concluiu muito do que se levantou na época. Vai ficar eternamente no sigilo.

ÉPOCA – Já escolheu algum partido para sair candidato à prefeitura?
Fruet – Não. Vim a Brasília por isso e tentei conversar com algumas lideranças. É importante evitar que o partido seja cooptado pelo governo do Beto Richa. Além disso, são poucos os partidos que não estão na base da prefeitura de Curitiba. Só PDT, PCdoB e PV são independentes. E o PT. Para o PT, não vou, sem demérito. Para o PMDB do Requião, também não vou. Vim conversar com a Rosane Ferreira, do PV, com o Osmar Dias, do PDT, e com dirigentes do PCdoB. Agora, sempre que converso com alguém, há uma tentativa de cooptação por parte do governo e da prefeitura. PSD? O Beto foi pedir para o Gilberto Kassab não me apoiar. DEM? Eles criaram uma Secretaria Especial de Habitação para acomodar o DEM. Essa é a política real.

ÉPOCA – O senhor tem conversado com o ministro Paulo Bernardo, do PT?
Fruet – Não. Ontem (terça-feira 13), falei com ele pela primeira vez. Uma conversa política, de conjuntura, mas nada conclusivo. O PT trabalha para eleger a Gleisi governadora em 2014. Para o PT é importante ter candidatos (a prefeito) ou apoiar candidatos nas principais cidades do Paraná.

Charge: Light privatizada = Roquenrío

Vote na enquete da eleição de Governador do Paraná de 2014. Por enquanto Gleisi em 1º, Requião em 2º e Beto Richa em 3º

Ato #ForaDerrosso na quarta-feira, 28/09, 9h, na UFPR da Santos Andrade

Derosso, que mantém contrato milionário da Câmara de Vereadores de Curitiba com a empresa da esposa; e Beto Richa, que mantém cargo de confiança no Governo Estadual do Paraná com a esposa do Derosso. Bons Companheiros!

Charges da Folha e Gazeta: Dilma e Palestina

Jô Soares critica “lista negra” da Rede Globo (1988 no SBT)

Contribuição de Nelba Nycz

Entrevistas com petistas: um socialista e um social-democrata

Entrevistas de Rogerio Waldrigues Galindo, publicadas hoje na Gazeta do Povo

Deputado Federal Dr. Rosinha. Foto de Valterci Santos - Gazeta do Povo

“Quero socialismo para dividir riqueza”

Dr. Rosinha, deputado federal

O congresso mostrou que o PT caminha mais para o centro?

Não acredito. O congresso retomou questões de organização que são típicas de esquerda, como a limitação do número de mandato de parlamentares e a contribuição dos militantes. Não são questões ideológicas, propriamente. Mas limitar os mandatos, por exemplo, mostra que o mais importante é o programa, não a pessoa. Além disso, o partido decidiu não coligar com PPS, DEM e PPS.

Houve pressão do governo para aliviar alguma resolução?

Não houve. Não acho que as votações seriam diferentes se estivéssemos na oposição.

As alas mais à esquerda do PT, como a Democracia Socialista, da qual o senhor participa, estão ficando mais brandas?

Eu acho que são duas coisas diferentes. Na disputa interna do partido, a nossa postura tem de ser a de exigir mais. Mas outra coisa é a atuação do governo, que não podemos querer que represente uma ou outra tendência.

O estatuto do PT prevê que o partido rume para o socialismo. Isso ainda faz sentido?

Faz sentido. O partido atua dentro dos moldes do capitalismo. O Celso Furtado, em 1950, já dizia que o rumo do socialismo passava pelo fortalecimento do mercado interno. E o PT no governo faz isso. Mesmo porque eu quero socialismo para dividir riqueza, não para dividir pobreza.

O partido então quer a extinção da propriedade privada, por exemplo?

O PT, não. Mas alguns de nós, sim.

Deputado Federal André Vargas. Foto de Antônio More - Gazeta do Povo

“Continuamos defendendo teses de esquerda”

André Vargas, deputado federal

O congresso mostrou um PT mais próximo do centro?

O PT é de esquerda, e um dos maiores partidos de esquerda democrática do mundo. É único partido no país, por exemplo, que faz um congresso como esse, com 1,4 mil delegados eleitos. Continuamos defendendo teses de esquerda. Defendemos os mais pobres, distribuição de renda. Não somos de centro.

O estatuto do partido prevê o socialismo. Isso ainda vale?

Temos de avançar para uma sociedade mais justa, onde o lucro não esteja acima das pessoas. Precisamos avançar para essa sociedade. Mas queremos o socialismo com democracia. Não defendemos a extinção do mercado livre ou o fim da propriedade privada.

Mas esse socialismo com democracia não é muito semelhante à social-democracia?

Foram os conceitos de Karl Marx que criaram a social-democracia europeia. Aqui no Brasil é que o partido que se diz social-democrata é de direita.

Houve pressão do governo para que alguns pontos fossem suavizados no congresso?

Nós interagimos com pessoas dentro do governo. Não existe essa entidade “governo”. Existem militantes nossos que estão no governo. Podem existir contradições entre a tese partidária e o governo. Mas temos de levar pelo menos o debate às últimas consequências.

O fato de ser governo mudou o PT?

Qualquer partido quando chega ao poder tem novos deveres. Mesmo porque você não governa só com as suas teses.

Dos 50 primeiros Cursos de Direitos no Exame de Ordem, 47 são de instituições públicas

Universidade Federal do Paraná

No último Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, dos 50 primeiros Cursos de Direito, 47 são de instituições público-estatais. Mais uma vez cai por terra o discurso falacioso de que as instituições privadas são mais eficientes do que as públicas.

É claro que apenas o exame de Ordem não é suficiente para demosntrar quais são as melhores instituições e quais são as piores. Mas é um importante termômetro.

A Universidade Federal do Paraná ficou em 6º no ranking nacional, enquanto que a UniBrasil e Universidade Positivo ficaram, respectivamente, em 2º e 3º lugar no ranking de Curitiba, atrás da UFPR, mas na frente de instituições tradicionais como a UniCuritiba e PUC/PR.

Parabéns aos meus alunos da Universidade Positivo e do Curso Ordem Mais.

Veja o ranking completo, clique aqui

Universidade Positivo

 

 

Socrates, craque da bola e da democracia – Celso Unzelte

O DOUTOR EM CAMPO Sócrates durante uma partida na Copa de 1982, na Espanha. Seu futebol marcou o Mundial, apesar da eliminação brasileira (Foto: Bob Thomas/Getty Images)

Craque da bola e da democracia

Ídolo no Corinthians e na Seleção, Sócrates simbolizou a genialidade do futebol brasileiro e as esperanças do início da década de 1980

CELSO UNZELTE

Revista Época 695 de 12/09/2011

Como esquecer a primeira vez que vi Sócrates? Desengonçado do alto de seu 1,90 metro, pelos quais distribuíam-se pouco mais de 80 quilos, ainda sem a barba de revolucionário cubano que o caracterizaria para a posteridade, ele, lá embaixo, era um estudante de medicina recém-formado, aos 24 anos. Era 20 de agosto de 1978, mas, naquele mesmo domingo em que minha mãe comemoraria seu 50o aniversário, eu, aos 10 anos, havia preferido trocar de festa. Lá de cima, nas arquibancadas do Morumbi, junto com meu irmão e um primo, éramos três do hoje impensável público de 111.103 pessoas que viram o Magrão – como ele é chamado até hoje pelos mais íntimos – fazer contra o Santos o primeiro de seus 298 jogos pelo Corinthians. A certa altura da partida, no círculo central do campo, seu corpo esguio já havia passado pela bola. O lance parecia perdido, mas ele ainda conseguiu golpeá-la – meio com o calcanhar, que se tornaria sua assinatura, meio com a sola do pé –, graças a um rápido movimento da perna para trás. A bola encobriu o adversário mais próximo e foi aninhar-se no peito de outro jogador corintiano. Imediatamente, ouviu-se o coro satisfeito vindo das arquibancadas: “Eeeeeeeeeeeê!”. Era a Fiel vibrando pela primeira vez com o seu Doutor.

“Craque de nome tão grande quanto seu futebol” acabou virando um clichê nas páginas esportivas que tentam explicar quem é Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira. Por maior que tenha sido a bola que ele jogou, Sócrates foi muito mais que isso. Em suas próprias palavras, quando chegou a São Paulo, ele “só pensava em jogar futebol”. Mas, aos poucos, começou a desenvolver melhor sua vocação política. “Em um país em que os mais fracos social, política e economicamente não têm voz nunca, o Corinthians é uma força, uma forma de expressão”, diz ele sobre a fase mais importante de sua carreira. O auge dessa mobilização aconteceu por sua participação e liderança no movimento que se convencionou chamar de Democracia Corinthiana – assim mesmo, com h, na marca registrada à época. Uma verdadeira revolução na estrutura arcaica do futebol brasileiro, que pregava, entre outras coisas, o fim da detestável concentração antes dos jogos e uma maior participação dos atletas, tanto em direitos como em deveres. O nome Sócrates, no entanto, esteve tão ou mais ligado à política brasileira de uma maneira mais ampla. Ainda em 1982, enquanto não tinha patrocinadores, o Corinthians entrava em campo, Sócrates à frente, levando estampada na camisa a mensagem “Dia 15, vote”. Um apoio às primeiras eleições diretas para governadores realizadas no Brasil desde 1966. Tempos depois, se filiaria ao Partido dos Trabalhadores (PT). Em 16 de abril de 1984, no Vale do Anhangabaú, Sócrates chegou a prometer, diante de 1,5 milhão de pessoas, que, “se a emenda Dante de Oliveira for aprovada, nem todos os dólares do mundo me farão deixar o Brasil. Este vai ser um novo país, e eu quero participar dele”. Foi o Dia do Fico do Doutor. Mas, por uma diferença de 22 votos, a emenda que restabeleceria a realização de eleições presidenciais após 24 anos acabou derrotada no Congresso Nacional.

Pela Seleção, Sócrates Brasileiro jogaria duas Copas do Mundo, em 1982, na Espanha, e em 1986, no México. Na primeira delas, marcou dois gols. O primeiro, empatando com um chute de fora da área o difícil jogo de estreia com a União Soviética, que ainda terminaria com a vitória brasileira por 2 a 1. O outro foi na triste despedida diante da Itália de Paolo Rossi, o gol de empate em 1 a 1 numa partida que terminaria com uma derrota por 3 a 2 e a eliminação brasileira daquele Mundial em que íamos tão bem.

Controvérsias sobre a Democracia Corinthiana nunca faltaram. O fato de os jogadores tomarem cerveja nas dependências do próprio clube, mal terminados os treinos, incomodava muita gente. Em um jogo contra a Portuguesa, a Gaviões da Fiel chegou a levar uma faixa em que se lia: “Democracia sim, bagunça não”. Aos críticos, Sócrates mandava um recado: “Este é o país onde mais se bebe cachaça no mundo e parece que eu bebo tudo sozinho. (…) Não querem que eu beba, fume ou pense? Pois eu bebo, fumo e penso. Não fico escondendo as coisas”. Em seu último ano no Corinthians, Sócrates ainda levou o time às semifinais do Brasileiro. Nas quartas de final, quando o Corinthians perdeu a primeira partida, no Rio de Janeiro, para o Flamengo, por 2 a 0, mais uma vez a Democracia foi responsabilizada. Contundido, Sócrates não jogou, dizia-se, graças à permissividade do sistema político vigente no Parque São Jorge – havia se machucado dias antes em um amistoso de futebol de salão em Ribeirão Preto. Mas na partida de volta, em que o Corinthians precisaria pelo menos devolver a diferença de dois gols, Sócrates, mesmo machucado, estava em campo. Com um par de tornozeleiras amarelas (cor do movimento pelas eleições diretas), comandou a equipe em uma goleada por 4 a 1, que acabou classificando o Corinthians para as semifinais. Foi o último grande baile regido por Sócrates com a camisa alvinegra.

Por 3,5 milhões de cruzeiros de luvas, 18 passagens anuais entre o Brasil e a Itália, uma mansão em Florença e dois carros à disposição, Sócrates trocou o Corinthians pela Fiorentina em junho de 1984. Com sua ida para a Itália, a Democracia Corinthiana e o time se enfraqueceram. Após apenas 11 meses, 33 jogos e nove gols marcados pela Fiorentina, Sócrates voltou ao Brasil, para o Flamengo. Perseguido por uma hérnia de disco, atuou pouco, embora ainda tenha jogado a Copa de 1986. O final de sua carreira de jogador deixou poucas lembranças. Foram só três meses pelo time de infância, o Santos, em 1988. Naquele ano, Sócrates ainda vestiu a camisa corintiana pela última vez, contra os ingleses do Corinthian-Casuals. Marcou o gol da vitória do Corinthians brasileiro por 1 a 0. Como jogador, Sócrates insistiu, ainda, em uma breve volta ao Botafogo de Ribeirão Preto, em 1989. Depois, foi secretário de Esportes de Ribeirão Preto, diretor e técnico do Botafogo, técnico e gestor do Cabo Frio (RJ) e técnico da LDU, do Equador. Teve também sua clínica, a Sócrates Medicine Center, em Ribeirão Preto. E foi lá que tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente pela primeira vez.

Aos 49 anos, ele já era um jogador aposentado. Eu, aos 25, o procurava para colher um depoimento a ser publicado na revista Meu Jogo Inesquecível, um especial da revista Placar. “Sócrates, eu não sei se você tem lido a minha revista, mas…”, tentei introduzir o assunto, preparando seu espírito para uma entrevista sobre reminiscências, e não sobre atualidades. Ele então me interrompeu, meio a sério, meio de brincadeira, mas sobretudo irônico: “Eu não a lia nem quando prestava, vou ler agora?”. Segui em frente com meu trabalho, porém com certo sentimento de desilusão em relação ao meu ídolo de infância.

Novo contato direto somente em 2006. Eu voltava das aulas que dou na Faculdade Cásper Líbero quando o celular tocou. “É o Celso?”, perguntou a voz característica, mas que não acreditei reconhecer. “É o Sócrates, quem me deu o seu número foi o Juquinha”, referência ao jornalista Juca Kfouri. Ele queria encomendar um levantamento de todos os seus jogos na Fiorentina, da Itália, principalmente aqueles em que havia sido substituído pelos técnicos de plantão. Pouco pude ajudá-lo, além do envio de uma relação com datas, resultados e adversários em cada uma daquelas partidas. A resposta ao e-mail, afetuosa, redimia, tantos anos depois, a má impressão do encontro anterior: “Obrigado pelo carinho”.

Por fim, em 2010, tive o prazer de conversar não só com Sócrates, mas também com Palhinha, seu melhor companheiro nos primeiros tempos de Corinthians, à mesa de um bar temático de futebol, o São Cristóvão, em São Paulo. Era um trabalho para o filme oficial do centenário corintiano, e foi de longe o mais inesquecível de nossos contatos. Sócrates já chegou atrasado e falando alto, propositadamente para a câmera captar, dizendo que “Esse baixinho (Palhinha) só fala mentira”. Depois, olhou para mim e disse: “Celsão, quem sabe um dia eu não acabo indo em algum lançamento de livro seu?”. Assim se manteve durante a entrevista em si. “Campeão brasileiro?”, respondeu perguntando a uma pergunta feita por Palhinha sobre os títulos que havia conquistado no futebol. “Eu fui campeão é das ‘muié’!” Antes de ir, ainda ouvi dele a divertida história do amigo que se encantou por seu apartamento em São Paulo quando teve de se mudar para a Itália. “O apartamento é seu”, disse o Doutor, “desde que você pague tudo o que eu beber quando você estiver comigo até o final das nossas vidas”. Sócrates conta que o amigo acabou se dando por vencido e sugeriu a ele uma troca no pagamento. Desde então, passou a buscá-lo e trazê-lo de carro toda vez que ele estivesse em São Paulo, cidade onde o Doutor sempre detestou dirigir. Deixei-o à mesa, em companhia de outras pessoas. No caminho, eu só pensava nas voltas que a vida deu desde aquele domingo de 1978, em que eu, menino, tinha ido ao estádio para ver meu ídolo jogar pela primeira vez. De lá para cá, só uma coisa não mudou:
sempre torci por ele.

Celso Unzelte é jornalista e pesquisador esportivo, autor de 12 livros sobre futebol e comentarista dos canais ESPN

Avanços e retrocessos do RDC – Tarso Cabral Violin

Avanços e retrocessos do RDC

Publicado hoje na Gazeta do Povo

Por Tarso Cabral Violin

De uma forma moderna, a nova lei traz importantes questões como o cuidado com o meio ambiente, com a urbanização e com as pessoas com necessidades especiais

Foi sancionada a Lei 12.462/2011, que cria o Regime Diferenciado de Contratações Públicas, com o intuito de acelerar as licitações e contratos administrativos necessários à realização dos Jogos Olímpicos de 2016 e da Copa do Mundo em 2014.

A Lei traz avanços e retrocessos, mas em muitos momentos apenas repete o que já está no nosso ordenamento jurídico. De uma forma moderna, a nova lei traz importantes questões como o cuidado com o meio ambiente, com a urbanização e com as pessoas com necessidades especiais. Trata de algumas obviedades que infelizmente no Brasil precisam ser explicitadas para determinados agentes públicos, como o dever do objeto da licitação ser definido de forma clara e precisa no edital, vedadas especificações injustificadas.

O ponto mais polêmico do RDC é a previsão de sigilo do valor estimado da licitação no edital das licitações, que será tornado público apenas depois do encerramento do certame. Antes disso apenas divulgado para os órgãos de controle.

Entendemos que o valor estimado de qualquer contratação deve ser amplamente divulgado para a sociedade como um todo. Não são convincentes os argumentos de que na iniciativa privada a surpresa da proposta do comprador faz com que se consigam valores menores junto aos vendedores; e que os fornecedores, ao saberem com antecedência o valor estimado da licitação, façam conluio entre eles. A publicização apenas faz bem para o procedimento, e o sigilo pode permitir que particulares com informações privilegiadas sejam beneficiados.

Esse sigilo é uma inconstitucionalidade flagrante, contrário ao Princípio da Publicidade, que garante a transparência na administração pública. O sigilo apenas é admitido na Constituição nos casos imprescindíveis à segurança da sociedade e do Estado.

Na prática, o administrador público corrupto poderá tranquilamente divulgar o valor estimado para quem ele quer beneficiar, prejudicando os demais licitantes que apresentarão suas propostas no escuro.

Outra inovação da lei também questionada é a criação da contratação integrada nas licitações de serviços de Engenharia, que poderá ser utilizada desde que justificada. A contratação integrada compreende a elaboração e o desenvolvimento dos projetos, a execução de obras e todas as demais operações necessárias para a entrega final do objeto, tudo sob responsabilidade do particular contratado.

Esse regime de contratação pode ser interessante apenas em situações excepcionais, pois se permite uma maior liberdade na execução da obra também gera uma maior responsabilidade no produto final. Subjetiva muito a execução da obra, o que necessitará uma maior fiscalização dos órgãos de controle.

Algo que gera preocupação é a previsão de remuneração variável do contratado. Metas, padrões de qualidade, critérios de sustentabilidade ambiental e prazo de entrega, se não forem muito bem fixados, podem causar distorções e pagamentos adicionais ilícitos aos contratados. Se o administrador público não é bom na elaboração dos editais de licitação, muito menos na fixação, concessão e fiscalização dos parâmetros variáveis de desempenho, pode gerar benefícios ilícitos para os “amigos do rei”. Também deve ser muito bem fiscalizado.

Um dos grandes avanços do RDC, o que há de mais moderno nas licitações do Brasil, é a inversão das fases de habilitação e julgamento das propostas, método já realizado nas licitações na modalidade pregão, Parceria Público Privada e nas concessões.

Não há sentido, como regra, que a administração pública tenha que verificar a documentação de habilitação de todos os licitantes, e apenas depois verificar quem tem a melhor proposta. É mais célere a licitação que escolhe o vencedor e verifica apenas a documentação de habilitação dele. Por mais que em determinadas licitações o vencedor não atenda aos requisitos de habilitação, a economia de tempo em geral é benéfica para o interesse público.

Também uma tendência brasileira a realização de licitações eletrônicas, o que agiliza os procedimentos, por mais que em alguns casos, de forma justificada, seja melhor a realização de licitação presencial.

Faz tempo que a divulgação das licitações é mais eficaz na internet do que em jornais de grande circulação ou nos próprios diários oficiais. Inova o RDC e está correto o fim da necessidade de publicação em jornais de grande circulação, como prevê a Lei 8.666/93, e a desnecessidade de publicação até nos diários oficiais para licitações de menor monta.

Tarso Cabral Violin, advogado especialista em licitações e contratos administrativos, mestre em Direito do Estado pela UFPR, e professor de Direito Administrativo da Universidade Positivo.

Charge: Rock in Rio, a morte do rock!

Hoje na Folha de S. Paulo

Briga de tucanos segundo José Simão

Recordar é viver. O José Simão, em 12 de maio de 2011, em sua coluna na Folha de S. Paulo e na rádio Bandnews, informou como são as brigas dos membros do PSDB:

E vocês já viram tucano brigando? “Bobo.” “Pobre.” “Cara de mamão!” “Bolha.” “Você não entende de vinho.” “Você não come vol-au-vent.”

Como seria a briga entre os tucanos do Paraná, Beto Richa, Derosso e Rossoni?

As melhores sugestões ganham uma receita de vol-au-vent!

Vol-au-vent

Gestão de Fernanda Richa é um desastre: 5 adolescentes mortos nos educandários nos últimos 4 meses. Ministério Público culpa Beto Richa.

Família Imperial paranaense

O Governador Beto Richa (PSDB), para dar maior poder a sua própria família, criou a Super-Secretaria da Família e a deu de presente para sua esposa, Fernanda Richa, assim como criou a Super-Secretaria de Infraestrutura e a presenteou para o irmão Pepe Richa.

O problema é que para presentear sua esposa o governador extinguiu a Secretaria de Estado da Criança e do Adolescente. A Gazeta do Povo de hoje informa que esse ato de Beto Richa ocasionou a morte de cinco adolescentes nos últimos quatro meses nos educandários estaduais, instituições que deveriam protegê-los e ressocializá-los. Segundo o jornal “as mortes revelam que o problema não é pontual e coincidem com a redução do quadro de educadores sociais e a recente extinção da Secretaria da Criança e da Juventude”.

Uma fonte do Judi­ciário ouvida pela Gazeta do Povo disse que os adolescentes ficaram “sem pai nem mãe entre janeiro e junho”, ou seja, bem no período que Fernanda Richa assumiu como Secretária no Governo Beto Richa.

Segundo a reportagem, para o promotor de Justiça Murilo Digiácomo, do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça da Infância do Ministério Público do Paraná, a morte de adolescentes que estavam sob a tutela do Estado é tão grave que o próprio governador deveria se manifestar a respeito. Para ele a raiz do problema está na extinção da Secretaria da Criança e Juventude desmontada por Beto Richa e Fernanda Richa, mesmo com manifestações contrária de organismos como o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente.

O promotor acredita haver tempo de Beto Richa reconhecer o erro e recriar a secretaria: “Não é uma reivindicação só do Ministério Público, mas da sociedade” e “queremos ajudá-lo a perceber que errou e reflitir a respeito, uma reflexão que a sociedade já havia feito ao se manifestar contra a extinção da secretaria”. Finaliza dizendo que se não houver mudanças, a tendência é a repetição de novas tragédias nos educandários do Paraná.

Veja a matéria completa da Gazeta do Povo de hoje:

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